Morre Fidel Castro aos 90 anos

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Internacional

Fidel Castro WikimediaO ex-presidente de Cuba Fidel Castro morreu aos 90 anos de idade, informou neste sábado (26) seu irmão, o atual mandatário do país, Raúl Castro, em um discurso transmitido pela televisão estatal.

O líder histórico da Revolução Cubana faleceu na noite de sexta-feira (25), às 22h29 (hora local), e seu corpo será cremado "atendendo sua vontade expressa", explicou Raúl Castro, visivelmente emocionado.

O presidente cubano afirmou que, nas próximas horas, será anunciado como acontecerá o funeral de Fidel Castro, que foi visto pela última vez no último dia 15, quando recebeu em sua residência o presidente do Vietnã, Tran Dai Quang.

90 anos de trajetória

Ao longo de seus 90 anos, Fidel Castro se transformou em indiscutível e controverso protagonista do último século. Em 2011, o líder da Revolução Cubana admitiu que nunca pensou que viveria "tantos anos" e em abril deste ano pareceu se despedir: "Em breve serei como todos os outros. A vez chega para todos".

Fidel tinha 32 anos quando entrou triunfante em Havana. Era 1959, usava barba e uniforme e vinha da derrota de um exército de 80.000 homens contra uma guerrilha que em seu pior momento contou com 12 homens e sete fuzis. Sem passado militar, Fidel Castro expulsou do poder o general e ditador Fulgêncio Batista, na luta que começou com o fracasso da tomada do quartel Moncada, em 1953.

Fidel aplicou uma "doutrina militar própria" e conseguiu "transformar uma guerrilha em um poder paralelo, formado por guerrilheiros, organizações clandestinas e populares", disse Alí Rodríguez, ex-guerrilheiro e atual embaixador venezuelano em Cuba.

O líder cubano derrotou conspirações apoiadas pelos EUA e enviou 386.000 concidadãos para lutar em Angola, Etiópia, Congo, Argélia e Síria. Ao longo de 40 anos (1958-2000) escapou de 634 tentativas de assassinato, escreveu Fabián Escalante, ex-chefe de inteligência cubano, segundo o veículo de informação alternativa Cubadebate.

Ao jornalista Ignacio Ramonet, Fidel confessou que quase sempre carregava uma pistola Browning de 15 tiros. "Oxalá todos morrêssemos de morte natural, não queremos que se adiante nem um segundo a hora da morte", declarou em 1991.

'Efeito Fidel'

"Fiquei tão impressionada! Não pude fazer mais que olhar no rosto dele e dizer: te amo". Mercedes González, uma cubana de 59 anos, só viu de perto por duas vezes o líder cubano, mas não resistiu ao "efeito" Fidel.

Seja pelo aspecto rude de guerrilheiro ou seus discursos quilométricos - a maioria espontâneos porque ele gostava do "nascimento das ideias", segundo Salomón Susi, autor do Dicionário de Pensamentos de Fidel Castro -, Fidel fascinava também as massas, as mulheres, os políticos e os artistas.

"Ele projeta uma imagem pública muito atraente", um dom que também "faz parte de sua lenda", diz Susi. Já longe do poder, Fidel publicou reflexões sobre diversos temas. Apesar disso, o grande sedutor mantém a portas fechadas sua vida privada (dois casamentos e sete filhos com três mulheres é a única coisa que se conhece).

"A vida privada, na minha opinião, não deve ser instrumento da publicidade, nem da política", sentenciou em 1992.

Amado e odiado

"É o homem dos 'E's: ególatra, egoísta e egocêntrico". Assim Fidel Castro é definido pela dissidente Martha Beatriz Roque, 71. Quem se opôs, acrescenta, enfrentou uma tripla resposta: "a prisão, os espancamentos e os protestos de repúdio".

Fidel desafiou dez presidentes dos Estados Unidos antes que seu irmão Raúl, que o sucedeu no poder, decidisse restabelecer relações diplomáticas com seu adversário da Guerra Fria no fim de 2014, o que Fidel nunca se opôs que acontecesse.

Fidel Castro governou com mão de ferro, e durante anos (1990 e 2002) a ilha foi condenada internacionalmente pela situação de direitos humanos a pedido da desaparecida Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Em 1959, o governo de fidel condenou a 20 anos de prisão o comandante de Sierra Maestra, Huber Matos, por insurreição. Na "primavera negra" de 2003 mandou prender 75 dissidentes, incluindo Martha Beatriz Roque, e nesse mesmo ano foram fuzilados três cubanos que roubaram uma lancha para fugir dos Estados Unidos.

Fidel sempre negou os pedidos internacionais para uma abertura política e considerou os opositores "mercenários". "Eu vou lembrar dele como um ditador", diz Roque.

Homem que virou mito

Enquanto proclamava o triunfo da revolução em 1959, várias pombas voaram a seu redor e uma delas pousou docemente em seu ombro. As pessoas entenderam como um sinal sobrenatural. O mito marcou a vida de Fidel.

Em um país onde o cristianismo se mistura aos cultos africanos, os cubanos atribuíram a Fidel a proteção do orixá Obatalá, o deus pai, o mais poderoso. Viam-no como um homem inabalável, que tinha solução para tudo, era considerado quase imortal até adoecer em 2006.

A figura paternal do "comandante", tão respeitada como temida, é onipresente. Era visto tanto no meio de um furacão, quanto ensinando a preparar uma pizza. Se acreditou até que se protegia com um colete à prova de balas. "Tenho um colete moral, é forte. Esse tem me protegido sempre", disse aos jornalistas enquanto mostrava o peito durante uma viagem aos Estados Unidos em 1979.

Fidel dizia não apreciar o culto à personalidade. Não há estátuas, mas sua imagem se multiplica na ilha.

Líder contagiante

Em 2001 Fidel Castro prometeu que traria de volta seus cinco agentes presos pelos Estados Unidos três anos antes. "Quando Fidel disse 'voltarão', disse ao povo cubano: vocês os trarão", disse René González, um dos cinco cubanos libertados por Washington entre 2011 e 2014. González ilustra assim o poder do ex-mandatário de contagiar com suas ideias, por mais incríveis que parecessem.

Mas nem sempre o Quixote caribenho venceu. Após um esforço titânico, não conseguiu, como tinha proposto, produzir 10 milhões de toneladas de açúcar em 1970. Mas conseguiu que Cuba derrotasse o analfabetismo em apenas um ano (1961).

Também se propôs a fazer de Cuba uma "potência médica", quando tinha somente 3.000 médicos no país. Hoje tem cerca de 88.000 especialistas, um para cada 640 habitantes.

Na ilha, proliferaram os "planos Fidel", experimentos sem sucesso para criar búfalos, gansos ou transformar Cuba em produtora de queijos de qualidade, quando ainda tinha um déficit de vacas.

Também não conseguiu que os Estados Unidos devolvessem o território de Guantánamo, cedido há um século, mas conseguiu trazer de volta o menino Elián González, levado clandestinamente em uma embarcação por sua mãe, que morreu na tentativa de chegar a Miami e cuja custódia provocou uma queda de braço entre Havana e Washington.

Dez anos longe do poder

Em julho, Fidel Castro completou10 anos afastado do poder. No dia 31 de julho de 2006, a emissora oficial cubana de televisão anunciou que o líder da Revolução delegava provisoriamente a chefia de Estado a seu irmão, Raúl Castro, após ter passado por uma complicada cirurgia.

Após dois anos de rumores e especulações nos quais a saúde de Fidel foi um segredo de governo, Raúl foi nomeado formalmente presidente do Conselho de Estado em fevereiro de 2008. Um mês depois de ter chegado ao poder, iniciou as primeiras reformas econômicas.

Foi uma substituição suave e sem traumas que terminou de se consolidar em 2011, com a escolha do menor dos Castro como primeiro-secretário do Partido Comunista. Ao longo dessa década, Cuba deu um giro substancial: sem perder seus ideais revolucionários e estrutura comunista, o país embarcou em uma série de reformas econômicas ambiciosas e se reconciliou com seu histórico inimigo, os Estados Unidos.

