Lula foi aluno de Eremildo, o idiota

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LULA FOI ALUNO DE EREMILDO, O IDIOTA

         

          Virou moda. Lula falou e a bem remunerada elite chapa-branca do jornalismo nacional passou a repetir: a zelite não quer que os pobres prosperem.  

          Qual o motivo de essa frase estar sendo reproduzida por tantos membros da mídia, como porta-vozes do alto comando petista? Nada que o PT repete à exaustão deixa de ter objetivo bem determinado. É o caso. Os petistas, naufragados na indecência de seu governo, numa sucessão de escândalos que envergonham o país e ruborizam a espécie humana em todas as latitudes, altitudes e longitudes, precisam atribuir motivação maldosa a seus adversários. E qual pode ser pior do que o sujeito ter raiva de quem alegadamente faz bem aos pobres? Poucos, muito poucos sentimentos humanos colocariam alguém tão às portas de uma condenação eterna do que desejar o mal do pobre, sentir-se incomodado quando ele prospera e ter raiva de quem supostamente o faça prosperar. Isso é tão inominável, tão fora da normalidade, que deixa de ser um impulso humano para ser o que de fato é: uma acusação maligna, concepção de mente enferma, que faz da política campo de provas de sua sordidez.

          Essa injúria, proferida por Lula no ato da ABI, e repetida pelos papagaios do eldorado petista, não tem pé nem cabeça. É fruto de perversão moral. Está na linha de tudo mais que vêm fazendo. Como conceito, só pode ser produto de uma aula de sociologia do professor Eremildo, o idiota (personagem criado pelo jornalista Élio Gaspari). Repito o que escrevi há poucos dias: os países com melhor qualidade de vida são aqueles em que praticamente não existem pobres e a totalidade da população consegue viver com dignidade. A fome era endêmica na Europa Ocidental até meados do século passado. No entanto, com trabalho e uso judicioso dos recursos públicos, hoje, você atravessa o continente, entra e sai das cidades europeias e raramente se depara com habitações miseráveis. Nelas você se percebe infinitamente mais seguro do que no Brasil.

          Só os alunos do professor Eremildo, o idiota, são capazes de crer em tamanha estupidez, contraditória com o racional interesse de todos os seres humanos, porque convém a todos, sem exceção, que todos tenham um padrão de vida melhor. Eremildo, o idiota, ensinaria essa besteira que Lula diz, por crença. Os jornalistas, os políticos, os marqueteiros e os militantes que repetem tamanho disparate, precisam dele como folhas de parreira para esconder as próprias vergonhas.

 

Por Percival Puggina

Liberdade de Cultos

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A primeira lei garantindo, no Brasil, a Liberdade de Cultos foi sancionada e publicada em sete de janeiro de 1890. A proposta foi uma iniciativa de Demétrio Ribeiro.
 
A Constituição Federal de 1946, que restabeleceu no país o regime democrático, após a queda do Estado Novo, garantiu a liberdade de consciência e de crença e assegurou o livre exercício dos cultos religiosos, salvo aqueles que contrariassem a ordem pública ou os bons costumes.
A vigente Constituição Federal de 1988 declarou inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurou o livre exercício dos cultos religiosos e garantiu a proteção aos locais onde os mesmos são realizados.
A Constituição do Estado do Espírito Santo não precisava ter assegurado a liberdade de crenças, pois o preceito federal tem vigência em todo o país. Entretanto tem valor simbólico que a Lei Maior capixaba abrigue expressamente a franquia. Isto porque no Espírito Santo ergue-se o Convento da Penha, que é um templo católico. Milhares de pessoas sobem a colina para prestar culto a Nossa Senhora. Quem não partilha dessa devoção não faz o trajeto mas respeita quem faz. Da mesma forma quem faz respeita quem não faz.
A consagração constitucional e legal da liberdade de ter esta ou aquela convicção religiosa e de exercê-la em plenitude tem tradição, em nosso país, desde a Proclamação da República.
Não se trata apenas de uma franquia da Constituição. É mais do que isto. O respeito de todos pelo credo de cada um faz parte da cultura brasileira, é característica da alma nacional, segundo avalio. Integra o catálogo de nossas virtudes.
Há passos adiante no que se refere à liberdade de cultos. Trata-se, além do respeito recíproco, de um esforço para: a) entender a crença daquele que não partilha de minha crença; b) dar a mão ao crente que diverge de minha crença sempre que for possível realizar ações em comum para construir um mundo melhor; c) praticar o Ecumenismo com todas as forças da alma. Caminham nesta direção o Papa Francisco e outros líderes religiosos do mundo contemporâneo. Infelizmente, no arraial católico, há oposições ao comportamento de Francisco e até mesmo frontal contestação ao que ele diz e faz, conforme podemos acompanhar através do noticiário. Também em outras sedes religiosas há suspeição condenando os que se aproximam do Bispo de Roma.
É assim mesmo que o mundo caminha. Há tropeços no percurso. Mas os tropeços, longe de trazer desânimo, devem revigorar a luta.
 
