Lenda das Três Fogueiras

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* Paulo Carvalho (SPO)

No mês de junho as festas

Se multiplicam no interior

Folguedos, crenças e estas

Novenas, também são ritos de louvor!

                   E por falar em festas juninas

                   Escola, meninos e meninas

                   Antônio, João, Paulo e Pedro,

                   Zefinha, Mariquita e seus folguedos...

...Já estão quadrilhando

No arraiá do ABC

Santos no oratório parecem crer

Que são festeiros no meio do bando...

                   ...De caipiras e caiporas

                   Imitando gente boa

                   Do folclore de outrora

                   Porque festeiro de época ri à toa!

Antônio, coitado de cabeça

Pra baixo ficou

Por não atender a doença

Da solteirona que queria um amor.

                   João então veio com mania

                   De batismo, e celebrou o ato

                   Matrimônio virou festa de gaiato

                   E eterno sinônimo de nostalgia!

Com o tempo Pedro descobriu

Que Antônio era casamenteiro

E que ele não tinha nada de chaveiro

E João, pois não, só batizava no rio!

                   Mas Iracema, Lena e Josefina

                   De laço na cabeça, bordado e luvas

                   Depois do batismo ficaram viúvas

                   E lá se foram às crenças nas festas juninas!

* Paulo Carvalho é jornalista, poeta e escritor

 

 

Inverno de saudade

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FotoAmorim51kbNão quis dizer solidão. É que o inverno chegou e uma saudadezinha escondida insiste em levantar a voz. Saudadezinha doída, vem me lembrar, atrevida, que amor a gente não esquece. Que cada carinho é um carinho, que cada ternura é só uma, que amor não morre jamais. E eu não esqueço de você. Porque gosto de você. Sei que já disse isso, mas eu gosto de você. Junto de você, gosto do frio que aconchega, gosto da chuva lá fora, a ninar nossos sonhos. E gosto do seu sorriso. Seu sorriso, minha musa, é minha casa, o meu mundo, o meu tudo. É minha luz, porto seguro, o meu horizonte, infinito. Seu sorriso é minha vida. Seu sorriso é boa vinda, é ternura do aconchego, é calor que me aquece. Seu sorriso é primavera que se espalha por seu rosto e sorri a sua boca e sorri o seu olhar e sorri seu coração e sorri a sua alma...Ah, o seu sorriso... é meu ponto de partida e meu ponto de chegada... Como vou fazer poesia, se o seu sorriso tão meigo é o verso mais bonito que jamais vou escrever? Minha poesia é você. Pra que então escrevê-la? Fiz-me poeta em você, poeta em seu amor... Vem comigo, minha musa, vem morar neste poema... Este poema, seus olhos, imenso poema de amor. Vejo nós dois espelhados, nos grandes lagos castanhos cristalinos, os seus olhos. Navegamos mansamente, nas serenas águas claras, cheias de luz e poesia. É nossa grande viagem, percorrendo os caminhos que nos levarão de encontro à descoberta de nós. Então vem, e afugenta a saudade vadia, que passeia insistente, pelo fundo dos meus olhos. Vem mandar embora essa saudade que brinca com a tristeza que transcende o meu olhar, tentando invadir meu coração para matar todas as flores que você desabrochou em mim...

 

 

 

 

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Estranho ou desnecessário

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Pedro Cardoso Existem algumas frases repetidas no nosso dia a dia que são de difícil compreensão, ou têm sentido literal diverso do que se pretende dizer.

São constantes as notícias de prisão de quadrilhas que já estavam sendo investigadas há anos. Não se sabe em que consistem as investigações para se afirmar que era aquela quadrilha quem praticava determinados crimes e por que não eram evitados.

Na mesma área também é comum se assegurar um reforço de segurança em determinados bairros, trechos de estrada, já que a polícia “já vinha mapeando” a violência. Deveria ser mais bem explicado como seria realizado o “mapeamento” da violência, pois se torna difícil a compreensão de deixarem os crimes acontecerem durante a realização do mapeamento.

Na praxe forense ou nas rotinas judiciais é comum despacho de autoridades, determinando subordinados a realizarem as providências “cabíveis”. Até nos outros Poderes é comum se ouvir que determinados superiores mandaram subordinados tomarem as “devidas” providências.