Raúl, o artífice da "atualização socialista", empreendeu uma série de ambiciosas reformas - lentas demais, para muitos -, como abertura de setores à iniciativa privada, maiores facilidades ao investimento estrangeiro e o fim de restrições que afetaram os cubanos por décadas, como as viagens ao exterior ou a compra e venda de carros e casas.

Na Cuba de hoje, cerca de 500 mil pessoas são "cuentapropistas", uma nova classe de empreendedores, microempresários e trabalhadores autônomos que mudaram o panorama econômico do país com milhares de pequenos negócios, como restaurantes, cafeterias, hotéis, ginásios e salões de beleza.

A vida do cubano no período experimentou uma importante mudança com a reforma migratória de 2013, que permitiu que milhares de moradores da ilha saíssem do país e, em muitos casos, reconstruíssem famílias até então fragmentadas durante anos pelo exílio.

A possibilidade de adquirir um carro, uma casa, entrar em hotéis que antes só admitiam estrangeiros ou conectar-se à internet - ainda proibido nas casas - também aliviou parte da pressão no dia a dia.

Contudo, devido aos baixos salários e às dificuldades vividas por muitas famílias, as reformas não frearam o êxodo de cubanos, especialmente em direção aos EUA, motivados pelos benefícios migratórios, como ficou em evidência com a crise provocada no ano passado pelos emigrantes cubanos que lotaram a América Central.

Sem deixar sua fidelidade às causas do mundo em desenvolvimento, à esquerda e aos parceiros "bolivarianos", Raúl Castro construiu uma política externa mais pragmática e aberta que o aproximou, entre outros, da União Europeia, bloco com o qual Cuba assinou no ano passado o primeiro acordo de diálogo político e cooperação.

No entanto, não há dúvida que a mudança mais radical na Cuba "raulista" foi o descongelamento das relações diplomáticas com os EUA depois de mais de cinco décadas de tensões e atritos.

No dia 17 de dezembro de 2014, os presidentes Raúl Castro e Barack Obama anunciaram que Cuba e EUA restabeleceriam as relações, um giro diplomático que surpreendeu tanto a comunidade internacional como os próprios cubanos, que receberam a notícia com otimismo e alegria, apesar de um pouco de cautela.

Desde a data fatídica, o povo cubano, que espera com ansiedade o fim do embargo que asfixia a econômica do país, viveu eventos impensáveis quando Fidel deixou o poder: a reabertura da embaixada americana em Havana e uma visita de um presidente do país inimigo à ilha em março, algo que não ocorria há 88 anos.

Atraídos por essa imagem de "ilha proibida", milhares de americanos visitaram Cuba, que em 2015 bateu o recorde de 3,5 milhões de turistas, um "boom" que está fortalecendo a economia com receitas vitais em moeda estrangeira, mas que também evidência a frágil infraestrutura do país.

Também chegaram a Cuba empresários e investidores de todo o mundo para explorar opções de negócios e se adiantar em relação a seus concorrentes americanos diante de um eventual fim do embargo, apesar de a entrada de capital estrangeiro na ilha ainda enfrentar obstáculos.

A "nova" Cuba foi, além disso, palco de eventos impensáveis na época de Fidel, como o histórico show do The Rolling Stones em março de 2016 ou o desfile da marca Chanel em uma avenida central de Havana dois meses depois.

 

Em 1989, Fidel Castro recebeu em Havana Mikhail Gorbachev, então líder da União Soviética. O cubano afirmou na época que a ilha seguiria sua revolução mesmo com a queda da URSS, ocorrida em 1991

 

(Com agências internacionais/Foto: Divulgação)

Ameaças de Trump ao México podem sair pela culatra

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Internacional

31ago2016 o presidente do mexico enrique pena nieto e o candidato republicano a presidencia dos eua donald trump se preparam para atender a imprensa na cidade do mexico 1473266789095 615x300Em 8 de novembro, a Cidade do México, esta capital na montanha, foi ensopada por uma feroz tempestade fora de época, do tipo que pode causar piadas sobre a fúria do deus da chuva asteca, Tlaloc. Ao mesmo tempo, do outro lado do rio Grande, havia uma tempestade política digna de enfurecer deuses: os EUA elegeram um presidente que prometeu construir um muro na fronteira, fazendo o México pagar por ele, deportar milhões de imigrantes e reescrever ou rasgar um tratado comercial do qual o México depende para quase um terço de suas receitas.

