@ Editorial: Da Paternidade ao Legado

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Logo jornal A Notícia do Vale“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.

Machado de Assis

Sociedade machista, paternalista, do “politicamente correto”, dos que se dizem “chefes de família”, entre outras inquietações familiares, isso nos faz pensar se estamos agindo dentro da lei, a favor dela, ou apenas sendo “produtos” desta lei que nos é imposta acima de qualquer juízo ou entendimento que façamos da mesma. E uma das piores ou melhores, e nós (sociedade/família) sabemos muito bem qual é, porque fugimos dela o quanto é possível: a obrigação, que por si só já é uma LEI. Não caiam na armadilha do “fazes o que tu queres, pois é tudo da lei”, isso é apenas uma canção.   

Como é previsível um pai (genitor) ser acionado pela Justiça para reconhecimento de uma paternidade, e ainda pior, ser pressionado, ameaçado com detenção, caso não cumpra com suas responsabilidades, que, numa visão mais humana e de afeto, independente de sangue ou não, a via mais natural seria por vontade própria por amor aos seus.

E porque isso (vontade própria) não acontece, uma simples pensão alimentícia vai parar nos tribunais de Justiça, e o sujeito é preso, mesmo alegando não ter condições de pagar aquele percentual ridículo. Ainda bem que a Justiça é firme neste assunto, pelo menos neste caso, já que em tantos outros é lenta e incapaz. Mas, se fosse só isso, estaria à família, ou melhor, o futuro dessas famílias, a salvo? Claro que não, e apesar da dolorida separação de casais ainda com filhos pequenos, essa batalha na Justiça apenas abre um caminho para uma discussão maior. Por que é preciso que a Justiça diga o que um pai tem que fazer?

Nestes tempos obscuros, onde cada um tenta “salvar a sua pele”, e onde a palavra felicidade se confunde com a palavra direito, onde o certo é visto como vilão e o errado como vítima, e em consequência disso, pagamos caro pelas nossas escolhas, seria o amor - o mais nobre dos sentimentos - ou a falta dele, a resposta? Sim, seria a resposta para que a Justiça ou o Estado de Direito não obrigue o cidadão a fazer o que deveria ser de sua natureza, ser espontâneo. Mas não basta somente o amor; nós vivemos num país escrito por leis, e embora muitas delas não passem de um amontoado de papéis, ainda devemos respeito e obediência civil, o que na nossa avaliação também deveria ser uma escolha, (a obediência civil).

“Liberdade e Responsabilidade”, isso sim, todos deveriam ter além do amor, o que não nos faz ser bons ou maus. Praticar o bem não deveria ser uma escolha, mas uma obrigação. Às vezes só o AMOR não basta, porque essa palavra por si só é cheia de contradições, e nos permite várias leituras e distorções. Alguém justificaria dizendo: “mas o amor não é uma palavra, e sim um sentimento”. Bem poético, mas utópico para uma realidade dura onde só amar não basta. Não me atreveria a explicar sobre o amor, porque de fato é “inexplicável”, mas me atrevo a afirmar, que AMOR sem ATITUDE mata qualquer sentimento agregado, e aí estão incluídos: respeito, admiração, orgulho, entre outros que vão além de sentimentos, e não importa o parentesco, nem a identidade social, pois existem laços maiores que o sangue, e isso é da natureza de cada um.

É esse legado que devemos deixar para os nossos filhos, não só o bom exemplo, (que vem carregado principalmente de responsabilidades), mas o exemplo de amor!

           

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