É inimaginável a possibilidade de uma ordem no sentido contrário, para eventuais providências incabíveis ou indevidas. Se houvesse, feriria princípio da boa-fé inerente aos servidores públicos.

Já a prefeitura de São Paulo costuma colocar placas com alerta de que determinados locais são de “risco de enchente”. Ora, aí parece assunção inequívoca de responsabilidade pelo descumprimento de dever, já que a existência desses avisos pressupõe conhecimento das suas causas.  Então, antes de se colocar aviso, deveriam explicar por que não são resolvidos os problemas causadores das enchentes em vez de alertas ineficazes.

Esse procedimento e outros similares têm por objetivo eximir a responsabilização de autoridades por eventuais danos. Essa seria uma providência incabível, já que os deveres dos agentes públicos são inerentes ou vinculados às suas atividades e não seria uma placa suficiente para isentá-los de responder pelos seus atos.

Ainda nos meandros da Justiça, em autos de processo é comum constatar páginas carimbadas com o termo “em branco”. Depois de carimbada, era uma vez uma página “em branco”.

Como não existe área da administração pública fora dessas idiossincrasias, nos transportes, causa estranheza, no mínimo, as faixas e cartazes pelas cidades com telefones para solucionar problemas de quem tem carteira de habilitação suspensa ou muitos pontos acumulados. No varejo, gera certa curiosidade em saber como esses problemas são resolvidos.

Como está na onda, com a redução da maioridade penal, a mídia escreve, e especialistas falam sobre a possibilidade de os menores serem “punidos como adultos”. Dois aparentes equívocos. Com a mudança da idade para adquirir a maioridade, quem cometer crime já será um maior de idade. E se vier a ser processado não é porque agiu e será punido como adulto, mas por ter praticado e ser penalizado como autor de um delito.

Com relação aos questionamentos policiais, parece se assemelhar com alguém que prefere tirar uma foto ou filmar alguém se afogando, em vez de socorrê-lo. Os demais podem trazer prejuízos na cultura já tão cambaleante da nossa sociedade ou assimilar de forma incorreta determinados conceitos ou realizar serviços sem nenhuma utilidade.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

    Bacharel em direito

Voto facultativo

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Pedro Cardoso Eleição após eleição ouve-se falar sempre que o cidadão deve votar consciente, exercendo bem a cidadania e por consequência fortalecendo a democracia. A recomendação mais incisiva vem da imprensa; mas políticos e até a própria Justiça Eleitoral incentivam a conscientização sobre a importância de votar, mas apenas quando as eleições estão próximas.

Trata-se de um equívoco histórico que se tem perpetuando. O argumento dos defensores da permanência da obrigatoriedade limita-se e se esgota na tese de que o brasileiro não sabe votar e é desinteressado pela política.

Pode ser que o fato de ser forçado a votar aumente a presença de comparecimento às urnas, mas não aumenta a legitimidade dos eleitos, pois quem vota apenas para cumprir seu dever não se interessa pela escolha do candidato, não participa das decisões após eleito, e entende plena a sua cidadania apenas com o apertar de uma tecla.

Deveria ser cobrado, e não é, o envolvimento da sociedade nas decisões administrativas dos eleitos. A começar por debates nas escolas de ensino básico sobre as atribuições de cada Poder. A discussão didática se limita em dizer que o Poder Legislativo faz leis; o Executivo as executa; e o Judiciário exige o cumprimento. Um clichê que decorei nos anos setentas.

Uma participação efetiva poderia ser através do acompanhamento de um projeto de lei na Câmara e no Senado Federais por um grupo de pessoas. Visitas de alunos nas votações das assembleias estaduais e nas câmaras municipais, por exemplo, ajudaria na conscientização de como o parlamentar vota e como é aplicado o dinheiro público. Simulações poderiam ser feitas nas escolas. Isso, sim, contribuiria para o aperfeiçoamento da cidadania. Efetivamente, o político só aparece quando é candidato para dizer o seu número numa disparada verbal que impossibilita decorar.

Além do mais, essa obrigatoriedade assemelha-se à chamada indústria da multa. Quando deixa de votar, o cidadão paga uma multa de pouco mais de três reais, que tem a mesma relevância do voto. O dinheiro arrecadado com as multas vai para os partidos. Ora, os partidos são pessoas de Direito Privado, como outra qualquer, ao receber dinheiro de arrecadação pública, fere no mínimo a razoabilidade e o bom-senso. Pouquíssimas pessoas sabem quanto se arrecada e nenhuma sabe dessa destinação. Seria muito mais justo o repasse a entidades de interesse social relevante.

O Brasil tem tradição em ser o último a acabar com as distorções. Foi assim com a escravidão que, muitos entendem, ainda continua; com os torturadores da Ditadura Militar, com a legalização do aborto e do casamento entre homossexuais.

Com a obrigatoriedade do voto ocorre o mesmo. Não se lê nada nos editoriais dos jornais; não se ouve nenhum democrata falar nisso no rádio nem na televisão; nenhum jornalista escreve sobre; não se sabe a posição de nenhum famoso a respeito, mesmo daqueles que são bem remunerados para falar favor ou contra candidatos ou para ter medo de outros.

No Brasil o que é normal e razoável passa a ser a exceção. Com os denominados formadores de opinião não poderia ser diferente. Eles são dolosos ou inconscientemente coniventes e mais comprometidos em manter e eternizar a mediocridade. Estamos nos acostumando com a política como sinônimo de falcatrua, compra de parlamentares e desculpas pela continuação permanente de problemas sociais.Escrevi o primeiro texto sobre o fim do voto obrigatório em 1998. Somente o falecido Roberto Campos escreveu dois artigos no mesmo sentido.

Com o voto obrigatório, o Brasil está atrás de Bolívia e do Haiti. Instituir o voto facultativo se faz imperioso até para tornar coerente a defesa decantada da democracia. Tornar um eleitor consciente tem se limitado em informá-lo a cor certa do botão que deva apertar na urna eletrônica. É elementar: não há democracia onde o voto é obrigatório.

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos – SP - Bacharel em direito

Poesia brasileira viajando o mundo

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POESIA BRASILEIRA VIAJANDO O MUNDO

Escritor LuizHá pouco tempo atrás, a Cristina Davet leu uma crônica minha que sugeria que lêssemos mais para nossas crianças e comentou: “Hoje lemos poemas seus num sarau lá na casa da dona Helen Debyn. Você escreve muito, Amorim, parabéns!” Não é pra ficar feliz com uma notícia dessas

Passada a emoção, fiquei matutando cá com meus botões: mas a Cristina não mora em Genebra, na Suiça? Pois mora. E a dona Helen, que cedeu a casa para o sarau, também, e é nada mais nada menos do que  a brasileira que esteve no Salão Internacional do Livro de Genebra, procurando-me para me dar um abraço e comprar meus livros. E foram esses livros que  fizeram com que meus poemas fossem lidos na casa da dona Helen, no sarau que reuniu muita gente boa: além da Cristina, o Marinaldo, sobrinho da dona Helen, escritor de Joinville, a escritora brasileira Maria Clara Machado, que eu também conheci no Salão, e muitos outros

Não é uma beleza? É sensacional ter a poesia da gente correndo o mundo, sendo ouvida em alto e bom som, na voz de outros poetas, num cantinho aconchegante da Suiça. Dona Helen é um criatura amantíssima, é um poema de ternura, só podia ser ela a acolher uma plêiade de poetas e possibilitar que acontecesse um sarau internacional.

O Marinaldo eu já conhecia aqui do Brasil, pois ele participou do Grupo Literário A ILHA, desde tenra idade. As outras pessoas aqui citadas, eu conheci em Genebra, daí a importância da participação em Salões Internacionais do Livro. Em 2016, estarei voltando à Suiça para esse grande evento literário e para abraçar de novo a dona Helen, a Maria Clara, a Cristina Davet e tantos outros amigos que fiz por lá. Como a Jacqueline e o Paulo, que possibilitam a participação de nós, brasileiros, em tão grande evento. Aproveitarei para participar também da Feira do Livro de Lisboa, onde estarei lançando meu livro publicado naquele querido chão português.

É muito gratificante ver o trabalho da gente viajando pelo mundo. Como quando um poeta indiano me enviou trabalho meu vertido para o bengalês e publicado em revista de lá, como quando recebi recortes de escritor russo com vários poemas meus traduzidos para a língua dele e publicados em jornais, etc., etc. Para um escritor de Corupá, o Vale das Águas, no pé da Serra do Mar, é um orgulho ultrapassar fronteiras, levando as letras da terra bem longe.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Presidente do Grupo Literário A ILHA – 35 anos de trajectória, cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras.