Livro X Lixo

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Jovens promovem troca de lixo por livros em Caxias do Sul Ricardo ...Uma matéria sobre lixo trocado por livros, chamou-me muito a atenção, há tempos. Trata-se do Projeto Livro Livre, implantado nas escolas de primeiro grau de Jaraguá do Sul, e que já foi realizado em Blumenau e Gaspar. Um projecto que pode e deve ser levado a muitas cidades pelo Brasil. Envolve várias entidades e o projeto é uma ação educativa no sentido de proporcionar aos estudantes a aquisição de pelo menos um livro por mês, sem nenhum custo para o aluno, para a escola, nem para a prefeitura, auxiliando os professores na missão de incutir o gosto pela leitura nos leitores em formação. Para ganhar o livro, a cada mês os alunos deviam levar à escola pelo menos um quilo de lixo reciclável, que seria comprado por uma empresa previamente contratada para a reciclagem.

O livro entregue aos estudantes, por sua vez – e foram entregues cerca de cem mil livros – constituíram quatro coleções, pensadas conforme a idade dos leitores: aos estudantes do 1º ao 3º ano, as publicações continham rimas e poesias; 4º e 5º ano, fábulas; 6º e 7º ano, artes; e para os alunos do 8º e 9º ano, histórias de suspense, amor e aventura .
As coleções são de autores diversos, catarinenses, mas das região de Blumenau. Infelizmente não há autores do norte do Estado, pois o projeto já veio pronto para Jaraguá.
O patrocínio de grande empresa da cidade, muito oportuno, pagou a impressão dos cem mil livros que foram entregues aos alunos, publicados pela Editora Todo Livro.
Uma ótima iniciativa para a educação da cidade, que entregou aos estudantes de primeiro grau milhares de livros, incutindo o hábito da leitura, coisa tão difícil de se conseguir, nos últimos tempos, pela falta de condições de se comprar livros, até pelas escolas, que têm suas bibliotecas relegadas a segundo plano, pois o Estado e muitos municípios não previam a contratação de bibliotecários. Será que isso mudou atualmente?
Os estudantes recebem os livros em troca de lixo, proporcionando alguma renda para as Associações de Pais e Mestres das escolas, que usaram o dinheiro para melhoria em cada estabelecimento, até na compra de mais livros para as bibliotecas escolares.
Bom negócio para todos: para a editora que edita os livros, que publica grandes edições com destino certo e retorno garantido, pois o patrocínio paga a conta. Para os estudantes, que têm leitura garantida de vários livros, gratuitamente, apenas com o compromisso ecológico de coletar lixo reciclável e para a escola, que têm alunos que leem vários livros durante todo o ano.
Que o projeto seja multiplicado hoje, amanhã, sempre, em todos os estados brasileiros. E que mais autores da região onde o prejeto for implantado sejam publicados pelas coleções destinadas aos estudantes.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Igreja X Sociedade

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Igreja X Sociedade

        Campanha da Fraternidade 2015 Todos os anos a igreja católica traz para a conscientização da população brasileira, principalmente os seguidores de sua doutrina, temas da Campanha da Fraternidade, cujos lemas têm como objetivo envolver o povo católico e as instituições sociais vinculadas ou não a igreja e a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, para uma reflexão e prática do bem. É sempre um chamado à comunhão, à fraternidade, num período de penitência, (Quaresma) culminando com a Páscoa.

         Objetivos claros, motivos nobres, causas importantes. Mas será mesmo que a igreja católica está andando de mãos dadas com a sociedade e a sociedade está se comportando da mesma forma? É preciso aprofundar mais a reflexão dos temas da CF sobre todos os aspectos, inclusive políticos, pois vivemos numa sociedade onde o nosso papel de cidadão depende muito de nossa condição e conscientização política, pois não dá pra se pensar em mudanças sociais somente através da fé. Desconectar nossas aspirações políticas das ciências sociais e da religião é o mesmo que tentar dirigir um “barco sem vela”.

         Como este ano a CNBB traz como tema da CF “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e como lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45), se percebe claramente que o conteúdo é político, não tem como não ser. A reflexão pode até ser “humana”, desenvolvida através da caridade, da fé, e dos preceitos católicos, mas não distante disso deve está a nossa postura política, como eleitores e como eleitos. A representação de uma sociedade através do voto nos faz “servidores” desse chamado da igreja, e não podemos deixar que apenas os fiéis católicos assumam esse compromisso do serviço humanitário, do serviço aos “nossos iguais”.

A reflexão pode e deve ser abrangente a todos os setores de nossa sociedade, principalmente o setor político, o fio condutor de todas as mazelas sociais e a resposta aos nossos anseios, enquanto donos dos mandatos de nossos representantes; ignorar essa questão é anular o nosso direito de sermos representados dignamente nas decisões políticas de nossa nação. É preciso sim, participar ativamente da CF mais como cidadãos do que como fiéis católicos. Porque não adianta somente pregar o “Caminho, a Verdade e a Vida”, como uma abstração, é preciso trilhar esse Caminho, praticar essa Verdade, e viver essa Vida.

O evangelho da igreja católica é cheio de “verdades”, mas é só doutrinário; a CF que seria a prática dessa verdade, a fé concreta, é planejada para durar apenas 40 dias, enquanto durar a tal “penitência”, e continua a campanha ao longo do ano, não mais com tanta “verdade”, e é sempre a mesma coisa todos os anos, as ações concretas são transformadas pela fé, pelo amor e pela salvação de um mundo criado pelos “profetas da atualidade”, movidos por o único bem que Deus desprezou: o dinheiro. A igreja deixa de ser referência para um mundo melhor, mais humano, mais igualitário e mais fraterno, para se transformar em mais uma instituição capitalista, onde o tal lema da CF “Eu vim para servir” é um chamado somente para os cristãos, principalmente aqueles cristãos humildes e despolitizados, que não conhecem seus direitos, e são alimentados somente pela fé. É voltado para eles o lema dessa campanha.  

E se algum “iluminado” pensa que esse lema é para o serviço aos mais pobres, engana-se, é sim para os pobres, mas para que os pobres possam cumprir esse serviço. Aqueles pobres de chinela remendada, de pouca roupa e suja, com um crucifixo de cordão velho e de madeira ao pescoço, mãos calejadas, corpo surrado, banguelas, mas com o coração cheio de amor e simplicidade, servindo a igreja e sua opulência, doando seus últimos trocados, e se doando, em nome de uma “salvação”, que acreditam existir porque o padre falou. Isso é cruel, é desumano, mas é o que a doutrina nos ensina, e é o que a instituição religiosa nos manda fazer.

Pense: Igreja e Sociedade nunca andaram juntas, muito menos na hora de praticar o que diz o tão poético lema: “Eu vim para servir”. Mas, servir a quem?

 

Por Paulo Carvalho

Para o governo

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Para o governo, resolver crises é trabalho divino

 

Após anos de subsídios ao consumo de energia elétrica, que curiosamente beneficiam a manufatura com aplicação intensiva de capital, o governo decidiu que em 2015 as contas de energia elétrica no Brasil vão encarecer em 30%. De fato, 30% é a projeção otimista do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga. É provável que os reajustes cheguem a 40% em média, mas o ministro, como de praxe na administração dilmista, prefere navegar por bravatas até que a realidade torne a narrativa do governo insustentável.

 

Já foram feitos novos acréscimos à conta de luz dos brasileiros, na forma das “bandeiras”, que representam os custos extras da geração de energia para cada região. Grandes nacos do território brasileiro estão agora sob a bandeira “vermelha”, que informa que a geração de energia na região é suplementada por termelétricas cujo custo de operação é mais alto.