Em poucas horas, uma tempestade econômica também se armava, com o peso mexicano se desvalorizando no ritmo mais rápido desde a "crise da tequila" em 1994.

A ascensão de Donald Trump à Presidência poderia ser o maior desafio político para o México em várias gerações. As medidas que Trump propôs, como tarifas de 35% aos carros fabricados no México, poderão levar à recessão este país de 120 milhões de habitantes. Deportar dos EUA outros milhões poderá aumentar o desemprego e o crime. Além disso, Trump poderá mudar a natureza básica de um relacionamento de paz e comércio que dura desde a Segunda Guerra, para outro de prepotência e conflito.

A frase "poderia potencialmente" é crucial. Desde a eleição, todos os analistas aqui tentam prever o que o presidente Trump realmente fará, e se será ou não o que ele disse --seja o que for. De fato, grande parte do que ele disse sobre o México é altamente ambígua.

Trump passou de conclamar uma "força de deportação" contra todos os imigrantes sem documentos a um programa para enviar de volta os criminosos, que é na verdade a política atual. Ele pressionou por um muro ao longo de toda a fronteira, mas mais recentemente falou em apenas ampliar as cercas existentes, e não expôs um plano realista para que o México pague. E há muito espaço de manobra em uma reformulação do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).

E, é claro, há limites ao que Trump pode fazer sozinho; o Congresso, os tribunais e as empresas terão muita influência nessas questões e poderão obrigá-lo a adotar uma posição mais recatada.

Mas, mesmo que nada disso aconteça, existe a questão subjacente sobre a possibilidade de Trump continuar ou não usando o México como saco de pancadas. Talvez a posição de Trump leve apenas a uma "guerra falsa" de palavras, em vez de um verdadeiro conflito diplomático ou comercial. Mas talvez cause um grande tumulto. Enquanto desafiar e punir o México podem agradar à base de Trump, não apenas causariam sofrimento ao sul da fronteira, como também trariam mais problemas para os EUA.

O apelo a fazer o México pagar pelo muro é uma questão especialmente importante. Não somente os EUA conduzem uma economia que tem dez vezes o tamanho da do México, como há um absurdo gritante em extorquir outro país a pagar por seu próprio isolamento. A exigência, gritada nos comícios, parecia pretender humilhar o México, mais do que realmente obter o financiamento. Essas bravatas ajudaram Trump a vencer a eleição, mas como meta real de política externa poderão não ganhar nada e causar um profundo antagonismo.

O México e os EUA nem sempre estiveram em paz. Eles sofreram diversos choques no século 19 e início do 20, principalmente com perdas para o México. Tropas americanas ergueram sua bandeira na Cidade do México na Guerra Mexicano-Americana antes de garantir o Tratado de Guadalupe Hidalgo, que deu aos EUA quase a metade do território mexicano. Em 1914, tropas americanas voltaram a bombardear e ocupar o porto de Veracruz. O general Francisco Villa, mais conhecido na história como Pancho Villa, avançou sobre a fronteira em Columbus, Novo México, em 1916, e em 1938 o México desapropriou companhias de petróleo americanas.

Em 1969, o presidente Richard Nixon desencadeou a Operação Interceptação, pela qual todos os veículos que cruzavam a fronteira eram revistados, como maneira de pressionar o México a borrifar veneno nas plantações de maconha e papoula para ópio. Em 1985, policiais mexicanos corruptos trabalharam com membros dos cartéis para raptar e assassinar um agente americano da Agência de Repressão a Drogas, Enrique Camarena.

Mas essas disputas nunca mudaram a natureza fundamental da relação bilateral ou interromperam o comércio entre os dois países, que aumentou constantemente até mais de US$ 500 bilhões no ano passado. E nesse tempo o México e os EUA se coordenaram em muitas ações, desde o socorro em desastres (a Marinha mexicana ajudou depois do furacão Katrina) a compartilhar a água de rios.