João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES), professor e escritor.

Livro X Lixo

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Jovens promovem troca de lixo por livros em Caxias do Sul Ricardo ...Uma matéria sobre lixo trocado por livros, chamou-me muito a atenção, há tempos. Trata-se do Projeto Livro Livre, implantado nas escolas de primeiro grau de Jaraguá do Sul, e que já foi realizado em Blumenau e Gaspar. Um projecto que pode e deve ser levado a muitas cidades pelo Brasil. Envolve várias entidades e o projeto é uma ação educativa no sentido de proporcionar aos estudantes a aquisição de pelo menos um livro por mês, sem nenhum custo para o aluno, para a escola, nem para a prefeitura, auxiliando os professores na missão de incutir o gosto pela leitura nos leitores em formação. Para ganhar o livro, a cada mês os alunos deviam levar à escola pelo menos um quilo de lixo reciclável, que seria comprado por uma empresa previamente contratada para a reciclagem.

O livro entregue aos estudantes, por sua vez – e foram entregues cerca de cem mil livros – constituíram quatro coleções, pensadas conforme a idade dos leitores: aos estudantes do 1º ao 3º ano, as publicações continham rimas e poesias; 4º e 5º ano, fábulas; 6º e 7º ano, artes; e para os alunos do 8º e 9º ano, histórias de suspense, amor e aventura .
As coleções são de autores diversos, catarinenses, mas das região de Blumenau. Infelizmente não há autores do norte do Estado, pois o projeto já veio pronto para Jaraguá.
O patrocínio de grande empresa da cidade, muito oportuno, pagou a impressão dos cem mil livros que foram entregues aos alunos, publicados pela Editora Todo Livro.
Uma ótima iniciativa para a educação da cidade, que entregou aos estudantes de primeiro grau milhares de livros, incutindo o hábito da leitura, coisa tão difícil de se conseguir, nos últimos tempos, pela falta de condições de se comprar livros, até pelas escolas, que têm suas bibliotecas relegadas a segundo plano, pois o Estado e muitos municípios não previam a contratação de bibliotecários. Será que isso mudou atualmente?
Os estudantes recebem os livros em troca de lixo, proporcionando alguma renda para as Associações de Pais e Mestres das escolas, que usaram o dinheiro para melhoria em cada estabelecimento, até na compra de mais livros para as bibliotecas escolares.
Bom negócio para todos: para a editora que edita os livros, que publica grandes edições com destino certo e retorno garantido, pois o patrocínio paga a conta. Para os estudantes, que têm leitura garantida de vários livros, gratuitamente, apenas com o compromisso ecológico de coletar lixo reciclável e para a escola, que têm alunos que leem vários livros durante todo o ano.
Que o projeto seja multiplicado hoje, amanhã, sempre, em todos os estados brasileiros. E que mais autores da região onde o prejeto for implantado sejam publicados pelas coleções destinadas aos estudantes.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Igreja X Sociedade

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Igreja X Sociedade

        Campanha da Fraternidade 2015 Todos os anos a igreja católica traz para a conscientização da população brasileira, principalmente os seguidores de sua doutrina, temas da Campanha da Fraternidade, cujos lemas têm como objetivo envolver o povo católico e as instituições sociais vinculadas ou não a igreja e a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, para uma reflexão e prática do bem. É sempre um chamado à comunhão, à fraternidade, num período de penitência, (Quaresma) culminando com a Páscoa.

