A incriminação do preconceito

Publicado em Artigos

Eduardo França

 

A palavra preconceito é formada pelo prefixo latino “pré” (anterioridade, antecedência) mais o substantivo “conceito” (opinião, reputação, julgamento, avaliação). O preconceito é, portanto, o conceito formado antes de se ter os conhecimentos necessários; é a opinião formada antecipadamente, sem maior ponderação.

Para analisar, O preconceituoso não é considerável um  “réu” para julgamento moral. O “erro” de apresentar um conceito até equivocado antes do fato conceituado não o faz o preconceituoso um criminoso (moral, social), mas sim, se o mesmo exercer a ação sobre seu equivoco, o que poderia tornar uma discriminação, intolerância (seja racial, étnica, sexual e afins) sobre temas polêmicos previsto na lei. Parece até uma pouquíssima diferença de quem pensa (preconceituoso) para o quem age (tornado um conceito até comprometedor), formando uma interligação na nossa condição, mas mesmo com essa aparência, há sim uma grande diferença. Toda construção (conceito) de fatos, em sua percepção partindo o agente ativo é limitada, e sendo limitada criam-se âmbitos de probabilidade (um preconceito) nas características. Não tem como definir por completo uma relação de indivíduos sem o equivoco, sendo esses positivos ou negativos, assim, somos todos nessa mesma parcela de preconceituosos.

Além disso, a pressão de "discriminar" (discriminar mesmo!), “injuriar”, “caluniar” um individuo por um preconceito ou até mais, omite a liberdade de um livre pensamento de analise do ser, sendo assim, uma arma psicológica. A forma de discriminação, intolerância e outros malefícios devem ser punidos como uma irresponsabilidade social. Porém, acusar um pré-conceito é definir um individuo como um todo sem a mínima prova da ação, também é um ciclo sem fim das acusações.

Você poderia estar vendo em evidência esta palavra. Preconceito é vista em discursos como malefícios a sociedades que até nos representa. Então, lógico até, que o individuo (qualquer) não age diferente dos seus pensamentos valorosos. Mas a diferença está na Palavra. Sim, a palavra preconceito está sendo difundida como discriminação e toda ofensa (parte para algo totalmente negativo), e não como um pré-julgamento conceituado. Quando eu (a força ativa) acuso você (força reativa) de ser um preconceituoso, estou lhe definindo em um todo como equivocado, e não seus outros conceitos já analisados, e assim você, num âmbito social, será totalmente “segregado” das opiniões, ou conceitos por esse motivo. É uma afirmação poderosa, pois criminaliza o “preconceituoso” pela ação negativa. Mas porque só vale para a ação negativa? 

O sociólogo e teórico crítico esloveno Slavoj Žižek, em um pequeno vídeo no Youtube, debate uma analise de que o “politicamente Correto É Uma Forma Mais Perigosa De Totalitarismo” por um portal da web chamado Big Think. Slavoj traz a tona que o politicamente correto do mundo pós-moderno (hoje) carrega um sentimentalismo nas palavras, assim mantendo uma zona de conforto inconfrontável no individuo. Seria a palavra “Preconceito”, carregada de sentimento em nossa sociedade? Torna-la parcial para subjugar o individuo como em nossa sociedade de alguma forma oprime o conceito questionador ou analítico dele?

Pois, as palavras preconceito e preconceituoso são voláteis para coisas boas (positivas) como as ruins (negativas), e de acordo com os valores sentimentais, pode gerar grandes proporções, como condenar a palavra. E o entrave da palavra vem em choque com outras, sendo assim qual a diferença do Preconceito para um conceito errado em nossas bocas?  

 

Por Eduardo França – estudante.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar