Viajando no Viver da Vida Humana...!

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Manollo FerreiraA palavra vida é um substantivo feminino, paroxítona, de apenas duas silabas. Para uma boa parte da humanidade a palavra vida é pronunciada sempre no singular - “A VIDA” -, já que, na lógica do pensar, só podemos afirmar que só temos uma vida para se viver nesse mundo nosso de cada dia. A vida que temos é única, viver só ou acompanhado, aqui ou acolá, com ou sem, não é o que define viver mal ou viver bem, o que define o viver é ser e estar, o que define o viver, é o rumo que à vida se dá, são os acontecimentos que dela advém, são as ordens divinas que à vida se traz.

Viver é o verdadeiro milagre da vida, não existe uma fórmula ou modelo de como se viver a vida. A vida comumente é vivida em sociedade, pessoas vivendo com/entre pessoas, e para que isso aconteça com equivalência de valores e em sintonia, se faz necessário seguir regras de convivência constituídas por leis e/ou por regras geradas na compleição das relações.

Acredito que somos o resultado do que construímos ao longo de nossas vidas. Na minha concepção, nada e nem ninguém é responsável pelo que nos transformamos no decorrer da vida. Reclamar da vida é assumir-se prejudicial a si mesmo, é assumir-se ineficaz, incompetente no gerir da própria vida. Muitas pessoas vivem reclamando da vida, de como ela se configura ao longo do existir, dos direcionamentos a se instituírem ao estender-se do tempo, dos contratempos, do ontem, do hoje, e até mesmo do amanhã, sem mesmo ter deste vivido.

Penso que, deveríamos conceber a vida como um inestimável presente dado por Deus, como uma abençoada criação divina de inesgotável sentir, constituída por uma teia de antíteses, por uma variante de conjunções, por uma vastidão de proposições.

Viver é um constante aprendizado. Viver é fazer ou deixar acontecer, viver não é como uma operação matemática que se finda na exatidão, a vida não é uma receita pronta, viver não é fácil, não é “um mar de rosas” viver, e nem deveria ser, considero que a mágica da vida está exatamente na diversidade que a vida consente. Viver é sentir o sentido do sentir, viver é nascer e renascer dia após dia. No meu compreender, o bom e precípuo para se viver a vida consiste-se no êxito da superação, no errar para se acertar, na derrota para se vencer, no perder para se achar, no diminuir para se somar, na morte da vida para a vida se valorizar.

Deus nos deu a dádiva da vida, só temos que viver por ela e com ela, cuidando-a para não trazer-lhe dor, angustia e tristeza, para não trazer-lhe a falta que a vida faz. Temos que prezar pela nossa vida e demais vidas em consonância com a nossa vida em vivência.

“O que se leva desta vida é a vida que a gente leva”.

(Barão de Itacaré)

 

* Manollo Ferreira - Pedagogo - Professor - Especialista - Poeta - Escritor.

 

 

 

 

 

 

Canção para Ninar São João

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P. CarvalhoCanção para Ninar São João

 

"Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindo".

(Luiz Gonzaga - José Fernandes)


As bombas lá fora...
E eu aqui explodindo por dentro!
A fogueira lá fora...
E eu aqui queimando por dentro!
O arraiá, as quadrilhas e os folguedos
E eu aqui dentro com meus medos! 

A noite no sertão!
A noite de São João!
É a noite onde me deito na Lua
É a noite onde a paixão é cega
E as estrelas se apaixonam,
Se enamoram e se casam entre elas!

E depois dos festejos
São João guarda segredo
E a Lua como testemunha
Dorme com meu desejo!

 

* Paulo Carvalho é jornalista, poeta e escritor.

 

 

 

 



@ Editorial: Resistir as Crises

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“Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”.

Nelson Rodrigues

Logo jornal A Notícia do ValeParece que estamos numa crise moral e política profunda. Só parece, nada demais. O cinismo estampado na cara dos políticos e da classe empresarial privilegiada de nosso país nem é tanto, o roubo de milhões, bilhões... Bem, coisa pouca. Nossa crise é mais existencial, de identidade, de conhecimento. Sim, também e principalmente de conhecimento, de educação, cidadania, civilidade.

