Livreiros e Bibliotecários

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João Baptista HerkenhoffNão será por falta de datas comemorativas que         o livro será esquecido. Quatro lhe são dedicadas: 2 de abril, Dia Mundial do Livro Infanto-Juvenil; 18 de abril, Dia Nacional do Livro Infantil; 23 de abril, Dia Mundial do Livro; 29 de outubro, Dia Nacional do Livro.
Além disso, dois profissionais que levam os livros às mãos dos leitores são lembrados em datas específicas: 12 de março, Dia do Bibliotecário; 14 de março, Dia do Livreiro.
          Devo a uma bibliotecária grande parte do amor que adquiri pelos livros. Era a responsável pela Biblioteca Municipal de Cachoeiro de Itapemirim. Transmitia aos frequentadores o gosto que ela própria tinha pela leitura. 
          Dona Telma, a bibliotecária de minha infância, faleceu subitamente, junto a seus filhos, na Praia de Piúma. Hoje está em outras paragens, cercada de livros azuis.
          Assisti certa vez a uma entrevista do Ziraldo, na televisão, a respeito do livro. Ziraldo dizia que o livro nunca será substituído. Não há avanço da informática que o torne dispensável porque o livro tem mistério, um especial poder de comunicação.
          O livro tem alma.  Acho que foi isso que Ziraldo quis dizer. Uma coisa é ler um livro na internet. Outra coisa é ler um livro impresso da forma tradicional. Há livros que leio, e releio, e releio. Tenho a sensação de estar conversando com o autor. Escrevo notas à margem das páginas e nessas notas registro impressões: concordo; discordo; magnífico; esse Rubem Braga é mesmo um cachoeirense do barulho; esse Papa Francisco vai virar o mundo pelo avesso.
          Neste final de página registro um fato ocorrido com Nestor Cinelli, o maior livreiro que o Espírito Santo teve em toda a sua história.
          Entrou Cinelli numa livraria do Rio de Janeiro e ficou a manusear os volumes que estavam na prateleira. Uma determinada obra despertou seu especial interesse. Viu o preço anotado a lápis. Não dava para comprar. Nisto um senhor que parecia ser o gerente, indagou:
“Por que você recolocou na prateleira aquele livro que você estava lendo?”
 “Deixei onde estava, senhor. Meu dinheiro não é suficiente.”
“Deixe-me ver essas notas que você contou e recontou. Veja só. Contou errado. Esse dinheiro basta. Vá lá e pegue o livro.”
“Senhor, já que vai me vender o livro por menos da metade do preço peço-lhe que o autografe. Nunca tive um livro autografado por um livreiro.”
          E o livreiro então lançou o autógrafo:
“A este menino curioso, que será um grande escritor, ou um grande livreiro, com um abraço do Monteiro Lobato.”
 

João Baptista Herkenhoff

Lei do feminicídio é inconstitucional

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Pedro Cardoso Nossa sociedade vive de onda. Quando foi aprovada a Lei Maria da Penha começou uma daquelas ondas de onde apareciam especialistas de tudo a dizer os pontos positivos, as mudanças, a evolução.

À época apontei vários pontos que tornavam a lei específica mais branda do que os dispositivos do Código Penal. Poucos anos depois, comprovou-se que nada mudou e que a violência contra a mulher cresceu e a matança continua. Isso foi comprovado por um estudo do IPEA chamado “Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil”, de 2011, mostra que, apenas em 2007, logo  no início da vigência da lei, houve uma leve redução nos crimes contra a mulher.

Uma das medidas mais enaltecidas naquela lei era a possibilidade de afastamento do agressor, as chamadas medidas protetivas. A Justiça define um espaço determinado que não pode ser ultrapassado pelo agressor. Todo dia a televisão mostra assassinatos de mulheres protegidas por essa medida.

Não precisa ser muito inteligente para saber que não basta um magistrado dizer que a pessoa está impedida de se aproximar da outra. Se não houver outros instrumentos eficazes de proteção. Por exemplo, as prefeituras e os estados poderiam construir casas, colônias, albergues para acolhimento de mulheres em risco iminente, pelo prazo que ela julgar necessário para sua segurança. Até que outras circunstâncias surjam que afastem o risco.

Esses abrigos teriam que ter segurança 24 horas para dificultar a possibilidade de invasões por parte dos agressores.

Essa lei do feminicídio exagera no simplismo e na perspectiva de combater a violência apenas no papel. Já disseram - e é verdade - que papel aceita tudo.

Não se descobriu uma maneira de ressuscitar alguém pelo tipo de morte ou dependendo de quem foi o autor do assassinato. Não existe diferença para quem vai morrer se o assassino é parente, companheiro, amante ou desconhecido.

Tornar hediondo o assassinato apenas pelo parentesco da vítima com o assassino ou pelo gênero dissemina-se a ideia de que existe assassinato simples, e todos são hediondos.

Suponha-se que hoje um homem sofra uma tentativa de homicídio por seu companheiro, aí se inicia o processo contra ele. Dois meses depois a vítima faz uma cirurgia de mudança de sexo e sofre nova tentativa de homicídio nas mesmas circunstâncias e pelas mesmas razões. O mesmo agente, o mesmo crime e as mesmas razões, mas penas diferentes. Claro que viola o Princípio Constitucional da Igualdade.

Salvo para proteger a própria vida ou a de outra pessoa, quem se dispuser a matar alguém, intrinsecamente estaria abrindo mão da própria vida ou da sua liberdade de ir e vir eternamente. Nos países em que a vida de uma pessoa não tiver essa correspondência de valor não haverá freio no número de assassinatos. Por ser um bem único e irremediável se perdido, a vida tem que ter valor por igual para todos.

 

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

Bacharel em direito

Música Brasileira mais pobre. Morre Sanfoneiro Severo

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SEVERO 2Existe uma passagem no Fausto de Goethe que diz: O Sentimento é Tudo". Foi com este sentido que recebi a notícia do desaparecimento físico de João Severo da Silva. 

O Sanfoneiro Severo nascido em Sapé, Paraíba, filho de Severino Severo da Silva, sanfoneiro de 8 baixos. Severo aos 8 anos começou a tocar o pé de bode. Aos 10 anos já se apresentava em festas de familiares e amigos. 

O conheci em Campina Grande,Paraíba numa visita o amigo também sanfoneiro Severino Medeiros. Naquele dia ouvi falar de sua trajetória amiga e parceiros, especialmente, de Jackson do Pandeiro.

Agora estou a escutar o CD na voz de Elba Ramalho quando, no início dos anos 80, a cantora despontava com  "Toque de Fole" em que Elba diz: "Severo...puxa a concertina". 

Severo participou de inúmeras gravações e shows como arranjador e instrumentista, acompanhando grandes nomes da música brasileira, a exemplo de Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Fagner, Fafá de Belém, Chico Buarque, Zé Ramalho e Luiz Gonzaga. 

Em 1979 participou do disco "A pejeja do diabo contra o dono do céu", de Zé Ramalho, tocando acordeom na faixa título. Em 1980 participou do disco "Coração bobo", de Alceu Valença, no qual tocou sanfona nas faixas "Como se eu fosse um faquir", "Coração bobo" e "Vem morena".

O sanfoneiro também tocou no famoso The Rhythm of the Saints, lançado pelo cantor Paul Simon em 1990.

Severo chegou a lançar 11 discos, entre eles ‘No Forró Eu e Ela’ (1986) e ‘Machucando Gostosinho’ (1987), ambos pela extinta EMI, e ‘Forró Rasgado’ (2000), da Atração Fonográfica. Também deixa mais de 180 composições com diversos parceiros entres eles Jackoson do Pandeiro, Alceu Valença, Carlos Fernando.

Desde 1961 morava no  Rio de Janeiro onde passou a tocar na Feira de São Cristóvão. Em 1969 começou a tocar com Jackson do Pandeiro, acompanhando em shows e gravações. Com ele permaneceu 16 anos, até seu último show, em Brasilia

Em 1982 e 1983 apresentou-se no Festival de Montreux-França considerado um dos melhores músicos do evento. Também  se apresentou na Itália, Israel, Portugal, França, Japão e China.
 
 
*Ney Vital-Jornalista

Água, nosso bem maior

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ÁGUA, NOSSO BEM MAIOR

Escritor LuizNo Dia Mundial da Água, não podemos comemorar nada. Nem a qualidade da nossa água, nem a quantidade de água disponível, nem a preservação desse líquido precioso por parte do ser humano.

Como já disse em outras oportunidades, estamos cuidando muito mal do nosso planeta, do nosso meio-ambiente, do lugar em que vivemos. Estamos cuidando muito pouco ou quase nada da nossa água, nem diria só da água doce.

A água é vida, para nós, seres humanos. Se não houver água, nós não existiremos. E nós insistimos em poluir os rios e o mar, jogando lixo, desaguando esgoto, envenenando a nossa água.

Quando vamos aprender? Quando for tarde demais? Já não chega os tantos rios mortos que cortam as nossas cidades, alguns até escondidos em galerias, pois o ser humano sente vergonha pelo que fez com eles? Mas não se emenda. Com o descontrole do clima, causado pela nossa falta de cuidado com o meio ambiente, os reservatórios de água estão secando, como em São Paulo, por exemplo. A maior cidade do Brasil corre o risco de ficar completamente sem água, se não chover mais nos lugares certos. E olha que tem chovido muito, nos últimos tempos, naquele Estado. Aliás, seria irónico, se não fosse trágico: água potável acabando na torneira e, apesar do calor escaldante, ou até por causa dele, chuvas torrenciais provocando enchentes e deslizamentos, tanto em São Paulo como em outros estados, como o Acre, como Santa Catarina, etc.

A propósito, a água de nossos rios está tão poluída que o tratamento pelo qual ela passa, para ir para nossas casas e podermos bebê-la, já quase não está conseguindo limpá-la, torná-la potável. Isso é muito grave. Já é temerário beber água da torneira, pois em alguns lugares ela não é tão boa como deveria ser.

Precisamos nos conscientizar de que, se inutilizarmos a água que ainda temos, ela não vai se filtrar sozinha para voltar para nós. A natureza é generosa, mas ela tem limites. E temos visto que ela se rebela, com tanto desrespeito, tanta irresponsabilidade, tanto descaso. E dá o troco.

Então, temos que nos unir em volta do planeta para proteger a água. Sem ela não há futuro. Sem ela não podemos viver. Mas isso todos nós sabemos. Então, por que não fazemos nada?

 

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Nota de Fernando Bezerra Coelho

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e84020b187b2b85c4638d3c16988eb3a246Fernando Bezerra Coelho recebeu com perplexidade sua inclusão entre os agentes políticos investigados na Operação Lava Jato. Praticamente uma semana após o pedido de abertura de investigação ao STF, o nome de Fernando é tardiamente relacionado na lista, quando o Ministério Público Federal já havia concluído esta etapa.

O Senador reafirma que em 2010 não ocupou nenhuma coordenação na campanha à reeleição do ex-governador Eduardo Campos. Não conhece nem teve contato com o Sr. Alberto Youssef, como confirma o próprio depoimento do doleiro.

Os contatos com o então diretor da Petrobras, Sr. Paulo Roberto Costa, foram estritamente institucionais, próprios do cargo que ocupava no Estado de Pernambuco. A generalidade da referência ao nome do Senador Fernando Bezerra Coelho não converge para uma circunstância mínima capaz de justificar a abertura de investigação.

Fernando Bezerra Coelho está tranquilo e preparado para responder a todos os questionamentos necessários e colaborar com a Justiça. Além disso, está confiante, como sempre esteve, que ao final das investigações irá provar sua inocência.

 

Assessoria de Imprensa - Fernando Bezerra Coelho

Aquiles Lopes