         Objetivos claros, motivos nobres, causas importantes. Mas será mesmo que a igreja católica está andando de mãos dadas com a sociedade e a sociedade está se comportando da mesma forma? É preciso aprofundar mais a reflexão dos temas da CF sobre todos os aspectos, inclusive políticos, pois vivemos numa sociedade onde o nosso papel de cidadão depende muito de nossa condição e conscientização política, pois não dá pra se pensar em mudanças sociais somente através da fé. Desconectar nossas aspirações políticas das ciências sociais e da religião é o mesmo que tentar dirigir um “barco sem vela”.

         Como este ano a CNBB traz como tema da CF “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e como lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10,45), se percebe claramente que o conteúdo é político, não tem como não ser. A reflexão pode até ser “humana”, desenvolvida através da caridade, da fé, e dos preceitos católicos, mas não distante disso deve está a nossa postura política, como eleitores e como eleitos. A representação de uma sociedade através do voto nos faz “servidores” desse chamado da igreja, e não podemos deixar que apenas os fiéis católicos assumam esse compromisso do serviço humanitário, do serviço aos “nossos iguais”.

A reflexão pode e deve ser abrangente a todos os setores de nossa sociedade, principalmente o setor político, o fio condutor de todas as mazelas sociais e a resposta aos nossos anseios, enquanto donos dos mandatos de nossos representantes; ignorar essa questão é anular o nosso direito de sermos representados dignamente nas decisões políticas de nossa nação. É preciso sim, participar ativamente da CF mais como cidadãos do que como fiéis católicos. Porque não adianta somente pregar o “Caminho, a Verdade e a Vida”, como uma abstração, é preciso trilhar esse Caminho, praticar essa Verdade, e viver essa Vida.

O evangelho da igreja católica é cheio de “verdades”, mas é só doutrinário; a CF que seria a prática dessa verdade, a fé concreta, é planejada para durar apenas 40 dias, enquanto durar a tal “penitência”, e continua a campanha ao longo do ano, não mais com tanta “verdade”, e é sempre a mesma coisa todos os anos, as ações concretas são transformadas pela fé, pelo amor e pela salvação de um mundo criado pelos “profetas da atualidade”, movidos por o único bem que Deus desprezou: o dinheiro. A igreja deixa de ser referência para um mundo melhor, mais humano, mais igualitário e mais fraterno, para se transformar em mais uma instituição capitalista, onde o tal lema da CF “Eu vim para servir” é um chamado somente para os cristãos, principalmente aqueles cristãos humildes e despolitizados, que não conhecem seus direitos, e são alimentados somente pela fé. É voltado para eles o lema dessa campanha.  

E se algum “iluminado” pensa que esse lema é para o serviço aos mais pobres, engana-se, é sim para os pobres, mas para que os pobres possam cumprir esse serviço. Aqueles pobres de chinela remendada, de pouca roupa e suja, com um crucifixo de cordão velho e de madeira ao pescoço, mãos calejadas, corpo surrado, banguelas, mas com o coração cheio de amor e simplicidade, servindo a igreja e sua opulência, doando seus últimos trocados, e se doando, em nome de uma “salvação”, que acreditam existir porque o padre falou. Isso é cruel, é desumano, mas é o que a doutrina nos ensina, e é o que a instituição religiosa nos manda fazer.

Pense: Igreja e Sociedade nunca andaram juntas, muito menos na hora de praticar o que diz o tão poético lema: “Eu vim para servir”. Mas, servir a quem?

