Os verdadeiros donos do Brasil e o faz de conta entre o STF e o Senado

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thumbnail a jucaNinguém mais duvida, após um ano e meio do golpe que usurpou o Poder Executivo de uma Presidenta eleita, a quem interessou o esbulho da vontade popular.

Claro que foram, principalmente, os capitais financeiros, as empresas estrangeiras, a geopolítica dos Estados Unidos. Mas estes são useiros e vezeiros em golpes no Brasil e no mundo.

Aqui, nesta paróquia, o golpe se deu pela bandidagem. É, meu caríssimo leitor, um Primeiro Comando da Capital (PCC) que não se limita a São Paulo do PSDB.  Que ganhou foro nacional. Que controla os poderes da república (letra minúscula).

E para isso haja enrolação, criem-se jurisprudências, inventem-se doutrinas e rasguem-se leis, princípios, e viva o óleo de peroba!

Ontem, ao julgar Eduardo Cunha, o presidente da câmara dos deputados, o supremo tribunal federal doutrinou pelo princípio republicano: ninguém está acima nem abaixo da lei. Recolha-se o meliante.

No caso do senador Delcídio do Amaral, criou-se a confusão do flagrante, mas ao fim foi preso.

Agora chega-se a um capo. O presidente do principal partido do golpe, o que tem as chaves das prisões paulistas, onde trafega o PCC.

Assim não dá. É chamada a criativa imaginação dos juristas do supremo. E, ora ironia, a república do golpe deixa de ser republicana para ser ....... democrática. O importante é manter a escolha do povo!

Tamanho despautério já não revolta os ardorosos éticos das panelas, os imaculados cidadãos da lei e da ordem. Trata-se de cumprir a sina dos subjugados aos verdadeiros donos do Brasil.

E todos sabem, pelas palavras do capo, que quem sai da linha, seja primo ou amigo, leva chumbo. Vamos rever a trilogia do Poderoso Chefão, que proponho entre para o currículo das escolas sem partido. Um ensinamento indispensável para o Brasil dos temer, serras e bolsonaros.

Enquanto isso, corem de vergonha os herdeiros do trono, uma portaria ministerial revoga a Lei Áurea. Uma reivindicação dos derrotados de 1930. E assim caminha a civilização do retrocesso.

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” (Rui Barbosa)

Valter Xéu é jornalista, editor e diretor dos portais Pátria Latina e Irã News

Dever de Casa

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 Foto oficial de Fernando Bezerra CoelhoAo longo do meu mandato, tenho visitado diversos municípios em todas as regiões do estado e recebido muitos prefeitos no meu gabinete em Brasília. As demandas são muitas, sobretudo nas áreas de educação, saúde, recursos hídricos e infraestrutura urbana. Tenho ouvido relatos de muitas dificuldades financeiras, sobretudo neste período de setembro e outubro quando os repasses do FPM diminuem, comprometendo o equilíbrio fiscal das prefeituras.

A melhor notícia que podemos oferecer é a retomada da economia, verificada a partir dos últimos meses com a volta do crescimento econômico e, sobretudo, a retomada dos empregos. Melhor notícia ainda, é o crescimento da receita federal verificado em agosto e sustentado no mês de setembro. Isto poderá abrir espaço fiscal para o aumento de transferências voluntárias da União em favor dos municípios, sobretudo a partir de 2018 quando a economia deverá crescer mais de 2,5% do PIB. Importante destacarmos que os repasses do Governo Federal em 2016 e em 2017, transferidos em favor dos municípios pernambucanos e do Governo Estadual, ultrapassam 1 bilhão de reais, apesar da crise que enfrentamos.

Além das cobranças de mais recursos do Governo Federal, os prefeitos cada vez mais reclamam dos atrasos na liberação dos recursos do FEM, como também da demora na contratação de novas operações. Mas, o que me chama mais atenção, é a dívida da Secretaria de Saúde do Estado no valor superior a 125 milhões de reais,correspondentes aos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017, referente  às ações previstas na Política Estadual de Fortalecimento da Atenção Primária – PEFAP, no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU,  na Assistência Farmacêutica e  no apoio aos Hospitais de Pequeno Porte – HPP, cujas contrapartidas estaduais vêm sendo negligenciadas com enormes prejuízos para os municípios pernambucanos, sobretudo os mais pobres.