 

Além do aumento, os brasileiros também convivem agora com frequentes apagões, rotineiros já em janeiro de 2015. É como se tivéssemos voltado no tempo para 2001, quando por uma hora todos os dias a energia era cortada. Em 2005, Lula afirmava, em mais um de seus discursos megalomaníacos recheados de “nunca antes na história deste país”, que “nunca mais” ocorreriam apagões no Brasil. Ele não teve clarividência suficiente nem para terminar seu governo sem apagões. Em 2007, dois estados ficaram no escuro. Em 2009 quase todo o Brasil ficou sem energia e Lula respondia que as novas faltas de luz só dependiam “de Deus”. Desde então, Deus aparentemente ordenou vários apagões todos os anos no país.

 

Em 2015, os petistas ainda depositam todas as suas fichas na benevolência divina, que tem que fazer chover para que as hidrelétricas possam gerar energia para o povo. Não é surpreendente para um governo cujo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação acredita que o aquecimento global é uma ferramenta de controle dos países pobres pelo imperialismo. Para o governo atual, qualquer intervenção do homem na natureza parece ser misteriosa e imprevisível em suas consequências.

 

À crise de geração de energia se soma também a crise do abastecimento de água. A seca em São Paulo já leva ao racionamento. Outra coisa curiosa é que 70% da água fornecida pelos reservatórios que minguam vai direto para o consumo do altamente subsidiado agronegócio brasileiro. E 22% vai para o altamente subsidiado parque industrial paulista. Os 8% restantes são consumidos pelas residências, sempre forçadas a fazer os maiores cortes em consumo.

 

Os subsídios ao agronegócio ainda têm efeito indireto sobre o fornecimento de água. O cultivo de áreas do cerrado, que necessitam de uso intensivo de água, e a apropriação de terras na Amazônia, limitando a evapotranspiração das árvores, também influenciam na estiagem paulista. Evidentemente, os petistas, cuja aliança com os ruralistas está selada pela presença de Kátia Abreu no Ministério da Agricultura, não pretendem fazer nada quanto ao problema.

 

O que mais impressiona no discurso das diversas esferas de governo é que, neles, a natureza parece ser indomável e imprevisível. Qualquer medida que envolva projeções futuras é completamente absurda e inviável para o governo — que, evidentemente, funciona em ciclos de 4 em 4 anos e qualquer medida tomada só é capaz de solucionar os problemas até o fim do mandato. Se falta água para as hidrelétricas, nada se pode fazer a não ser rezar para que as chuvas restaurem os níveis das barragens. Se falta água potável, somente a natureza pode reabastecer os reservatórios. Como uma tribo para quem qualquer influência humana sobre o clima é anátema, a única solução proposta pelo governo é sempre um apelo à sorte e à graça divina.

 

Os políticos brasileiros devem ter cuidado, porém. A graça divina periodicamente atende os chamados de chuva. E com a dádiva das chuvas, periodicamente as cidades brasileiras são inundadas e centenas de pessoas morrem e ficam desabrigadas. Embora isso ocorra anualmente, sem falta, para o governo as enchentes são imprevisíveis. O jeito, é claro, é rezar por chuvas. Mas não tantas.

 

Erick Vasconcelos é jornalista e editor do Centro por uma Sociedade Sem Estado (c4ss.org)

 

FHC na Petrobras

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Os dez estragos de FHC na Petrobras

 

 

Para refrescar a memória do senador Sérgio Guerra (PE) e demais entusiastas da CPI da Petrobrás, o presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras), Fernando Leite Siqueira, selecionou dez estragos produzidos pelo Governo FHC no Sistema Petrobrás, que seguem:

 

1993 - Como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás previsto para o ano de 1994, sem nenhuma fundamentação ou justificativa técnica. Ele teria inviabilizado a empresa se não tivesse estourado o escândalo do orçamento, envolvendo vários parlamentares apelidados de `anões do orçamento`, no Congresso Nacional, assunto que desviou a atenção do País, fazendo com que se esquecessem da Petrobrás. Todavia, isto causou um atraso de cerca de 6 meses na programação da empresa, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever e repriorizar os projetos integrantes daquele orçamento;

 

1994 - Ainda como ministro da Fazenda, com a ajuda do diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, manipulou a estrutura de preços dos derivados do petróleo, de forma que, nos 6 últimos meses que antecederam o Plano Real, a Petrobrás teve aumentos mensais na sua parcela dos combustíveis em valores 8% abaixo da inflação. Por outro lado, o cartel internacional das distribuidoras derivados teve aumentos de 32%, acima da inflação, nas suas parcelas. Isto significou uma transferência anual, permanente, de cerca de US$ 3 bilhões do faturamento da Petrobrás, para o cartel dessas distribuidoras.

