Nosso presente para 20 anos!

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“As grandes esperanças moram em horizontes distantes e ainda desconhecidos”.

Dom Paulo Evaristo Arns

E o golpe continua... Se não foi golpe antes, é golpe agora! O Brasil está entregue a própria sorte e nós brasileiros inertes, não por vontade própria, mas por ser própria a vontade do governo em insistir fechar os olhos e os ouvidos aos reclames da população. Fim de ano, festas e confraternizações, amigo (inimigo) oculto ou não, recesso! O que mais o país precisa? Do 12º mês do ano ao 2º do próximo é só festa...

Do Natal ao Carnaval o povo hiberna, vive num estado de letargia magnânima, até parece que o país não está em crise, não atravessa por problemas reais, que para os defensores do erro, são “imaginários”. Não temos dívida pública exorbitante, não temos corrupção, lavagem de dinheiro, peculato, tráfico de influência e outras mesmices mais, que de tão acostumados a ouvir no jornalismo global, já faz parte do nosso vocabulário do dia-a-dia.

Parece retórica, mas não é. Retórica e das mais absurdas é um Congresso Nacional ignorante, subserviente e corrupto. Votar medidas extremas, incabíveis, impopulares, na calada da noite, (Epa! Não podemos esquecer que eles trabalham na madruga), isso sim é uma retórica que soa muito estranho para a sociedade. Até porque quem lê? Quais membros de comissões se dão ao trabalho de ler cada linha dos famigerados projetos do executivo, e das PECs inconsequentes?

Somos ludibriados de todas as formas, e o nosso presente de fim de ano, ou melhor, do fim do mundo, ou mesmo do FIM, é para aproveitarmos durante 20 anos. Pouco né? Imagina se fossem 40 ou 50, até temos que agradecer porque duas décadas passam rápido, e neste “intervalo” perda de conquistas; atentado aos direitos básicos da população; estagnação de um futuro promissor para nossos jovens universitários, que sonham com concurso público; uma aposentadoria fadada à miséria a caminho da morte... Entre tantas outras perdas civis que o país infelizmente terá que engolir por 20 anos.

Quanto negativismo caro editor! Concordo, mas fazer o que? Esse é o nosso presente, e o futuro? Não pertence a Deus, ao contrário do que pensam os mais crentes. De fato os horizontes são mesmo distantes e ainda desconhecidos para a morada das grandes esperanças!

FELIZ 2017!

 

2 Marca do Jornal

Paulo Arns inspirou outros Bispos

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João Baptista HerkenhoffDom Paulo Evaristo Arns foi um Bispo que, sem perder o sorriso e o ar angelical, enfrentou as baionetas da ditadura.
Por ser Cardeal Arcebispo na maior capital brasileira, sua voz repercutia. A censura não tinha poder para silenciá-lo. Se tivessem a petulância de calar seus protestos, suas denúncias repercutiriam com redobrado eco pelo mundo afora.
O desmembramento da Arquidiocese de São Paulo, através da criação de dioceses menores, não reduziu sua influência. A autoridade moral de Paulo Arns superava limites territoriais. Mais que um Arcebispo de São Paulo, ele era um Arcebispo do Brasil, como Dom Hélder Câmara. Tiraram Dom Hélder do Rio de Janeiro para ser colocado em Recife, onde supunham que seu peso nacional seria menor. Mas a voz profética de Hélder Câmara ultrapassou todas as fronteiras.
As notícias e artigos sobre o falecimento de Dom Paulo Arns atribuíram-lhe vários epítetos: último Quixote do Pacto das Catacumbas, o Cardeal da Esperança, ícone progressista da Igreja no Brasil, o homem que a ditadura não silenciou
Dom Paulo, mesmo morto, continua sendo um símbolo das maiores altitudes que um ser humano pode alcançar. Ali, onde o arbítrio tentar intimidar, seja em plano nacional, regional ou local, Paulo Evaristo vai encorajar.
Numa capital bem menor que São Paulo, num Estado espremido entre o Estado do Rio e a Bahia, dois Bispos seguiam a mesma trilha de Paulo Arns: João Baptista da Motta e Albuquerque e Luís Gonzaga Fernandes.
Dom Paulo criou em São Paulo a Comissão de Justiça e Paz, órgão de combate integrado por leigos. Dom Luís Gonzaga, com apoio de Dom João, criou no Espírito Santo comissão similar, cuja sigla era CJP.
As ações da CJP capixaba, se não tinham a mesma reverberação da CJP paulista, seguiam a mesma linha de vigilância e ação sem tréguas. Tudo que acontecia no Morro de São Francisco, onde Dom João residia e trabalhava e onde se reunia a Comissão de Justiça e Paz, era acompanhado por agentes disfarçados, com auxílio de tecnologia norte-americana. As caminhadas dos membros da CJP pelas ruas da cidade e os lugares frequentados eram minuciosamente registrados.
Seria impossível haver CJP na terra do Convento da Penha, se não houvesse CJP na terra de Dom Paulo Arns.
Dom Paulo foi um inspirador e um pedagogo da resistência no Brasil. Sua influência não se restringiu ao universo católico. Sem Paulo Evaristo Arns (bispo) não haveria o mártir Vladimir Herzog (judeu).
 