O Governo Federal repassa, Fundo a Fundo, para a saúde de Pernambuco, mais de 1 bilhão de reais por ano. Por outro lado, a receita de ICMS do Estado alcança valores próximos a 1 bilhão de reais por mês; como então justificar atrasos nos compromissos com os municípios do Estado? Acredito que a resposta seja a falta de priorização para as ações de saúde feitas em parceria com as prefeituras, ou então as dificuldades financeiras do Estado são mais graves do que imaginamos.

O Brasil vai voltar a crescer. A pergunta que não quer calar: Pernambuco fez o dever de casa, no sentido de relançar sua economia? Isto é o que vamos debater ao longo dos próximos meses.

Senador por Pernambuco

Homossexualidade não é doença, mas ideologia de gênero é.

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facebook 2E é doença grave. Seus agentes transmissores proliferam em segmentos bem específicos do meio artístico, da agenda cultural, da programação da Rede Globo, do ambiente educativo e da militância LGBT. Mostras e performances que causaram escândalo nos últimos dias, bem como outras já anunciadas, alinham-se com esse objetivo. Impossível negar.

A ideia de que os órgãos genitais são ilusões da mente e devem ser abolidos da identidade pessoal derruba uma biblioteca de Genética e outra de Biologia. Mas isso não importa à militância contanto que se propague um mix conceitual cheio de contradições. Segundo ele, masculino e feminino ora seriam construções culturais e sociais, ora deliberações tão frívolas quanto a escolha de um adereço, ora frutos de imposições heteronormativas, ora produtos de uma "dialética" da genitália com o inconsciente de cada um. Como consequência, sob absoluto silêncio da natureza, ninguém nasceria homem ou mulher. Todos arribaríamos a este mundo assexuados como manequins de vitrine, pendentes de definições ou indefinições que adviriam das influências e das experiências mais ou menos bem sucedidas ou malsucedidas. Ademais, os gêneros seriam intercambiáveis e, dependendo do lado de corte do fio, inacessíveis aos cuidados de psicólogos e psiquiatras.

Qualquer dessas ideias, suas dicções e contradições tem inteiro direito de comparecer ao debate no ambiente social leigo e no ambiente científico. O direito que não lhes assiste é o de assalto às salas de aula e espaços infantis, precisamente seu interesse maior. Mantenham-se longe daí! Esses ambiente lhes são totalmente impróprios. Sua presença ultrapassa os limites da delinquência. Ninguém tem o direito de levar suas próprias dubiedades às mentes infantis para confundir suas identidades.

Tomar as exceções como fonte de norma geral e impô-la a crianças é uma perversão que passou a tomar corpo, no campo educacional, durante aConferência Mundial da ONU sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo em 1994. A palavra gênero aparece 211 vezes em seus documentos. Entende-se: quanto mais sexo homossexual, menor a reprodução da espécie. Aqui no Brasil, o Plano Nacional de Educação, que tramitou no Congresso Nacional desde 2010, cozeu no forno legislativo recheado de centenas de emendas e inclusões da ideologia de gênero até que, por ampla maioria, todas as referências ao tema foram suprimidas da lei que instituiu o PNE 2014-2024. Em que pese a rejeição no ditame federal, o MEC - sempre o aparelhamento da burocracia pela ideologia! - através da subsequente Conferência Nacional de Educação, enviou a Estados e municípios documento reintroduzindo a ideologia de gênero como conteúdo abundante nos respectivos planos. Esse desrespeito à legislação federal e à posição do Congresso Nacional está muito bem expostoaqui. Assim, também Estados e municípios tiveram que se defrontar com a questão e, outra vez, intensa mobilização social derrubou a inclusão de tais políticas na quase totalidade dos planos de educação dos mais de cinco mil municípios brasileiros. Não foi diferente nos Estados.  

A disposição que os militantes do MEC não têm para ensinar o que interessa, têm para isso. A versão final da Base Nacional Comum Curricular tem 396 páginas e a palavra gênero reaparece 135 vezes! Esse número de menções fornece uma ideia do espaço que ela ocupa na cabeça dos que põem a educação brasileira a serviço de suas causas.