A forma de fazer isto foi através dos 2 aumentos mensais que eram concedidos aos derivados, pelo fato de a Petrobrás comprar o petróleo em dólares, no exterior, e vender no mercado em moeda nacional. Havia uma inflação alta e uma desvalorização diária da nossa moeda. Os dois aumentos repunham parte das perdas que a Petrobrás sofria devido a essa desvalorização.

 

Mais incrível: a Petrobrás vendia os derivados para o cartel e este, além de pagá-la só 30 a 50 dias depois, ainda aplicava esses valores e o valor dos tributos retidos para posterior repasse ao tesouro no mercado financeiro, obtendo daí vultosos ganhos financeiros em face da inflação galopante então presente. Quando o plano Real começou a ser implantado com o objetivo de acabar com a inflação, o cartel reivindicou uma parcela maior nos aumentos porque iria perder aquele duplo e absurdo lucro.

 

1995 - Em fevereiro, já como presidente, FHC proibiu a ida de funcionários de estatais ao Congresso Nacional para prestar informações aos parlamentares e ajudá-los a exercer seus mandatos com respaldo de informações corretas. Assim, os parlamentares ficaram reféns das manipulações da imprensa comprometida. As informações dadas aos parlamentares no governo de Itamar Franco, como dito acima, tinham impedido a revisão com um claro viés neoliberal da Constituição Federal.

 

Emitiu um decreto, 1403/95 que instituía um órgão de inteligência, o SIAL, Serviço de Informação e apoio Legislativo, com o objetivo de espionar os funcionários de estatais que fossem a Brasília falar com parlamentares. Se descobertos, seriam demitidos.

 

Assim, tendo tempo para me aposentar, solicitei a aposentadoria e fui para Brasília por conta da Associação. Tendo recursos bem menores que a Petrobrás (que, no governo Itamar Franco enviava 15 empregados semanalmente ao Congresso), eu só podia levar mais um aposentado para ajudar no contato com os parlamentares. Um dos nossos dirigentes, Argemiro Pertence, mudou-se para Brasília, às suas expensas, para ajudar nesse trabalho;

 

Também em 1995, FHC deflagrou o contrato e a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, que foi o pior contrato que a Petrobrás assinou em sua história. FHC, como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, funcionou como lobista em favor do gasoduto. Como presidente, suspendeu 15 projetos de hidrelétricas em diversas fases, para tornar o gasoduto irreversível. Este fato, mais tarde, acarretaria o `apagão` no setor elétrico brasileiro.

 

As empresas estrangeiras, comandadas pela Enron e Repsol, donas das reservas de gás naquele país só tinham como mercado o Brasil. Mas a construção do gasoduto era economicamente inviável. A taxa de retorno era de 10% ao ano, enquanto o custo financeiro era de 12% ao ano. Por isto pressionaram o Governo a determinar que Petrobrás assumisse a construção. A empresa foi obrigada a destinar recursos da Bacia de Campos, onde a Taxa de Retorno era de 80%, para investir nesse empreendimento. O contrato foi ruim para o Brasil pelas seguintes razões: mudança da matriz energética para pior, mais suja, ficar dependente de insumo externo dominado por corporações internacionais, com o preço atrelado ao do petróleo e valorada em moeda forte; foi ruim para a Bolívia que só recebia 18% pela entrega de uma de suas últimas riquezas, a mais significativa. Evo Morales elevou essa participação para 80% (a média mundial de participação dos países exportadores é de 84%) e todas as empresas aceitaram de bom grado. E foi péssimo para a Petrobrás que, além de tudo, foi obrigada a assinar uma cláusula de `Take or Pay`, ou seja, comprando ou não a quantidade contratada, ela pagaria por ela. Assim, por mais de 10 anos, pagou por cerca de 10 milhões de metros cúbicos sem conseguir vender o gás no mercado nacional.