A ironia é necessária porque nosso país além de está atolado na mais completa lama, ainda tem de aguentar as lamúrias, ladainhas e tudo o mais que vem junto, e o pior, a tagarelice de uma mídia repetitiva que vai além dos fatos, que vai além da notícia, numa caçada inexplicável aos manifestantes, aos vândalos, aos viciados, aos “rebeldes sem causa”, que precisam ser internados, em hospitais ou cadeias, não importa, pois a verdade é que somos todos obrigados a engolir o que eles (os políticos) determinam, bem ou mal, continuamos sendo suas cobaias.

O governar deles não é o nosso governar, são conceitos diferentes dentro de um mesmo estado de anormalidade. Pedimos “Diretas Já” como saudosos anos 80; assistimos Brasília pegar fogo literalmente; exigimos o impeachment (13 protocolados) do atual presidente, por razões óbvias, e independente de “crime de responsabilidade” o vice usurpador, de um governo sem respaldo do voto popular, ilegítimo, golpista, tem tudo para continuar não dando certo. Gravações clandestinas, visitinhas na madrugada, “fanfarronices”, blá-blá-blá, mimimi... Quanta ingenuidade! Ingenuidade? Ora, só se for do povo, vítima de todas as armações políticas, de todos os partidos.

Maio de 2017 poderia até entrar no rol dos “fatos históricos”, diante de tantos acontecimentos políticos. Teve de tudo, da delação da JBS, (Temer acuado e 2milhões a Aécio) aos discursos falsos dos governistas, tentando defender o indefensável, e ainda o grito do “Não renunciarei!” proferido pelo presidente em rede nacional. Foi o mês que se poderia considerar como uma aula de história sem precisar de professor.

De Lula a Temer: depoimentos e delações; pré-comícios; a tal “força de expressão” do ex-presidente, argumentando as suas perigosas e impensadas declarações; a bomba JBS dos “irmãos cara-de-pau”, que mais parecem dupla caipira, “Os Batistas”; as benditas gravações com os tradicionais ruídos; o protagonismo dos peritos para provar o improvável; os advogados de porta de cadeia e a imbecilidade de juízes absolvendo canalhas e as primeiras damas da canalhice... E o país a cada dia no atoleiro da corrupção; da vagabundagem; da tirania; da desordem...

E não é por causa do vandalismo em Brasília, provocado por duas dezenas de infiltrados, que bem poderia ser “missa encomendada”, dentro de uma manifestação pacífica, que se justifica um decreto presidencial convocando as Forças Armadas, e justamente por ser equivocado e inconstitucional, foi revogado antes de 24 horas.

Brasília depredada? Segurança ao patrimônio público? Aos belos prédios e construções de Niemeyer? Proteção ao Congresso Nacional? Ao Planalto? Sim, porque a preocupação do presidente não era, não é, e nunca será com os servidores, com os trabalhadores, muito menos com o povo nas ruas, mas sim, com a ostentação e a cara de seu poder.

Ora senhores, Brasília é muito maior que isso, e o maior patrimônio do Brasil são os brasileiros! Não culpem a revolta daqueles que estão apenas completando a tarefa de vocês. Não estamos falando de espaço físico, nem de concreto, nem de ferro, estamos falando de condição humana e de uma situação já muito, insustentável.

Poluição Sonora: o que fazer?

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thumbnail Dr. AlbertoO problema da poluição sonora tem crescido na nossa comunidade, como é possível observar nas reclamações e repercussões nos meios de comunicações e dados do Ministério Público, que recebe inúmeras denúncias.  Neste contexto, é necessário ter um entendimento sobre como o problema do barulho pode impactar nos direitos dos cidadãos.

A poluição sonora é a emissão de som ou ruído que, direta ou indiretamente, resulte ou possa resultar em ofensa à saúde, à segurança, ao sossego ou bem-estar das pessoas (definição do MPPE).  Não precisa ser som alto, pequenos ruídos também se enquadram na definição.

O som/barulho pode incomodar de diferentes maneiras: um ruído de um vizinho provocado por uma rede em movimento, um animal de estimação, aparelho de som ligado, o ensaio de uma banda, ou provocado por uma igreja, dentre incontáveis situações.  A paz e o sossego são direitos dos cidadãos, assegurados por nossa legislação desde a lei superior, a Constituição Federal, passando pelo Código Civil, Lei Penal, normas federais, estaduais e municipais e resoluções.  Ou seja, todos os entes da Federação possuem normas para proteger as vítimas quanto ao ilícito da perturbação do sossego e da poluição sonora.   Neste ponto explicamos: o barulho pode se configurar tanto como um ilícito penal, que é a “perturbação do sossego alheio”, como pode configurar um ilícito ambiental, a “poluição sonora”, ou se enquadrar em ambos os casos de ilegalidade.  

A Lei das Contravenções Penais estabelece que comete crime “aquele que perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios” e apresenta algumas situações exemplificativas, que pode ser através de “gritaria ou algazarra”, “exercendo profissão incômoda ou ruidosa”, “abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos”, “provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda”.  Então, aqui estão alguns exemplos previstos na lei penal em que pode incidir aquele que produz o som ou barulho.  Neste ponto, importante salientar que não há necessidade de aferição de nível de barulho através do aparelho chamado decibelímetro, pois a lei penal (federal) não faz esta exigência.  O mesmo ocorre com a proteção dada pela lei estadual  “Da Proteção do Bem Estar e do Sossego Público”,  nº 12.789/05.

A poluição sonora pode se configurar como ilícitos previstos na lei de crimes ambientais e no código de trânsito. Comete infração de trânsito o motorista que for flagrado com som automotivo audível do lado externo do veículo, independente do volume, e que perturbe o sossego público (de acordo com o Código de Transito e o Contran).

Por fim, para que um estabelecimento comercial funcione regularmente (bares e restaurantes, por exemplo), são necessárias as autorizações legais, os respectivos alvarás, incluindo o ambiental, que deve passar por estudo de impacto ambiental, quando o potencial de emissão sonoro em suas atividades for evidente.  Mas, mesmo possuindo o alvará, o estabelecimento incorrerá nos ilícitos aqui descritos, se estiver incomodando o sossego público ou de alguém. Uma eventual licença que um estabelecimento possua não concede o direito infringir o sossego das pessoas vizinhas.

E por fim, quais os caminhos a serem tomados por quem tem seus direitos desrespeitados?  A resposta é: procurar todos os órgãos públicos ligados ao problema, como a Prefeitura, Detran, Polícia Militar (deve autuar o flagrante), Polícia Civil (registrar ocorrência e pedir andamento do inquérito), o Ministério Público (como órgão fiscalizador  da lei), ou acionar todas estas instituições, a depender do caso.  Mas não deve o cidadão ficar limitado a estes órgãos. 

Deve acionar o Judiciário, seja individualmente, no Juizado Especial Cível e Criminal, ou seja assistido de advogado particular, que poderá buscar todas as medidas para proteger suas garantias legais, seja individual ou coletiva. Apenas agindo, será possível reverter o crescente problema da poluição sonora. Exerça seus direitos!

Alberto Rodrigues

Advogado

Presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB/Petrolina-PE

Mestre em Comércio Exterior e Relações Internacionais

Pós-graduando em Direito Processual Civil;

Graduado em Relações Internacionais

Resistência

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PRC

Não é porque eu não quero,

Que não podemos mudar.

Não, não é porque quero,

Que podemos!

O nosso país navega na lama,

Não mais nas espumas poéticas

De minha infância.

Meu país carece de alma,

Mais do que lutas,

Precisamos de amor!

Mas como resistir a essa dor?

A dor de ver bandeiras assassinas,

Onde a ideologia vale mais que a vida,

Onde os olhos se fecham

Para os enfermos indigentes,

Os viciados como zumbis,

Andam cegos sem saber aonde ir.

Como resistir a dor?

Quando estamos presos

E os bandidos livres,

E hoje quem é bandido?

E hoje quem é herói?

E por que precisamos deles?

Ah, como resistir dói!

E os discursos falsos,

Misturados a dólares e sangue,

Aquele sangue que eles não veem,

Porque não está em suas portas,

E sim, no chão, nas grades,

Nas paredes dos hospitais,

Onde a desonestidade

Que não sabemos mais de quem

Roubam-nos a paz

E mata todos os dias

Um filho de alguém!

Como resistir, como?

Se todos os dias a fome aperta,

E aquele gigante do planeta,

Não é mais da infância do poeta,

E como dói essa saudade!

 

Por Paulo Carvalho, jornalista, poeta e escritor.