É como se nada significassem a maciça rejeição pela opinião pública e pelos poderes que a representam. Querem enfiar-nos goela abaixo a militância de gênero no sistema de ensino para causar molesta crise de identidade nas nossas crianças. Não passarão!

 

Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

CHE – 50 ANOS - O mito não morreu

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(Pesquisa e texto de Zédejesusbarreto)

Meio século depois de assassinado no interior da Bolívia, em 9 de outubro de 1967, os ideais revolucionários do guerrilheiro Ernesto Che Guevara continuam pulsantes, sobretudo nessa Latino-América ainda tão desigual, polarizada e injusta.

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thumbnail A ACHE2Como foi a execução

Quase um ano depois de ter se embrenhado com alguns companheiros de sonhos nas matas bolivianas plantando sementes do que imaginava ser o começo de uma grande revolução no continente sul-americano, isolado, doente, traído por alguns camponeses e cercado por tropas do exército do ditador René Barrientos, o guerrilheiro Che Guevara foi emboscado, ferido e aprisionado na região da Quebrada del Churro, próxima ao vilarejo de La Higuera. Atingido por um tiro na perna foi aprisionado junto com o companheiro Simon ‘Willy’, ambos levados para uma escolinha de chão e paredes de barro, no vilarejo, onde passou a noite no chão com pés e mãos amarradas, esperando o destino.

Não era mais a figura daquele homem bonito, altivo e encantador que conhecemos pela extraordinária fotografia de Alberto Korda, em posters e camisetas mundo afora. Não. Aquele Guevara era um homem envelhecido para os seus quase 40 anos de idade, magérrimo, faminto, desidratado e padecido pelos constantes ataques de asma.

No dia seguinte de sua prisão, por volta do meio dia, chegou a ordem do governo central da Bolívia para se ‘proceder à eliminação do señor Guevara’. Execução sumária. O autor dos tiros de fuzil semiautomático foi o sargento Mário Terán, orientado pelo seu coronel Zenteno Anaya para que preservasse o rosto. Era preciso criar a versão de que ele teria sido morto em combate.

Ainda na tarde de 9 de outubro o corpo de Che, amarrado às ferragens de pouso de um helicóptero, foi levado à cidade próxima de Vallegrande, onde restou colocado sobre uma lavanderia nos fundos do hospital local Nuestro Señor de Malta. As fotos que conhecemos do corpo de Che estendido foram feitas lá, a notícia se espalhando e atraindo muita gente para vê-lo.

Contam, então, que a partir daí os milicos da ditadura boliviana mandaram decepar as mãos do guerrilheiro, colocadas num vaso de vidro com formol e enviadas à perícia em Buenos Aires. No dia 11, o cadáver foi atirado numa vala próxima das cabeceiras de uma pista de pouso local e os restos mortais de Guevara só foram localizados 30 anos depois; daí, por um acordo entre governos, foram transferidos para Santa Clara, em Cuba, os ossos sepultado então com honras de chefe de Estado com a presença do companheiro e comandante Fidel Castro. O comandante Fidel fez um pronunciamento pela TV ao povo cubano no dia 15 de outubro de 1967, anunciando a morte de Che. Comoção. Um herói, mito e exemplo em Cuba, ainda hoje e sempre.

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Veio ao Brasil

Antes de se embrenhar na aventura pelas matas bolivianas, o que lhe custou a vida, o guerrilheiro Guevara passou pelo Brasil. Vinha da Europa, depois de desventuras na África, e desceu no aeroporto de Viracopos, em São Paulo, disfarçado como um diplomata uruguaio de nome Adolfo Mena Gonçalvez, enviado especial da OEA-Organização dos Estados Americanos. Irreconhecível. Cabelos raspados, uma dentadura horrível que mudava sua voz e fisionomia, óculos de aros e lentes grossas.

