@ Editorial: Resistir as Crises

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“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”.

Nelson Rodrigues

Logo jornal A Notícia do ValeParece que estamos numa crise moral e política profunda. Só parece, nada demais. O cinismo estampado na cara dos políticos e da classe empresarial privilegiada de nosso país nem é tanto, o roubo de milhões, bilhões... Bem, coisa pouca. Nossa crise é mais existencial, de identidade, de conhecimento. Sim, também e principalmente de conhecimento, de educação, cidadania, civilidade.

A ironia é necessária porque nosso país além de está atolado na mais completa lama, ainda tem de aguentar as lamúrias, ladainhas e tudo o mais que vem junto, e o pior, a tagarelice de uma mídia repetitiva que vai além dos fatos, que vai além da notícia, numa caçada inexplicável aos manifestantes, aos vândalos, aos viciados, aos “rebeldes sem causa”, que precisam ser internados, em hospitais ou cadeias, não importa, pois a verdade é que somos todos obrigados a engolir o que eles (os políticos) determinam, bem ou mal, continuamos sendo suas cobaias.

O governar deles não é o nosso governar, são conceitos diferentes dentro de um mesmo estado de anormalidade. Pedimos “Diretas Já” como saudosos anos 80; assistimos Brasília pegar fogo literalmente; exigimos o impeachment (13 protocolados) do atual presidente, por razões óbvias, e independente de “crime de responsabilidade” o vice usurpador, de um governo sem respaldo do voto popular, ilegítimo, golpista, tem tudo para continuar não dando certo. Gravações clandestinas, visitinhas na madrugada, “fanfarronices”, blá-blá-blá, mimimi... Quanta ingenuidade! Ingenuidade? Ora, só se for do povo, vítima de todas as armações políticas, de todos os partidos.

Maio de 2017 poderia até entrar no rol dos “fatos históricos”, diante de tantos acontecimentos políticos. Teve de tudo, da delação da JBS, (Temer acuado e 2milhões a Aécio) aos discursos falsos dos governistas, tentando defender o indefensável, e ainda o grito do “Não renunciarei!” proferido pelo presidente em rede nacional. Foi o mês que se poderia considerar como uma aula de história sem precisar de professor.

De Lula a Temer: depoimentos e delações; pré-comícios; a tal “força de expressão” do ex-presidente, argumentando as suas perigosas e impensadas declarações; a bomba JBS dos “irmãos cara-de-pau”, que mais parecem dupla caipira, “Os Batistas”; as benditas gravações com os tradicionais ruídos; o protagonismo dos peritos para provar o improvável; os advogados de porta de cadeia e a imbecilidade de juízes absolvendo canalhas e as primeiras damas da canalhice... E o país a cada dia no atoleiro da corrupção; da vagabundagem; da tirania; da desordem...

E não é por causa do vandalismo em Brasília, provocado por duas dezenas de infiltrados, que bem poderia ser “missa encomendada”, dentro de uma manifestação pacífica, que se justifica um decreto presidencial convocando as Forças Armadas, e justamente por ser equivocado e inconstitucional, foi revogado antes de 24 horas.

Brasília depredada? Segurança ao patrimônio público? Aos belos prédios e construções de Niemeyer? Proteção ao Congresso Nacional? Ao Planalto? Sim, porque a preocupação do presidente não era, não é, e nunca será com os servidores, com os trabalhadores, muito menos com o povo nas ruas, mas sim, com a ostentação e a cara de seu poder.

Ora senhores, Brasília é muito maior que isso, e o maior patrimônio do Brasil são os brasileiros! Não culpem a revolta daqueles que estão apenas completando a tarefa de vocês. Não estamos falando de espaço físico, nem de concreto, nem de ferro, estamos falando de condição humana e de uma situação já muito, insustentável.

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