Editorial - O que pensa o alcaide do futuro?

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2 Marca do Jornal“Para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política”. (Ernest Renan)

E como serão as futuras gestões? E as gestões do futuro, como serão? O que existe em comum entre os governos? Perguntas, talvez sem respostas ou com respostas que na verdade não agradam os antigos gestores e nem os atuais. Se pensassem: “não é porque eu achei quebrado que eu vou deixar quebrado” ou “a dívida não é do município, é do gestor”. Bem, se todos pensassem assim, o que seria do povo trabalhador, honesto, e que ainda votou nestes “iluminados”, o que seria deste povo?

Se pensassem, mas nem sempre pensam! E, é claro caros prefeitos que se vocês acharam algo errado, quebrado, roubado, vocês não devem praticar o mesmo, e se de fato, forem honestos e cumpridores das leis, farão justamente o contrário, afinal não foi pra isso que se elegeram? Não foi com o mote da esperança e da mudança que vocês conseguiram chegar onde queriam? Ser prefeitos e prefeitas de seus municípios? Pois então, façam valer as suas verdades, e façam a diferença, não se comportando de maneira igual, principalmente não sendo iguais àqueles que vocês mesmo denunciaram por improbidade administrativa, incompetência, entre outras acusações. Seja diferente no que precisa ser diferente, e tenha compromisso com a verdade. É isso que o povo espera.

O povo não quer saber exatamente o que o alcaide pensa, mas quer e precisa saber quais suas intenções ao chegar ao poder; quer saber de suas atitudes, de sua moral, de sua capacidade de negociação, e principalmente se vai honrar as promessas de palanque, saindo do velho discurso eleitoreiro para a prática. Os municípios do Vale do São Francisco, em quase sua maioria, têm novos prefeitos, eleitos democraticamente, diplomados pela Justiça Eleitoral, e empossados, passando a assumir um mandato de 4 anos; mas muitos destes “prefeitos” estão cheios de compromissos com terceiros, o que provavelmente pode inviabilizar suas futuras administrações.

Políticos, que embora eleitos, ainda devem a terceiros, sejam estes terceiros, pessoas físicas e jurídicas, dificilmente terão liberdade para governar. O que eles pensam sobre isso? Ninguém sabe! Infelizmente as respostas virão em desastrosos serviços públicos de má qualidade; uma folha de pagamento exorbitante, comprometendo em mais de 50% o erário, e pior ainda quando esta folha é paga apenas com a arrecadação municipal. Estes terceiros são os “filhos da política” protegidos pelos apoios partidários, onde os cargos públicos, mais políticos do que técnicos, lotam os gabinetes, assessorias, secretarias e autarquias, para atender a propósitos alheios à administração pública, e consequentemente à revelia de quem mais precisa desses serviços, a população.

Por que o Brasil é um dos países mais corruptos do mundo?

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reinaldo azevedo 16032015 110146 GPois é… O que há de político em pânico a esta altura… Carlinhos Cachoeira, a gente está vendo, é como os demônios: uma legião! Políticos de uma penca de partidos aparecem se banhando em suas águas: DEM (o senador Demóstenes Torres deixou a legenda), PT, PSDB, PTB, PP, PPS… E outros podem aparecer. Escândalo sem o PMDB, por exemplo, é só um problema de apuração… Não dá para afirmar que os comandos das respectivas legendas soubessem desse envolvimento, claro! Uma coisa, no entanto, é certa: dá pra constatar como o sistema é poroso à corrupção.

Não há sistema bom que resista intacto a homens maus. A qualidade individual dos políticos certamente faz a diferença. Isso não significa, no entanto, que o nosso sistema seja virtuoso. Muito pelo contrário. Estamos assistindo a falência moral de um jeito de organização de poder. E não se enganem: será disso para pior! Ainda que o Cachoeira da hora seja tirado de circulação e que seu esquema desmorone, será substituído por outro enquanto as regras forem as que estão aí. O sistema partidário está caduco. As legendas se juntam por causa do tempo de televisão e se mantêm unidas ou se separam a depender da fatia do estado que lhes é dado controlar. No comando de áreas da administração, de estatais ou de autarquias, ocupam-se de roubar o dinheiro público para fazer caixa para o partido — sem contar, obviamente, os que se dedicam ao enriquecimento pessoal.