 

Em 1995, o governo, faltando com o compromisso assinado com a categoria, levou os petroleiros à greve, com o firme propósito de fragilizar o sindicalismo brasileiro e a sua resistência às privatizações que pretendia fazer. Havia sido assinado um acordo de aumento de salário de 13%, que foi cancelado sob a alegação de que o presidente da Petrobrás não o havia assinado. Mas o acordo foi assinado pelo então Ministro das Minas e Energia, Delcídio Amaral, pelo representante do presidente da Petrobrás e pelo Ministro da Fazenda, Ciro Gomes.

 

Além disto, o acordo foi assinado a partir de uma proposta apresentada pelo presidente da Petrobrás. Enfim, foi deflagrada a greve, após muita provocação, inclusive do Ministro do TST, Almir Pazzianoto, que disse que os petroleiros estavam sendo feitos de palhaços. FHC reprimiu a greve fortemente, com tropas do exercito nas refinarias, para acirrar os ânimos. Mas deixou as distribuidoras multinacionais de gás e combustíveis sonegarem os produtos, pondo a culpa da escassez deles nos petroleiros. No fim, elas levaram 28% de aumento, enquanto os petroleiros perderam até o aumento de 13% já pactuado e assinado.

 

Durante a greve, uma viatura da Rede Globo de Televisão foi apreendida nas proximidades de uma refinaria, com explosivos. Provavelmente, pretendendo uma ação sabotagem que objetivava incriminar os petroleiros. No balanço final da greve, que durou mais de 30 dias, o TST estabeleceu uma multa pesada que inviabilizou a luta dos sindicatos. Por ser o segundo maior e mais forte sindicato de trabalhadores brasileiros, esse desfecho arrasador inibiu todos os demais sindicatos do país a lutar por seus direitos. E muito menos por qualquer causa em defesa da Soberania Nacional. Era a estratégia de Fernando Henrique para obter caminho livre e sangrar gravemente o patrimônio brasileiro.

 

1995 – O mesmo Fernando Henrique comandou o processo de mudança constitucional para efetivar cinco alterações profundas na Constituição Federal de 1988, na sua Ordem Econômica, incluindo a quebra do monopólio Estatal do Petróleo, através de pressões, liberação de emendas dos parlamentares, barganhas e chantagens com os parlamentares (o começo do `mensalão` – compra de votos de parlamentares com dinheiro desviado do erário público). Manteve o presidente da Petrobrás, Joel Rennó que, no governo Itamar Franco, chegou a fazer carta ao Congresso Nacional defendendo a manutenção do monopólio estatal do petróleo, mas que, no governo FHC, passou a defensor empedernido da sua quebra.

 

AS CINCO MUDANÇAS CONSTITUCIONAIS PROMOVIDAS POR FHC:

 

1) Mudou o conceito de empresa nacional. A Constituição de 1988 havia estabelecido uma distinção entre empresa brasileira de capital nacional e empresa brasileira de capital estrangeiro. As empresas de capital estrangeiro só poderiam explorar o subsolo brasileiro (minérios) com até 49% das ações das companhias mineradoras. A mudança enquadrou todas as empresas como brasileiras. A partir dessa mudança, as estrangeiras passaram a poder possuir 100% das ações. Ou seja, foi escancarado o subsolo brasileiro para as multinacionais, muito mais poderosas financeiramente do que as empresas nacionais. A Companhia Brasileira de Recursos Minerais havia estimado o patrimônio de minérios estratégicos brasileiros em US$ 13 trilhões. Apenas a companhia Vale do Rio Doce detinha direitos minerários de US$ 3 trilhões. FHC vendeu essa companhia por um valor inferior a que um milésimo do valor real estimado.

