Mãe Libertária

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g e libertariosEu preciso te ouvir,

Mãe,

Sim, te ouvir!

Mais do que falar,

Mais do que gritar,

Criar lutas,

Bradar, poetizar,

Não,

Mãe,

A hora é de silenciar!

E te ouvir,

Te entender,

Te buscar,

Te criar

Mundos outros,

Em mim,

E sentir aquelas

Palavras,

Como buchas

De canhão,

E às vezes

Ou quase sempre

Palavras,

Suaves,

Leves

Como algodão.

Ouvir, mãe,

Até sentir

Teu silêncio

De reprovação,

Me libertando

Do que não quero,

Mas é preciso,

Como uma pátria,

Como Pátria-Mãe,

Que protege seu filho

Quando sim

E quando não!

Mãe,

Oh, mãe,

Liberta-me!

Liberta-me sim!

Mas deixa eu voar

Sozinho!

Tropeçar

Sozinho!

Chorar

Sozinho!

Lutar

Sozinho!

Morrer

Sozinho!?

Não, mãe,

Sei que isso

Não deixará,

Porque até

Seus passos

De rodas

Presos

Com rodas

Não me deixará

Partir só!

Me guiará

Até o infinito

Até os horizontes

Mais bonitos,

E mesmo sem ler,

E mesmo sem leitura,

Me ler, és minha cura!

Da anarquia

Materna

Até à Lua

Numa rua

Escura,

É terna

Sua loucura

E semelhante

A minha insanidade

Vamos pintando

Os dias de hoje

Os dias de antes

Os dias de depois,

Vamos pintando, mãe,

Um país de verdade!

Um BRASIL de verdade!

 

* Paulo Carvalho – jornalista e escritor

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