Pescadores de Casa Nova

Publicado em Casa Nova

Pescadores que se cadastraram de última hora vão receber o montante de 4 salários mínimos.

Só do município de Casa Nova foram 500 pescadores contemplados com o beneficio, depois de uma luta incansável do presidente da Colônia Z-42, Cícero Reis.

Geralmente os pescadores têm até o mês de outubro para dar entrada no seguro de defeso da pesca para receberem quatro salários mínimos durante os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. Por alguns motivos, centenas de pescadores não deram entrada nos seus seguros, mesmo sabendo que uma equipe do Ministério do Trabalho era destinada aos municípios para prestar o serviço.

Diante de tal situação, os presidentes das Colônias de Casa Nova, Sobradinho e Sento-Sé, pressionados pelos retardatários, começaram uma mobilização para que os mesmos conseguissem dar entrada nos seus seguros e depois de muito corre-corre, dezenas de requerimentos a quem de direito e com competência para contribuir na causa, a Superintendência do Trabalho e a Gerência Regional abrem uma exceção para atender a reivindicação dos pescadores.

Pelo fato de a Gerência Regional em Juazeiro não dispor de pessoal suficiente para atender a demanda, a Superintendência deslocou uma equipe da capital e de outras unidades que estiveram em Juazeiro, onde conseguiu nos dias 25, 26 e 27 atender aproximadamente 1.000 pescadores da região, especialmente de Casa Nova, cerca de 500, e os demais de Sobradinho, Sento-Sé e alguns de Juazeiro e Curaçá.

A Notícia do Vale conseguiu ouvir o Presidente da Colônia Z-42 do município de Casa Nova, Cícero Reis, o popular Cicinho da Colônia que disse estar satisfeito. “Valeu a luta, porque esses pescadores vão conseguir seus benefícios sem nenhum prejuízo, sem se falar no beneficio dessas famílias que vão conseguir pagar seus débitos no mercadinho, na feira, no mercado, como também a circulação desse dinheiro, que vai servir para aquecer o comércio local e regional”, disse. Só em Casa Nova será aproximadamente quatrocentos mil reais que começarão a circular a partir do mês de março quando cada um desses pescadores receberá o montante de quatro salários mínimos.

Cícero Reis aproveitou o momento para agradecer à Superintendência do Trabalho e a Gerência Regional em Juazeiro por terem compreendido a situação dos pescadores, chegando ao ponto de a Superintendência ceder uma equipe maior de funcionários diretamente de Salvador para se juntar à Gerência em Juazeiro, “e juntas fazer esse trabalho para beneficiar uma categoria tão sofrida que é a do pescador”, justifica.

Explicação da Gerência Regional

A Notícia do Vale ouviu também a chefe de Fiscalização da Gerência Regional em Juazeiro, Cyntia Carvalho, que assim se pronunciou:

“O que acontece é que o período de defeso inicia-se no 2º semestre de cada ano, geralmente em outubro inicia o período que poderia requerer no Seguro Desemprego. Como aqui na Gerência Regional a gente tem um número pequeno de servidores para atender o número de pescadores artesanais da região que a gente tem de atender, que são 44 municípios. Então, geralmente quando se inicia o período de defeso, existe uma organização que é disponibilizada servidores de Salvador e outras unidades do interior que vem num ônibus e esse pessoal vai até as Colônias para fazer o atendimento nas suas localidades”, explicou.

“Como tudo que acontece nesse país, às vezes as pessoas, uns deixam para requerer esse beneficio próximo ao encerramento. Até porque, o que acontece é que esse benefício é para custear o período do trabalhador que fica sem ter acesso à pesca no período da Piracema, de1º de novembro a 28 de fevereiro, só que em janeiro, tem o aumento do salário mínimo e muita gente deixa para fazer de última hora para se beneficiar dessas questões e receber tudo de uma só vez, e com o aumento do salário mínimo. Ao contrario da grande maioria que faz em outubro e recebe mensalmente”, continuou.

“Então, é comum sempre no início do ano ter esse problema e o que tinha sido dito é que não poderia mais atender, e que por último foi alterado, é porque Salvador e outras unidades não estavam mais disponibilizando servidores para atender e o que foi estabelecido que com a quantidade de servidores da Gerência Regional de Juazeiro, não tinha como atender a demanda, foi comunicado a Superintendência em Salvador, assim como também foi solicitado que os presidentes das colônias emitissem requerimentos à Superintendência solicitando servidores para atender à categoria. O que só foi liberado recentemente para dar suporte e na medida do possível, atendê-los”, explicou Cyntia.

Finalizando, a chefe de Fiscalização disse ainda: “a gente se organiza para evitar isso, todos os anos mandamos o nosso pessoal para atender o pescador em suas localidades e evitar esse tipo de transtorno, pessoas se deslocando de tão longe pagando passagem, comendo fora de hora, enfrentando esse calor; vocês que, lamentavelmente, não quiseram usufruir do trabalho oferecido pelo Governo em suas comunidades”.

 

Da Redação