Espectro

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Espectro


EspectroFoi o abuso de Deus que me fez assim
Veja como Ele é sábio, e como manda
Os seus gêneros imutáveis imitá-lo,
E ainda se rebela sorrindo para mim!

Logo eu, um espectro insano e maldito,
Que de longas noites e largos dias
Me vejo apodrecido num lápide fria,
E mesmo enquanto vivo era só espírito!

Oh, Deus, imensurável seja Tua ira,
Sobre aquele corpo que tomaste como Teu,
Um cálice covarde, um vinho e uma lira,
E os sonhos torpes do Inferno ao Céu!

Como provaste Teu cálice era maior,
Que a dúvida do Teu filho diante do ateu!
E o sangue que da Cruz se transformou
Em um amor que Ele nunca recebeu.


*Paulo Carvalho - jornalista, poeta e escritor.

 

 

 

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