Sim, era ele, naqueles dias um dos homens mais procurados no mundo. Passou um dia de reuniões (num apartamento na avenida Paulista) com Carlos Marighella, baiano, e com Joaquim Câmara Ferreira (o Toledo), militantes históricos à época ainda no PCB, o Partidão, mas já partidários da luta armada. Che queria apoio da esquerda brasileira para sua aventura que, imaginava, sonhava, seria o passo primeiro para uma grande revolução popular na América do Sul.

Che saiu de São Paulo até Corumbá num DKV do amigo arquiteto comunista Farid Helou, que havia morado um tempo em Cuba, depois da

Revolução dos barbudos de Sierra Maestra, vitoriosa em 1959 sob o comando de Fidel Castro, tendo como braço direito o médico argentino Ernesto Guevara de la Serna, o Che. O revolucionário, o guerrilheiro, a cabeça pensante da Revolução Cubana, o amigo fiel do Fidel, comandante.

Che, certamente o quadro mais qualificado da Revolução que derrubou Fulgêncio Batista, foi embaixador do novo governo revolucionário cubano, dirigiu o Instituto Nacional de Reforma Agrária, presidiu o Banco Central (o Nacional) e o Ministério da Indústria, nomeado por Fidel. Em outubro de 1965, Che escreveu uma carta ao amigo, companheiro e comandante anunciando que estava deixando Cuba, sua ilha amada, para continuar, noutras plagas, sua luta, sua sina de plantador de sementes de liberdade, ‘combatendo o imperialismo’. Antes de decidir pela América do Sul, tentou em alguns países da África, sem êxito.

*

PS: - Ernesto Che Guevara nasceu em Rosário, oficialmente em 14 de junho de 1928, de uma família liberal, de posses. Uma alma aventureira, andarilha, inquieta, sonhadora. Um guerrilheiro pragmático.

“ Hay que erndurecerse pero

sin perder la ternura

jamás!”

*

CARTA DE DESPEDIDA A FIDEL CASTRO

Havana, ano da agricultura

Fidel,

Neste momento lembro-me de muitas coisas – de quando te conheci no México, em casa de Maria Antonia, de quando me propuseste juntar-me a ti; de todas as tensões causadas pelos preparativos ...

Um dia vieram perguntar-me quem deveriam avisar em caso de morte, e a possibilidade real deste fato afetou todos nós. Mais tarde soubemos que era verdade, que numa revolução ou se vence ou se morre (se a revolução for autêntica). E muitos companheiros ficaram-se pelo caminho em direção à vitória.

Hoje, tudo tem um tom menos dramático, porque estamos mais maduros. Mas os fatos repetem-se. Sinto que cumpri com a parte do meu dever que me prendia à Revolução Cubana no seu território e despeço-me de ti, dos camaradas, do teu povo, que agora é meu.

Renuncio formalmente aos meus cargos no Partido, ao meu lugar de ministro, à minha patente de Comandante e à minha cidadania cubana. Legalmente nada me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não se podem quebrar com nomeações.

Fazendo o balanço de minha vida passada, acho que trabalhei com suficiente integridade e dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. A minha única falha grave foi não ter tido mais confiança em ti desde os primeiros momentos da Sierra Maestra, não ter compreendido com a devida rapidez as tuas qualidades de líder revolucionário.

Vivi dias magníficos e, ao teu lado, senti orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias brilhantes, embora tristes, da crise do Caribe (a questão dos mísseis soviéticos em Cuba). Raramente um estadista fez mais do que tu naqueles dias; orgulho-me também de te ter seguido sem vacilar, identificando-me com a tua maneira de pensar, de ver e avaliar os perigos e os princípios.

Outras terras do mundo requerem os meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que te é vedado devido à tua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com um misto de alegria e dor. Deixo aqui as minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como um filho. Isso fere uma parte do meu espírito.

Carregarei para novas frentes de batalha a fé que me ensinaste, o espírito revolucionário do meu povo; a sensação de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja. Isso me consola e mais do que isso cura as feridas mais profundas.

Declaro uma vez mais que liberto Cuba de qualquer responsabilidade, a não ser aquela que provém do seu exemplo. Se chegar a minha hora debaixo de outros céus, o meu último pensamento será para o povo e especialmente para ti, a quem digo obrigado pelos teus ensinamentos e pelo teu exemplo, aos quais tentarei ser fiel até às últimas consequências dos meus atos; que estive sempre identificado com a política externa da nossa revolução e assim continuarei; que onde quer que me encontre sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano, e como tal atuarei.