João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado (ES) e escritor.

Fidel Castro

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Faleceu Fidel Castro. A partir da homenagem a sua memória, escrevo este artigo.
Diferenças de concepções religiosas ou ideológicas não devem impedir a fraterna convivência humana.
Cada pessoa pode ter sua Fé, sua visão política, sua receita para os problemas sociais, sua maneira de decifrar os mistérios da vida, sem que essas divergências impeçam o diálogo e a busca de eventuais identidades.
Acho que a Humanidade avança se, no campo da Fé, prevalece uma visão ecumênica e se, no campo da ação concreta, unem-se todos aqueles que desejam um mundo mais justo, mais igualitário, mais humano.
Com relação a Cuba, que está enlutada, reconheça-se a grandeza desse pais: pequeno no tamanho, porém imenso na dignidade. Respeitem-se as opções adotadas naquela ilha. Tenha nossa reprovação tudo que se fez no passado, ou que se faça hoje, para dificultar os caminhos da Revolução Cubana.
Mesmo morto Fidel Castro, ainda é tempo de proclamar a injustiça das proscrições, a falsidade dos argumentos que pretenderam negar o óbvio, qual seja, por exemplo, o sucesso do regime cubano nas áreas da saúde e da educação.
Que coisa linda este troféu que, com orgulho, Cuba exibe: "A cada ano, oitenta mil crianças morrem vítimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana. Cada noite duzentos milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana".
O bloqueio norte-americano, sofrido por Cuba durante décadas, é inaceitável. A base militar de Guantánamo não é apenas uma agressão à soberania cubana. É um acinte ao mundo.
Escreveu Leonardo Boff: O sistema imperante, de viés capitalista, diz que não há alternativa a ele, pois que representa a culminância das sociedades humanas. Fidel Castro mostrou que com o Socialismo pode haver um modelo diferente daquele do Capitalismo, hoje em radical crise. A fúria dos USA contra Cuba e Fidel, para destruir o socialismo cubano, era para mostrar que não pode haver uma outra alternativa.
Boff testemunhou ter Fidel confessado: “se no seu tempo houvesse a Teologia da Libertação, teria assumido esta leitura para montar a sociedade cubana.”
Sob pressão da Guerra Fria, Fidel foi obrigado a ficar do lado da URSS e assumir o Marxismo. Leu, entretando, e anotou obras de Gustavo Gutiérrez, Betto, Clodovis e Leonardo Boff. Os livros que leu estavam todos anotados com notas marginais. Certamente hoje essas preciosidades irão para um museu.
Durante o tempo de “silêncio obsequioso” imposto a Leonardo Boff, num gesto de tirania nazista do Santo Ofício, Fidel convidou Boff a passar quinze dias de férias com ele na ilha, para aprofundar as questões da religião, na América Latina e do mundo.
João Baptista HerkenhoffJoão Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado e escritor. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

A importância da leitura para crianças e jovens

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Alexandra Vieira de Almeida1A junção entre palavra e imagem permite que as crianças e os jovens acionem o seu universo simbólico. O imaginário destes seres é muito mais propenso à curiosidade e ao reconhecimento de novas trilhas, pois eles envolvem uma gama variada de significados abertos à imaginação latente.

O público infanto-juvenil geralmente se aventura por vários autores por sua qualidade lúdica. No entanto, a leitura não pode ter um engessamento habitual. É necessário que a liberdade pela brincadeira com as palavras e imagens leve estas pessoas a recriar o universo do simbólico pelas suas próprias mentes criativas.

A criatividade é o fator mais forte nesse aspecto. Ler se torna uma lâmpada que desbrava zonas escuras e desconhecidas. As crianças e jovens possuem esta luz que ilumina os labirintos da imaginação. Percorrem os caminhos e refazem novos até chegarem ao fim do caminho que pode ser retomado com novas lâmpadas que aquecem as histórias maravilhosas para estes indivíduos.

A leitura os tornam criadores de universos reais e imaginários. Por meio dela, os jovens preenchem uma palavra sugerida, uma imagem rica, fazendo do livro e de suas vidas uma conjunção repleta de significados amplos. 

É como se o barco de papel carregasse um alfabeto mágico, cheio de combinações e possibilidades pelas consciências inventivas das crianças e jovens. O barco percorre o rio do simbólico e cabe a eles preenchê-lo com novas histórias. Eles, sim, são inventores de novas trajetórias, novos pontos de encontros e desencontros.

