Saída de Neymar ainda causa indigestão em Barcelona

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Internacional

20170906160522407255uÉ com dificuldade e hipocrisia que os dirigentes do Barcelona, acompanhados dos cartolas da Liga Espanhola, estão lidando com a transferência de Neymar para o Paris Saint-Germain. Consternados com a mudança de clube do brasileiro, os dirigentes ainda procuram a imprensa para atacar o atacante e o pai dele.

O anúncio oficial da contratação do brasileiro pelo clube francês completou um mês no último dia 3, tempo que parece não ter sido necessário para a digestão do assunto pelas pessoas que "perderam" o jogador.
Há pouco mais de quatro anos, Neymar chegava ao Barcelona, saindo do Santos, após uma negociação rodeada por dúvidas. O valor divulgado foi de 57 milhões de euros. Desta quantia, o Santos recebeu apenas 17 milhões. O restante foi depositado "a uma sociedade", supostamente de propriedade do pai do jogador.
A transferência de Neymar para o clube catalão fez com que Jordi Cases, um dos sócios do Barcelona, entrasse na justiça contra o então presidente do Barça, Sandro Rosell, para exigir explicações sobre supostas irregularidades na negociação. Rosell renunciou á presidência após a investida de Cases.
Em dezembro de 2016, o Tribunal de Justiça de Barcelona divulgou a sentença definitiva, com um acordo entre o Barcelona e a fiscalização espanhola. Na soma de débitos e multas, o Barça teve de pagar um total de 6 milhões de euros, R$ 21 milhões na cotação da época.
Em resumo, pode-se afirmar que a contratação de Neymar pelo Barcelona foi, no mínimo, polêmica. Muito menos polêmica, por exemplo, que o pagamento de uma multa rescisória contratual, maneira que o PSG encontrou para driblar a resistência catalã e colocar o brasileiro em seu elenco. 
O pagamento da multa, porém, não foi tão simples assim para os catalães, que volta e meia procuram a imprensa para criticar publicamente o craque e o pai dele. Josep Maria Bartomeu se culpa de forma irônica pela saída do atacante. "A primeira autocrítica que fazemos é ter acreditado em Neymar e em seu pai. Eles não trabalharam de forma adequada", disse recentemente ao Mundo Deportivo, jornal catalão que, apesar de não ser a assessoria de imprensa do Barça, às vezes age como tal.
O Barcelona parece não ter digerido a condição de coadjuvante que provavelmente terá na temporada, após deixar de ser um dos favoritos para as conquistas mais importantes da temporada. A fase espetacular do Real Madrid certamente colabora para o desespero azul e grená, de um clube incapaz de tirar Philippe Coutinho do Liverpool.
É até comum que alguns dirigentes sintam a perda de alguns jogadores importantes e recorram à imprensa para lamentar as saídas. O fato novo, no caso Neymar, é que o presidente da Liga de Futebol Profissional da Espanha, Javier Tebas, parece ter tomado as dores do Barcelona e atacou publicamente o PSG e o novo camisa 10 do clube parisiense. "O PSG está burlando o sistema, eles estavam mijando na cama ou na piscina. Pois Neymar foi ao trampolim e mijou na piscina. Não podemos tolerar isso - disse, durante a convenção mundial de investidores do futebol, a Soccerex, em Manchester. A principal reclamação de Tebas é que o clube francês não está respeitando o fairplay financeiro, conjunto de regras que limita os gastos das equipes do continente.
Ele ainda ironizou a maneira com que o Paris Saint-Germain ganha dinheiro. "O PSG só precisa abrir o gasoduto, foi isso que fizeram nos últimos quatro anos", fazendo referência ao Catar, líder mundial em produção de gás e país do dono da equipe de Neymar, Nasser Al-Khelaïfi.
Curioso, especialmente tratando-se do Barcelona, clube que, até a última temporada, não tinha vergonha alguma em utilizar os milhões de euros pagos pelo ex-patrocinador master, a Qatar Airways, empresa aérea do Catar.
Enquanto é isso, Neymar já caiu nas graças do torcedor parisiense, marcou três gols pelo novo clube e parece pouco se importar com a opinião de Bartomeu e companhia. Inclusive, após o presidente catalão afirmar que errou em confiar nele, o brasileiro se referiu ao dirigente como uma "piada". E, como toda boa piada, ainda que essa seja de mau gosto, há motivo para risadas. 
Se os incomodados acreditam em irregularidades no maior negócio da história do futebol, que os meios legais sejam acionados e que esses, órgãos competentes para tal, possam julgar e, caso necessário, punir o Paris Saint-Germain. 
 
*Estagiário sob a supervisão de Braitner Moreira/Foto: Divulgação

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