Não lamento por nada deixar, nada material, para os meus filhos e para a minha mulher. Estou feliz que seja assim. Não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e se educarem.

Teria muitas coisas a dizer-te e ao nosso povo, mas sinto que não são necessárias palavras, elas não podem expressar o que eu desejaria; não vale a pena rabiscar apressadamente mais qualquer coisa num bloco de notas.

Hasta la victoria siempre ! Pátria o muerte!

Abraço-te com todo o meu fervor revolucionário.

Che

*

Zédejesusbarreto / out2017

Editorial -Campanhas no mundo virtual

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marca do JaAs campanhas no mundo virtual ou do mundo virtual, e aquelas que são somente do mundo virtual, que não saem das redes, que não ganham forma, que não se materializam, que não trazem resultado, não interessam ou não deviam interessar a sociedade. A sociedade que está cansada de adesões virtuais, de compromissos de internautas, que se interagem na rede, mas a realidade é um terreno desconhecido para muitos.

O mundo virtual é atraente, apaixonante, e nos rouba tempo enorme, nos torna consumistas de créditos, sinais de WI-FI, novos lançamentos de aparelhos celulares, tablets, entre tantas outras invenções e invencionices tecnológicas, e tudo isso faz com que esqueçamos da realidade, porque estarmos conectados a este mundo virou uma espécie de lei, de regra, ultrapassa até os limites da natureza humana. Se isso é bom ou não, somente a saúde mental da população vai revelar, porque dos efeitos atuais o que sabemos, é que muita gente sofre desse mal, e viver sem internet hoje, é como viver nu.

Mas na história cíclica até seria bom praticarmos esse “desapego” do mundo virtual, e começarmos a ficar “nus”, a nos despir da parafernália tecnológica; reviver momentos, ser saudosistas, nos desligar dessa modernidade que nos consome e igualmente nós a ela; ficarmos off por tempo indeterminado, e órfãos dessa super mãe chamada máquina, que na verdade está nos tornando máquinas também.

Existe vida fora da net? Claro que sim! A grande mídia publicitária que toma as redes sociais; dígitos, caracteres, status, série de selfies, entre outros modernismos virtuais, nos faz acreditar que tudo isso é futuro, é poder, é a forma de estar no meio, de chegar à frente, e como exemplo temos os bate-papos virtuais, conversas instantâneas, WhatsApp, e mais apps, e por aí vai. São tantos meios virtuais, que facilmente nos perdemos, e desconectados desse mundo, parece que nem existimos.

Somos muito mais ativistas virtuais, militantes de facebook, do que trabalhadores manuais. Somos do engajamento nas campanhas da net, nos mostramos mais humanos e solidários com aquilo que não vemos, que não existe de verdade para nós, e compartilhamos todos os dias entre grupos virtuais, uma série de campanhas e “correntes de zapp”, porque é mais confortável e não precisamos do contato físico, humano, real; de discussões e decepções; sentimentalismo, revanchismo, feminismo e machismo, e outros ismos cibernéticos.

O mundo virtual está cheio deles, nerds enlouquecidos e robotizados se multiplicam como bactérias, e as bibliotecas diminuem os livros de papel e aumentam os e-books, compartilham senhas de wi-fi, e assim globalizam a informação num piscar de olhos. E a tendência é o desaparecimento dos livros nas prateleiras das livrarias, bancas de revistas, e rodas de conversa (agora online). Será o fim?

Apenas um click e alguns dígitos, estamos nos tornando os homens-máquinas mais cultos, caridosos e solidários do mundo. E essa campanha só aumenta, porque o importante é compartilhar. Não importa a fonte, o que importa é a velocidade da informação. Somos um bando de “jornalistas” robotizados e idiotizados, e as notícias fakes nossa melhor/pior diversão.

Conectados ou não, a verdade é que o mundo virtual se tornou “real” demais para muitos, e a cada dia estamos ganhando em tecnologia e perdendo em qualidade de vida!

 

Por Paulo Carvalho