Por que o Brasil esta entre as nações mais corruptas do Planeta? Será o nosso sangue latino? O calor dos Trópicos? A miscigenação? A herança patrimonialista ibérica? Que determinismo sociológico, histórico ou climático ou, ainda, que teoria estupidamente racista explicariam tanta lambança? Bobagem, meus caros! O nome do desastre que aí está é um só: TAMANHO DO ESTADO, COM SEU CONSEQUENTE APARELHAMENTO PELA PISTOLAGEM POLÍTICA. Os Cachoeiras da vida estão sempre em busca de quem lhes possa franquear as portas da administração e garantir acesso aos cofres.

Há dias lembrei aqui: só o governo federal dispõe de mais de 24 mil cargos de confiança! Em 2002, quando FHC deixou o governo, eram pouco mais de 18 mil —  um número já estúpido, mas os companheiros acharam pouco. Somem-se a isso os postos que os partidos disputam nas estatais. Só para comparação: na Alemanha, são apenas 170 os cargos federais de confiança; no Reino Unido, 300. Nos EUA, 9 mil!

Veja, então, que equação explosiva: partidos sem a menor afinidade ideológica, que têm como moeda de troca o horário de TV, associam-se para disputar o poder. Querem implementar um programa? Não! O objetivo é tomar de assalto aqueles milhares de cargos de confiança e fazer, então, negócios com os Carlinhos Cachoeiras da vida, que são também os financiadores de campanha.

Só piora…
Para nossa desgraça, o Estado só aumenta em vez de diminuir. Torna-se a cada dia mais presente na economia e na vida dos cidadãos. Votem-se quantas Leis da Ficha Limpa acharem por bem, e a simples redação de um edital de licitação — quando há licitação — pode premiar a bandidagem.

Durante muito tempo, os petistas venderam a fantasia, ainda sustentada por cretinos acadêmicos, de que viria para acabar com essa lambança, para “mudar tudo”. Quem tinha ao menos dois neurônios capazes de fazer uma sinapse desconfiou desde logo de intento tão nobre. O desmonte da corrupção organizada, profissionalizada, que toma conta do país, não haveria de ser feito com o aumento do estado, mas com a redução — para que ele pudesse, então, efetivamente cuidar das áreas que lhe são próprias. Aconteceu o óbvio: o PT não só referendou e passou a ser usuário dos esquemas tradicionais de assalto aos cofres públicos como montou o seu próprio modelo. Por isso jamais se ocupou a sério das reformas — inclusive e muito especialmente a política.

Em nove anos de poder, este é o mais imperdoável de todos os malefícios do petismo — que também tem seus homens se banhando na cachoeira: em vez de ter dado passos para diminuir o potencial de corrupção do país, caminhou justamente em sentido contrário. E ainda teve a cara de pau adicional de nos apresentar “o bom ladrão”, aquele que rouba em nome da causa, para o nosso bem.

Enquanto os governantes brasileiros tiverem à sua disposição milhares de cargos dos quais dispor livremente para acomodar os interesses e apetites dos partidos; enquanto a economia brasileira for, como é hoje, estado-dependente; enquanto tivermos um sistema eleitoral que descola o eleito do eleitor — por isso defendo o voto distrital puro; enquanto os nossos partidos forem meras agências de aluguel de tempo de TV, os Cachoeiras continuarão a assediar o estado e os políticos.

A última pesquisa Ibope, no entanto, dá conta de que os brasileiros estão satisfeitíssimos com Dilma, embora reprovem a política de segurança, a política de impostos e a política de saúde… Fazer o quê? Parece entender que ela é a flor que nasceu no pântano; é como se ela, até por força do cargo que ocupa, não fosse protagonista do enredo.

A defesa de um estado mais enxuto caiu em desuso. O nosso empresariado está de olho nas desonerações do governo — ou será liquidado pela concorrência externa — e no crédito subsidiado. Precisam do estado. E o estado é ocupado, com as exceções de sempre, por uma súcia. Vocês são muito sabidos e certamente já pararam para pensar que Cachoeira tem, sim, um poder tentacular, mas é apenas um “operador” de médio porte. Imaginem a que altitudes chegam os verdadeiramente profissionais, os “grandes”.

