Satisfeito e muito emocionado o prefeito eleito de Casa Nova emitiu a seguinte nota:

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WilkerEm primeiro lugar não poderíamos  deixar de agradecer a Deus por honrar nossa luta com essa aprovação do povo nas urnas, agradecer a cada um dos soldados que, juntos, vestiram a camisa do 40 e partiram pra luta. De fato a vontade do povo é a vontade de DEUS, muitas dificuldades foram encontradas, muitas provocações e perseguições. Porém quanto mais árdua a luta, mais a vitória tem sabor de mel… Lembrando que a aprovação do povo nas urnas não significa dizer que a vitória esteja completa, pois o que conquistamos nas urnas foi um voto de confiança do povo que escolheu um novo líder, delegando-nos poder para executar um governo  que será testado pelos verdadeiros donos do poder (povo). Contudo, nesse momento peçamos sabedoria, discernimento, força, muito amor e muita paz para devolver esse grande gesto de confiança do povo em forma de trabalho, compromisso com o social e, acima de tudo, respeito para com o povo.

Aqui devemos salientar que um prefeito eleito deve governar para todos, e não somente para àqueles (22.121 votos) que confiaram no nosso projeto de governo. Visto isso a nossa luta não termina aqui, muito pelo contrário… Agora iremos de fato nos preparar para cumprir com a missão que nos foi delegada, munidos de fé em Deus, força de vontade e muito compromisso para dignificar o voto de cada cidadão casa-novense que nos consagra para essa missão ímpar de liderar uma sociedade. Para tanto conto com o apoio de toda sociedade e do legislativo constituído pelo voto direto do povo. Que juntos possamos construir um governo atuante, transparente e comprometido com as causas sociais. Obrigado a todos que colaboraram de forma direta e indireta, às lideranças que apostaram na nossa vitória que é a vitória do povo.

Wilker Torres

O lugar da Política é a escola

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DANIEL MEDEIROS 1Há 32 anos sou professor de História. Quando comecei, no distante ano de 1983, os brasileiros haviam acabado de votar para governador e a emoção foi assim, parecida com um beijo. Votar é voltar ao sonho de se sentir cidadão, partícipe, condômino da grande e confusa nação brasileira. E eu, jovem e exultante, na sala de aula, dividia com meus alunos e alunas esse entusiasmo desse testemunho diário de um país em transformação.

Vieram as grandes manifestações e cada esquina era um palanque, cada grupo de três era um partido com ideias, propostas, sonhos, querendo arrebentar a película cada vez mais fina da impossibilidade. Um entusiasmo só. Na escola, as aulas de História aproveitavam os Tiradentes, os Deodoros, os Getúlios, os Juscelinos e ainda, os Luiz Gama, os Andrades (não o José, mas Mário e Oswald), os Astrogildos, os Franciscos (Julião e Buarque) para falar em projetos e concretudes, desejos e realidades, em um carnaval de política.

Sim, política. A escola virava uma ágora. Sim, uma ágora, aquele lugar no qual os atenienses soltavam a voz em busca do consenso que é o resultado da voz, da fala, do discurso, do argumento, do bom combate, da aceitação, da recusa, da construção de um fim comum que, de resto, guarda um pouco de mim, de você, do outro que não conheço mas que – aleluia! – é algo de todos e sim, assinarei e passarei a defender com a alegria do “nós”, tão mais rico e profundo que a solidão do “eu”.

E então veio a morte do velho político e o governo do velhaco, a crise econômica, as decepções, a corrupção,  o sopro do arrependimento, as sereias com seus cantos autoritários e tudo isso foi para a sala de aula. Outras crises vieram à tona nos debates com alunos, outras experiências com suas permanências e mudanças, quantos aprendizados as manchetes dos jornais, os debates das tribunas, as críticas dos comentaristas traziam para àqueles jovens que depois de décadas de ditadura tentavam, afoitos e sem fôlego, na neblina e sem mapa, orientarem-se naqueles tempos novos e turbulentos.

Eu, como professor, era voz e ouvido. A escola, termômetro e pulsação. Os alunos, protagonistas desorientados. E o passado era o conselheiro de reflexões e atitudes.

E veio a Constituição cidadã, as eleições para presidente, com as torcidas e debates, mentiras e expectativas, as sereias do medo ecoando em tantos ouvidos, a ignorância como muralha para tantos e nós, professores de História, faróis tortos lançando luzes baças e inseguras. Foi o tempo de aprendizado de que ser professor é buscar a multiperspectividade, a problematização permanente, a coragem de que a sua opinião não é a resposta que o aluno quer ouvir, mas a resposta que ele quer ouvir é o conhecimento consistente que o ajude a ter a própria opinião.

E veio o impeachment e as salas de aula ferveram novamente e o aprendizado se aprimorou. O passado da Brasil, do mundo, como mapa de referencia; os olhares para a Economia, a sociedade, a cultura, a Constituição, febris em busca de orientação. O futuro era a urgência do momento. O que fazer? Como esse professor pode me ajudar? E a profissão que escolhi para mim dava-me grandeza e exigia sobriedade e envolvimento. E como foi empolgante e recompensador!

E assim foram os anos de FHC, Lula e Dilma. E assim é até hoje. A escola como o lugar da Política, a escola como espaço público e como formação para os demais espaços públicos. A escola como lugar de aprendizado, a escola como lugar de troca. A discussão democrática, o debate respeitoso, o ardor e a frustração como partes do processo da construção do consenso que é a única saída, a última saída.

Sem a escola, a Política não avança. Sem a Política, a escola perde parte importante de sua função.

Só as sereias com seus cantos autoritários dizem o contrário, atraindo os incautos para as rochas . E só a escola e suas aulas de História são capazes de ensinar o que são, realmente, as sereias.

Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica pela UFPR e professor de História no Curso Positivo.

Isso é muito sério e de sua conta também

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Aquífero GuaraniAconteceu no último dia12/09/2016, a reunião do conselho do Programa de Parceria e Investimentos (PPI), onde foi definido a privatização do Aquífero Guarani. As negociações com as multinacionais Nestlé e Coca-Cola, já vêm ocorrendo “a passos largos”.
Para quem não sabe o Aquífero Guarani é a MAIOR RESERVA DE ÁGUA DOCE DO MUNDO, compartilhado entre Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina. 
 
Trata-se de um reservatório colossal de águas subterrâneas, com área total de 1,2 milhões de km², ressaltando que dois terços da reserva estão em território brasileiro, no subsolo dos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 
A importância estratégica do Aquífero para abastecer a humanidade desperta a ganância do capital de diferentes setores em todo o mundo e os golpistas justificam a privatização dizendo que “a água é como recurso natural dotado de valor econômico e não como bem comum da humanidade e direito humano fundamental, como defendem as organizações e movimentos sociais”. 
Todos os brasileiros devem buscar informações sobre o valor incalculável do Aquífero Guarani, sobre a sua importância para a população, sobre a riqueza que representa para o Brasil. 
 
Este recurso capaz de abastecer indefinidamente a 360 milhões de pessoas está ameaçado pela ganância e sede de privatização dos golpistas, que enriquecem cada vez mais às custas da miséria e da desgraça alheia. A sociedade não pode permitir mais esse ataque à soberania nacional.
Está na agenda dos golpistas privatizar as empresas públicas como Petrobrás, Eletrobrás, Correios, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES (não é atoa que escolheu Maria Sílvia Bastos Marques para ser a presidente do BNDES: ela foi uma das comandantes das privatizações do governo FHC) , pré-sal (nosso maior recurso para educação e saúde), SUS, saneamento, educação, etc. Sem falar na liberação para 100% de participação do capital estrangeiro no controle de companhias aéreas brasileiras, sem falar na liberação da compra por estrangeiros de terras no país, sem falar da abertura para a iniciativa privada da construção e operação de usinas nucleares, algo que, pela nossa Constituição, é monopólio do Estado. Sem falar que...O País fica sem soberania sobre as suas riquezas naturais e sobre o que sobrou do seu patrimônio, da era FHC.
Os golpes de Estado aplicados pela ultradireita nos países da América Latina, e no mundo, só têm um objetivo: LEVAR DE BANDEJA A PREÇO DE BANANA OS NOSSOS MAIORES BENS PATRIMONIAIS, BEM COMO AS NOSSAS RIQUEZAS NATURAIS. 
Leia este artigo (link abaixo) e veja porque o interesse da Nestlê e da Coca Cola no Aquífero Gaurani
Este assunto deveria estar na pauta de discussão de todas as escolas, faculdades, cursos de pós graduação e etc, por todo o País.
Tá na hora de acordar Brasil!!!!!

A Pátria Folclórica

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A Pátria Folclórica

- Crônica da Independência -

Paulo CarvalhoDepois da marcha... O de sempre!  

É a nossa caminhada idolatrada, salve, salve! Nossos políticos, por exemplo, representam muito bem essa empreitada patriótica infalível e ao mesmo tempo sem sentido. Crianças, jovens e adultos, na certeza do amor cívico, levantam bandeiras, entoam hinos, ornamentam escolas, alegorias, indumentárias, evoluções, fanfarras e bandeirolas coloridas; o verde & amarelo ainda povoando os sonhos de verdadeira democracia.

Depois da marcha... O de sempre!

E as nossas escolas, instituições e autoridades ainda alimentam a obediência civil e cega a uma nação, que se não estivesse atolada na corrupção intragável, poderia até ser chamada de Pátria-Mãe, porque aonde tiver um filho teu sem fuga à luta, ali estará o acolhimento de sua mãe, oferecendo em seus braços todos os direitos acessíveis: saúde, educação, trabalho e dignidade. O povo sensível às mudanças, e que nunca perde a esperança de ver um país melhor, sempre está presente na história de sua nação. E por isso mesmo, esquece dos atentados sociais que sofre no dia-a-dia, como o salário de miséria, cestas políticas, má educação, sistema precário de saúde, entre tantos outros massacres.

Depois da marcha... O de sempre!

Levantar bandeiras brasileiras, resgatar tradições ou louvar a mesmice comungada com os desleixos sociais do Brasil; nada disso deveria constar como motivação dos estudantes, artistas, professores, ativistas e o povo em geral, numa data cansativa, e tão fantasiosa em relação à realidade que nós vivemos. Não estamos pregando o anticivismo, e nem queremos com isso acabar com as tradições históricas do 7 de setembro em todo o país, estamos sim, preocupados com a continuidade didática, sujeitando nossas crianças e jovens à apenas um capítulo de nossa história. Hinos, lutas e glórias, os mártires escolhidos pelo próprio sistema da época, forçados às decisões políticas de um passado obscuro e hipócrita, que as escolas, orientadas pelas instituições governamentais, insistem em escondê-lo, quando não disfarçam suas verdadeiras motivações heróicas. 

Ao sabor do povo

       

Depois da marcha... O de sempre!

E o de sempre, sempre cansa, e a sociedade aplaude de pé, debaixo de chuva ou sol, num consumismo desolador, a Pátria! Mas pelo menos para uma coisa a festa civil presta: para mobilizar aqueles trabalhadores de rua, como as bancas de bombons; carrinhos de picolé; ambulantes com isopor; barracas de acarajé; carrinhos de milho verde e mungunzá, entre tantas outras atividades comerciais, que encontram nesses eventos abertos oportunidade de renda. E assim, a festa continua representada pelo povo e ao sabor do povo. Porque para os políticos e autoridades civis e militares, o dia da Pátria é apenas o cumprimento de uma agenda de trabalho, é o que eles vivem no dia-a-dia, e assim apresentam para a comunidade as suas atividades em dia de gala.

O que não entendemos é o comportamento político de nossos gestores; eles que usando a data conseguem impor seus caprichos, suas vaidades, suas metas, e com isso limitam em seu território as manifestações de protesto, de luta e solidariedade aos verdadeiros mártires de nossa independência diária: trabalhadores honestos, desempregados; marginalizados; grupos de apoio a idosos maltratados; militância estudantil e apolítica; grito dos excluídos; movimentos comunitários, entre outras formas contrárias à arbitrária festa do civismo enganador.

Mas, depois da marcha... 

 

* Paulo Carvalho - jornalista e escritor.

Enquanto o povo chora... eles riem de que?

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cardoso aecio e dilma

Foi estafante e cansativo o longo período em que se desenvolveu o processo histórico de impeachment da Presidente Dilma Rousseff, que chegou ao fim no último dia 31 de agosto, com o impedimento aprovado pelo Senado Federal pelo placar de 61 x 20. Embora o desfecho provoque dor e ressentimento a quantos integram a corrente de pensamento da base de sustentação do projeto político-partidário que a conduziu à Presidência da República, posição que democraticamente respeito, o grupo pagou um preço alto por não entender que o exacerbado populismo políticonão sesobrepõe às Leis do País.

Não tenho qualquer apreço pessoal por esse tipo de transição governamental, ainda que, mesmo devidamente enquadrada em dispositivo constitucional (Art. 85 e 86-Caput, da Constituição Federal de 1988 e Lei 1079/1950), sempre será classificado por aqueles contrários ou diretamente atingidos, com a fantasiosa denominação de “Golpe”. Se houve o rigoroso cumprimento de um rito estabelecido, acompanhado e supervisionado pela mais alta Corte de Justiça do país, o Supremo Tribunal Federal, além dos capítulos finais do processo terem sido conduzidos pelo seu Presidente, como exige a lei, como se interpretar esse processo como um Golpe?

A grande questão que envolveu os longos debates, e que levou a Presidente à perda do mandato, é a acusação de que cometeu crimes de responsabilidade, não admitidos pela Constituição Federal. Está bem evidente que estão lado a lado no processo os aspectos jurídicos e políticos, mas há muitos outros problemas de má gestão pública, acusação de caixa dois, falta de transparência quanto a um rombo financeiro de grande expressão, ocultação de uma realidade econômica com fins eleitoreiros, dentre outros, que também poderiam estar presentes na acusação. E, por incrível que pareça, não estão!

Já era tempo de se alcançar uma solução, porque a crise decorrente da instabilidade e insegurança institucionais somente agravam ainda mais a situação econômica. O país está parado e pelo menos definindo-se um comando para o Governo, espera-se que haja uma retomada do trabalho e da produção. O que se deseja agora é que os empreendedores readquiram a confiança perdida e recuperem a disposição para novos investimentos, a fim de que nossos trabalhadores desempregados reencontrem os caminhos para a sobrevivência e sustentação da família.

Conquanto todas as etapas do julgamento tenham obedecido ao rito pleno de formalidades no cumprimento da Constituição Federal, uma decisão quebrou toda essa liturgia e surpreendeu a quantos assistiam à sessão em todo o Brasil. Refiro-me ao Destaque para a votação em separado da inabilitação da Presidente, pós afastamento, quando é conclusivo o Art. 52, da Constituição Federal, que estabelece:

Parágrafo único. (...) limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.

É notório que a decisão produziu uma peça de dupla interpretação para o mesmo crime, se lembrado que o impeachment do Fernando Collor, em 1992, mesmo tendo renunciado antes do julgamento final, o Senado o julgou e o impediu de desempenhar funções públicas por oito anos! Ora, foi visível o ar atônito de alguns Senadores surpresos com a repentina explosão de bondade subjetiva do Senador Renan Calheiros, ao se manifestar de forma não esperada e dramática contra a inabilitação da presidente! Uma demonstração inequívoca de que é mais confortável ficar “em cima do muro” ou, quem sabe, pavimentar a possível blindagem da ex-presidente em algum cargo público, o que significa uma deplorável acomodação, seja no presente ou no futuro bem próximo...!

Não existe qualquer rancor contra a Presidente defenestrada do cargo, além do júbilo natural pela sua saída. Já deixei bem evidente em outros artigos que também não morro de amores pelo presidente empossado, por entender que existe a sua responsabilidade solidária com as falhas e mazelas deixadas pelo governo PT/PMDB, desde a sua parceria na chapa eleitoral de 2010 e 2014.

Mas não é só isso. Por mais que se pretenda dar alguma definição razoável à imagem da ilustração deste texto, parece-me uma tarefa das mais difíceis. A foto registra um instante do intervalo na audiência no Senado em que a presidente Dilma Rousseff se defendia, justamente quando os debates eram acirrados e até agressivos. A intenção de demonstrar elegância política, talvez? Contudo, faço uma leitura diferente, conforme o título do texto: “ENQUANTO O POVO CHORA... ELES RIEM DE QUÊ? ”, como constatação da triste realidade praticada no universo político, onde os interesses pessoais ocultos sempre prevalecem.

AUTOR: Adm. Agenor Santos, Pós-Graduação Lato Sensu em Controle, Monitoramento e Avaliação no Setor Público (Salvador-BA).