Por esse motivo, desde cedo, os pequenos devem “respirar” histórias. As palavras devem fazer sempre parte da vida das crianças como um caminho para o pleno e educativo amadurecimento. É na infância e na adolescência que se forma possíveis inventores, criadores, enfim, mestres da vida. Eles precisam da leitura para que o crescimento intelectual se dê de forma sadia, eficaz e plena.

Esse prazer leva-os a encontrar o desenvolvimento da própria experiência. É como se no espelho encontrássemos múltiplas cores, múltiplos conhecimentos, várias vivências que eles vão construindo ao longo da leitura, produzindo-se, assim, universos multifacetados, que são reflexos de suas potencialidades imaginativas. 

A potência nesta fase é imensa como o mar mais vasto que percorre as linhas e imagens destes livros maravilhosos que são produzidos só para eles. A literatura infanto-juvenil é uma semente rica em novas árvores em seu amadurecimento. Cabe aos adultos plantarem estas sementes nas crianças e jovens para elas frutificarem. A leitura é a potência que frutifica estes aspectos. Então, que venham cada vez mais livros para as crianças e jovens.

 Por Alexandra Vieira de Almeida – Escritora e Doutora em Literatura Comparada (UERJ)

Como lidar com a desobediência

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criança desobediente2Seu filho é desobediente? Às vezes você tem a sensação de que ele sequer ouve o que você diz? Já não sabe mais o que fazer? Trata-se de uma queixa muito frequente. Alguns especialistas comentam que isso é normal em crianças pequenas e que, na verdade, esses comportamentos podem indicar um problema de comunicação entre pais e filhos.

 

Para o professor Carlos Nadalim, coordenador pedagógico e organizador do site “Como Educar seus Filhos” (www.comoeducarseusfilhos.com.br), a obediência das crianças precisa ser conquistada pelos pais. “É possível melhorar o relacionamento com elas, mesmo quando parece ser bem difícil”.

 

Para isso, é importante entender como lidar em cada situação. Nadalim diz que muitos pais, por não saberem como reverter um quadro de desobediência ou birra, acabam deixando de lado os acontecimentos ou brigando ainda mais com a criança. “É fundamental que a família saiba como agir diante de cada atitude adversa dos filhos, orientando-os sempre de maneira adequada”.

 

A primeira dica de Nadalim para mudar esse quadro é empregar uma linguagem positiva e evitar responder às ações tidas como indisciplinadas sempre de maneira negativa e por meio de ordens. “Se seu filho está correndo dentro de casa, em vez de lhe dizer ‘Pare de correr! Não corra dentro de casa!’, você pode expressar-se de outra maneira, dizendo algo como: ‘Aqui na sala se anda. Lá fora é o lugar de correr!’. Dessa forma a criança entenderá que não é a ação que é proibida, mas o local” - explica. Em casos assim, o “não” pode ser entendido como uma ameaça, o que faz com que a criança se feche.

 

Outra dica é tentar trocar o “se” pelo “quando”. Por exemplo, se um pai diz ao filho: “Se você comer toda a salada, vai ganhar a sobremesa”, transmite a ideia de que a criança tem a opção de não comer a salada, embora nesse caso fique sem a sobremesa. Porém, utilizando o “quando”, o foco é outro e cria-se uma expectativa de obediência: “Quando você terminar de comer a salada de brócolis, eu lhe darei a sobremesa”.

 

A terceira dica é nunca emitir uma ordem longe de seu filho. Nadalim explica que, primeiro, você deve se aproximar da criança e depois emitir a instrução, sem gritar. Quando o pai ou a mãe berra da sala para o filho que está no quintal “Filho, venha logo! O jantar está pronto!”, esse tipo de postura dá a impressão de que o chamado não é tão importante assim, comenta Carlos. Seria melhor ir ao encontro da criança e, inserindo-se brevemente na atividade em que ela está envolvida, dizer-lhe com firmeza e autoridade que o jantar está servido, fazendo-o, contudo, sem elevar a voz. “Depois do aviso, saia do ambiente onde está seu filho. Ele entenderá que a instrução é realmente séria”.

 

A quarta e última dica é respeitar o tempo da criança. “Caso ela esteja brincando e você preparando o jantar, você estabeleceu um objetivo (terminar o jantar), mas seu filho, brincando, também criou objetivos, estabeleceu metas. Você precisa dar-lhe a oportunidade de terminar a atividade para depois obedecer a sua ordem” - ressalta.

 

Obviamente o comportamento das crianças não vai mudar da noite para o dia. Mas, empregando com paciência e persistência essas simples alterações na forma de se comunicar com elas, os pais certamente obterão bons resultados.

 

 

Joyce Nogueira/Foto: Divulgação