 

2) Quebrou o monopólio da navegação de cabotagem, permitindo que navios estrangeiros navegassem pelos rios brasileiros, transportando os minérios sem qualquer controle;

 

3) Quebrou o monopólio das telecomunicações, para privatizar a Telebrás por um preço abaixo da metade do que havia gastado na sua melhoria nos últimos 3 anos, ao prepará-la para ser desnacionalizada. Recebeu pagamento em títulos podres e privatizou um sistema estratégico de transmissão de informações. Desmontou o Centro de Pesquisas da empresa e abortou vários projetos estratégicos em andamento como capacitor ótico, fibra ótica e TV digital;

 

4) Quebrou o monopólio do gás canalizado e entregou a distribuição a empresas estrangeiras. Um exemplo é a estratégica Companhia de Gás de São Paulo, a COMGÁS, que foi vendida a preço vil para a British Gas e para a Shell. Não deixou a Petrobrás participar do leilão através da sua empresa distribuidora. Mais tarde, abriu parte do gasoduto Bolívia-Brasil para essa empresa e para a Enron, com ambas pagando menos da metade da tarifa paga pela Petrobrás, uma tarifa baseada na construção do Gasoduto, enquanto que as outras pagam uma tarifa baseada na taxa de ampliação.

 

5) Quebrou o Monopólio Estatal do Petróleo, através de uma emenda à Constituição de 1988, retirando o parágrafo primeiro, elaborado pelo diretor da AEPET, Guaracy Correa Porto, que estudava direito e contou com a ajuda de seus professores na elaboração. O parágrafo extinto era um salvaguarda que impedia que o governo cedesse o petróleo como garantia da dívida externa do Brasil. FHC substituiu esse parágrafo por outro, permitindo que as atividades de exploração, produção, transporte, refino e importação fossem feitas por empresas estatais ou privadas. Ou seja, o monopólio poderia ser executado por várias empresas, mormente pelo cartel internacional;

 

1996 - Fernando Henrique enviou o Projeto de Lei que, sob as mesmas manobras citadas, se transformou na Lei 9478/97. Esta Lei contem artigos conflitantes entre si e com a Constituição Brasileira. Os artigos 3º, 4º e 21, seguindo a Constituição, estabelecem que as jazidas de petróleo e o produto da sua lavra, em todo o território Nacional (parte terrestre e marítima, incluído o mar territorial de 200 milhas e a zona economicamente exclusiva) pertencem à União Federal. Ocorre que, pelo seu artigo 26 -- fruto da atuação do lobbysobre uma brecha deixada pelo Projeto de Lei de FHC -- efetivou a quebra do Monopólio, ferindo os artigos acima citados, além do artigo 177 da Constituição Federal que, embora alterada, manteve o monopólio da União sobre o petróleo. Esse artigo 26 confere a propriedade do petróleo a quem o produzir.

 

(*) Artigo de Fernando Leite Siqueira, publicado no site da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET)

 

Livros para se ler sempre

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Estou lendo um romance – ótimo romance – e um dos personagens, apaixonado por literatura, leitor inveterado, faz uma afirmação que me chama muito a atenção: “Uma obra literária deve ser lida uma única vez”.

 

Não sei se a opinião é também do autor, mas respeito a opinião do personagem. O que não quer dizer que não tenho cá minhas convicções. Como já mencionei em uma crônica recente sobre estantes para livros, há muito livro que, realmente, basta ser lido uma vez. Depois de lido não há porque guardá-lo, temos mais é que passá-lo adiante – doar, emprestar, presentear - para que outros leitores possam apreciá-lo, talvez mais do que nós, até.

 

Mas há livros grandiosos, verdadeiras obras-primas que precisamos manter por perto, para que possamos voltar a eles, pois a cada nova leitura, a cada nova recriação, nos revelam novas descobertas. E não me refiro apenas a livros de poesia. Há romances, livros de contos e de crônicas, livros até de outros gêneros, os quais dão prazer de se ler de novo, possibilitam-nos recriá-los de uma maneira nova, descobrindo novos detalhes e novas nuances que enriquecem ainda mais a qualidade do texto, da trama, de tudo.