Resistência

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Não é porque eu não quero,

Que não podemos mudar.

Não, não é porque quero,

Que podemos!

O nosso país navega na lama,

Não mais nas espumas poéticas

De minha infância.

Meu país carece de alma,

Mais do que lutas,

Precisamos de amor!

Mas como resistir a essa dor?

A dor de ver bandeiras assassinas,

Onde a ideologia vale mais que a vida,

Onde os olhos se fecham

Para os enfermos indigentes,

Os viciados como zumbis,

Andam cegos sem saber aonde ir.

Como resistir a dor?

Quando estamos presos

E os bandidos livres,

E hoje quem é bandido?

E hoje quem é herói?

E por que precisamos deles?

Ah, como resistir dói!

E os discursos falsos,

Misturados a dólares e sangue,

Aquele sangue que eles não veem,

Porque não está em suas portas,

E sim, no chão, nas grades,

Nas paredes dos hospitais,

Onde a desonestidade

Que não sabemos mais de quem

Roubam-nos a paz

E mata todos os dias

Um filho de alguém!

Como resistir, como?

Se todos os dias a fome aperta,

E aquele gigante do planeta,

Não é mais da infância do poeta,

E como dói essa saudade!

 

Por Paulo Carvalho, jornalista, poeta e escritor.

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