Enquanto o sistema brasileiro estiver organizado para que o poder de turno crie dificuldades, haverá gente disposta a comprar facilidades — porque o estado estará tomado de mercadores.

 

Alô, Brasília, que vergonha!

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PugginaEm artigo anterior, com o título Cria Cuervos, mostrei como o Brasil foi se tornando um criatório de maus cidadãos, de patifes, mentirosos, velhacos, corruptos, traiçoeiros e dirigentes de igual perfil. Os cuervos, afirmei, são criados por quantos chamam bandido de herói e herói de bandido, combatem a polícia, riem da lei, proclamam a morte da instituição familiar, ridicularizam a virtude, aplaudem o vício, enxotam a religião, desautorizam quem educa ou usam a Educação para fazer política, e relativizam o bem e a verdade.

Observe as movimentações para eleição da presidência da Câmara dos Deputados. Quem for escolhido pela maioria de seus pares, além de comandar a Casa e exercer várias outras atribuições importantes, será o substituto eventual do presidente da República. A disputa se trava entre Rodrigo Maia e Jovair Arantes. O primeiro dirigiu aquela sinistra sessão em que - forçando um poquitopero no mucho a expressão - as dez medidas contra a corrupção se transformaram em regras desmedidas a favor dos corruptos. E fez o possível, Rodrigo Maia, para que tudo acontecesse conforme articulado nos bastidores, inclusive o tardio horário em que se desenrolou a escabrosa parte deliberativa da sessão. Do segundo, é dito que representa o centrão, grupo de deputados do baixo clero, cuja principal atividade parlamentar seria usar os votos e o poder do bloco para intercambiar favores que, na maior parte dos casos, não se distinguem de meros negócios. Tudo indica que estamos lidando com títulos de estampado valor de face.

A essas alturas, impõe-se perguntar se não há naquele plenário alguém com estatura para o cargo. É claro que há. E não são poucos, embora não sejam muitos nem em número suficiente, os homens e mulheres que honram seus mandatos e os exercem com integridade, voltados ao bem do país. No entanto, eventuais disposições para concorrer à liderança maior da casa, que entre eles surjam, tropeçam num grande obstáculo. Nesse parlamento dominado por indivíduos de péssimo caráter é muito difícil a uma pessoa de bem articular, ao seu redor, um grupo que viabilize suplantar, em votos, os atuais disputantes. Sei que há iniciativas. Tomara que funcionem. Mas o cenário que desenho é real.

A sociedade que cria corvos é a mesma que os elege. E a experiência já mostrou que, no atual quadro institucional e moral do país, se o Poder Judiciário não afastar do poder os criminosos, não há lei de "fidelidade partidária", nem da "ficha limpa", nem projeto das "dez medidas", nem o que mais ocorra à criatividade nacional, que consiga aprimorar o tipo de representação política da nossa sociedade. Chega a ser ridículo. O Brasil foi levado para essa perdição como um adolescente conduzido por más companhias.


Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

Violencia X Educação

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Escritor Luiz"Se não tivermos escolas em condições de receber os estudantes, se não tivermos professores bem pagos e um conteúdo curricular minimamente apropriado, não podemos esperar que tenhamos cidadãos educados, esclarecidos, produtivos e honestos"

 

Há algum tempo, uma apresentadora de telejornal, ao chamar mais uma das tantas matérias sobre o abandono das escolas, por parte do Estado, disse uma coisa muito importante, para a qual venho chamando a atenção faz um bom tempo: se não tivermos escolas em condições de receber os estudantes, se não tivermos professores bem pagos e um conteúdo curricular minimamente apropriado, não podemos esperar que tenhamos cidadãos educados, esclarecidos, produtivos e honestos.

 

Com a violência, o banditismo e o tráfico de drogas se intensificando cada vez mais, a apresentadora responsabilizou o abandono da educação pela formação de terroristas e bandidos. E esse abandono é visível para quem quiser ver, conforme a televisão e os jornais vem mostrando: escolas estaduais interditadas por absoluta falta de condições de receber alunos e professores, caindo aos pedaços, literalmente.