 

Por Paulo Carvalho

Para o governo

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Para o governo, resolver crises é trabalho divino

 

Após anos de subsídios ao consumo de energia elétrica, que curiosamente beneficiam a manufatura com aplicação intensiva de capital, o governo decidiu que em 2015 as contas de energia elétrica no Brasil vão encarecer em 30%. De fato, 30% é a projeção otimista do ministro de Minas e Energia Eduardo Braga. É provável que os reajustes cheguem a 40% em média, mas o ministro, como de praxe na administração dilmista, prefere navegar por bravatas até que a realidade torne a narrativa do governo insustentável.

 

Já foram feitos novos acréscimos à conta de luz dos brasileiros, na forma das “bandeiras”, que representam os custos extras da geração de energia para cada região. Grandes nacos do território brasileiro estão agora sob a bandeira “vermelha”, que informa que a geração de energia na região é suplementada por termelétricas cujo custo de operação é mais alto.

 

Além do aumento, os brasileiros também convivem agora com frequentes apagões, rotineiros já em janeiro de 2015. É como se tivéssemos voltado no tempo para 2001, quando por uma hora todos os dias a energia era cortada. Em 2005, Lula afirmava, em mais um de seus discursos megalomaníacos recheados de “nunca antes na história deste país”, que “nunca mais” ocorreriam apagões no Brasil. Ele não teve clarividência suficiente nem para terminar seu governo sem apagões. Em 2007, dois estados ficaram no escuro. Em 2009 quase todo o Brasil ficou sem energia e Lula respondia que as novas faltas de luz só dependiam “de Deus”. Desde então, Deus aparentemente ordenou vários apagões todos os anos no país.

 

Em 2015, os petistas ainda depositam todas as suas fichas na benevolência divina, que tem que fazer chover para que as hidrelétricas possam gerar energia para o povo. Não é surpreendente para um governo cujo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação acredita que o aquecimento global é uma ferramenta de controle dos países pobres pelo imperialismo. Para o governo atual, qualquer intervenção do homem na natureza parece ser misteriosa e imprevisível em suas consequências.

 

À crise de geração de energia se soma também a crise do abastecimento de água. A seca em São Paulo já leva ao racionamento. Outra coisa curiosa é que 70% da água fornecida pelos reservatórios que minguam vai direto para o consumo do altamente subsidiado agronegócio brasileiro. E 22% vai para o altamente subsidiado parque industrial paulista. Os 8% restantes são consumidos pelas residências, sempre forçadas a fazer os maiores cortes em consumo.

 

Os subsídios ao agronegócio ainda têm efeito indireto sobre o fornecimento de água. O cultivo de áreas do cerrado, que necessitam de uso intensivo de água, e a apropriação de terras na Amazônia, limitando a evapotranspiração das árvores, também influenciam na estiagem paulista. Evidentemente, os petistas, cuja aliança com os ruralistas está selada pela presença de Kátia Abreu no Ministério da Agricultura, não pretendem fazer nada quanto ao problema.

 

O que mais impressiona no discurso das diversas esferas de governo é que, neles, a natureza parece ser indomável e imprevisível. Qualquer medida que envolva projeções futuras é completamente absurda e inviável para o governo — que, evidentemente, funciona em ciclos de 4 em 4 anos e qualquer medida tomada só é capaz de solucionar os problemas até o fim do mandato. Se falta água para as hidrelétricas, nada se pode fazer a não ser rezar para que as chuvas restaurem os níveis das barragens. Se falta água potável, somente a natureza pode reabastecer os reservatórios. Como uma tribo para quem qualquer influência humana sobre o clima é anátema, a única solução proposta pelo governo é sempre um apelo à sorte e à graça divina.

 

Os políticos brasileiros devem ter cuidado, porém. A graça divina periodicamente atende os chamados de chuva. E com a dádiva das chuvas, periodicamente as cidades brasileiras são inundadas e centenas de pessoas morrem e ficam desabrigadas. Embora isso ocorra anualmente, sem falta, para o governo as enchentes são imprevisíveis. O jeito, é claro, é rezar por chuvas. Mas não tantas.

 

Erick Vasconcelos é jornalista e editor do Centro por uma Sociedade Sem Estado (c4ss.org)