Todo ano é a mesma coisa: com quase três meses de férias escolares, o Estado deveria providenciar, nesse espaço de tempo, para que fossem feitas obras de reforma em várias escolas públicas. Mas não é o que acontece. As aulas iniciarão e as escolas continuarão, muitas delas, em mau estado. O que será das crianças que precisam estudar? Vão entulhar dezenas de estudantes em pequenas e precárias salas, piorando ainda mais a qualidade do ensino que já vem sendo sucateado pelo poder público, a nível nacional, há tanto tempo?

Como disse a apresentadora, com esse tratamento à educação, como não esperar a escalada de terrorismo que vem se instalando pelo mundo? E o descaso não é só com a educação. É com a saúde, com a segurança, com tudo. Não temos policiais nas ruas. Não há policiais suficientes e os que existem estão prestando serviço em gabinetes de repartições públicas, para políticos, na maior parte das vezes. No que diz respeito à saúde, as pessoas continuam empilhadas nos corredores de hospitais, esperando, esperando e esperando para serem atendidas. Morrendo à espera. Sem médicos, sem enfermeiros, sem equipamentos, sem remédios, etc.

Senhores administradores da coisa pública, em todos os níveis, está na hora de dizerem a que vieram. Está na hora de trabalharem, de fazer o seu trabalho. E quanto a nós, cidadãos e eleitores, está na hora de cobrarmos providências, de tomarmos providências. Já é hora de se fazer alguma coisa. Já está mais do que na hora. A corrupção e o abandono, o descaso com a coisa pública e com o povo, finalmente conseguiram falir o Brasil?

 

  Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 36 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Dez anos de Projeto Juazeiro: Missão cumprida

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fernandopcdobNo final do ano de 2006, a exatos 10 anos, nós, do PCdoB, entendemos que seria possível e oportuno criar uma alternativa política administrativa para Juazeiro, a fim de superar os dois grupos políticos que se revezavam no poder há mais de 20 anos e que estabeleceram um sistema político antidemocrático, que privilegiava clubes de seletos amigos e familiares e promoviam o culto a seus respectivos caciques, em detrimento do desenvolvimento econômico e social do município.

Em 2007, Isaac se incorporou a esse projeto e terminou por vir a ser seu candidato e com ele obtivemos duas grandes vitórias eleitorais.

Boa parte do sonho sonhado pelo PCdoB há 10 anos se tornou realidade, com Juazeiro experimentando forte crescimento econômico e social, fruto do árduo trabalho de toda a competente equipe que fez a gestão pública nesses 8 anos, pela decisiva participação dos partidos que compuseram a vitoriosa frente democrática e pelo movimento popular que também fez parte desse projeto.

Tenho muito orgulho de ter participado ativamente de todo esse processo, desde a concepção da idéia e de sua concretização ao longo de uma década.

Agradeço a todos vocês a oportunidade dessa rica convivência, cheia de ensinamentos e significados, homenageio os partidos aliados, o fazendo em nome de Pedro Alcântara, então presidente do PR em 2008 e parceiro de primeira hora, ao PT, na pessoa de Irmão Francisco, que compôs brilhantemente nossa chapa como vice-prefeito no segundo mandato e a Dra. Dulce, do PDT, nossa atual vice-prefeita, parceira de muitos anos. Saúdo o movimento popular que de maneira aguerrida participou de todo esse processo, o fazendo em nome dos combativos companheiros do Sindicato dos Trabalhos Rurais, dos amigos do movimento dos catadores de materiais recicláveis, símbolo de resistência, e de nossa entusiasmada juventude da UJS.

Faço ainda uma homenagem à militância do meu Partido, o PCdoB, o fazendo em nome do Dep. Fed. Daniel Almeida, liderança reconhecida nacionalmente e que tão bem representou Juazeiro, abrindo as portas dos Governos dos Presidentes Lula e Dilma, em Brasília, que fizeram os grandes investimentos para o crescimento de Juazeiro.

Por fim, desejar ao camarada Paulo Bomfim e à nova equipe de governo muito sucesso na condução dessa nova fase de nosso projeto, onde, sem dúvidas, haverá de se aperfeiçoar o processo democrático, com mais incorporação e presença das forças políticas, do movimento popular e dos cidadãos de Juazeiro.

Grande abraço.

Fernando Dantas