Em 2014, um número recorde de crianças desacompanhadas de El Salvador, Guatemala e Honduras chegaram à fronteira sul dos EUA, causando o que a Casa Branca chamou de "situação humanitária urgente". O fluxo só diminuiu quando o México intensificou a detenção de centro-americanos. Depois que grupos de direitos humanos criticaram essas detenções em massa, o México prometeu facilitar para os centro-americanos, muitos dos quais fugiam da violência brutal de bandos para obter asilo.

No entanto, tentar obrigar o México a pagar por um muro na fronteira, ou impor tarifas que devastarão sua economia, poderá fraturar essa cooperação. O México pode ser menor que os EUA, mas ainda é uma grande potência econômica e política. Se Trump pressionar demais, poderá revidar com tarifas que prejudiquem os exportadores americanos. O país poderá não ver incentivo para reduzir o fluxo de migrantes e refugiados de outros países para os EUA. E forçar o México a uma recessão poderá levar mais pessoas a tentar fugir para o norte, de qualquer modo.

Por mais que Trump pareça gostar de abusar do México e seu povo, seria aconselhável que o presidente adote uma abordagem diferente.

*Ioan Grillo é o autor de "Gangster Warlords: Drug Dollars, Killing Fields and the New Politics of Latin America" e colabora com editoriais.

Ioan Grillo

Na Cidade do México/Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves/Foto: Divulgação

 

Trump vai renunciar o salário de presidente

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Internacional

TrumpO presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo que renunciará ao salário de US$ 400 mil anuais do cargo e só aceitará um dólar, valor mínimo determinado por lei. Trump anunciou sua decisão em entrevista ao programa “60 minutes” do canal de televisão “CBS”, sua primeira aparição na televisão após ganhar as eleições no dia 8. “Acho que por lei tenho que aceitar um dólar, portanto aceitarei um dólar por ano. Mas, o certo é que não sei sequer qual é o salário. Você sabe qual é?”, perguntou Trump durante a entrevista à jornalista Lesley Stahl, que informou o valor de US$ 400 mil.
“Não vou aceitar esse salário, não o receberei”, afirmou Trump, que investiu boa parte de sua fortuna em programas de televisão, hotéis, cassinos e negócios imobiliários. O presidente eleito também disse que tornará publica sua declaração de impostos “no tempo apropriado” e defendeu sua decisão de não divulgá-la durante a campanha eleitoral, como é costume nos EUA há décadas por parte de todos os candidatos à Presidência.
Imigrantes
No mesmo programa, Trump afirmou que pretende já no início de seu governo deportar entre dois e três milhões de imigrantes ilegais – durante a campanha, ele chegou a falar em 11 milhões de deportações. Ele também tratou do muro que prometeu erguer na fronteira com o México, dizendo que parte dele não seria propriamente de alvenaria, mas sim cercas, como já há na fronteira entre os dois países.
“O que nós vamos fazer é descobrir quais imigrantes são criminosos e têm antecedentes criminais, membros de gangues, traficantes, que são muitas destas pessoas, provavelmente dois milhões de pessoas, ou até mesmo três milhões, e tirá-los do nosso país ou prendê-los. Nós vamos tirá-los do nosso país, eles estão aqui ilegalmente”, afirmou o republicano.
Na entrevista, Trump falou também sobre a Corte Suprema, composta atualmente por oito juízes após a morte em fevereiro do conservador Antonin Scalia, a quem o milionário prometeu substituir com um magistrado favorável aos valores da direita cristã. No entanto, hoje Trump disse que se sente “bem” a respeito da decisão do alto tribunal de legalizar o casamento entre as pessoas do mesmo sexo, embora tenha considerado que o direito das mulheres a pôr fim a sua gravidez deve ser competência dos estados e não do governo federal, como o é atualmente.
Além disso, Trump exigiu o fim dos atos violentos contra os hispânicos, afro-americanos e membros da comunidade de lésbicas, gays, transexuais e bissexuais (LGBT), três grupos que denunciaram um aumento de ataques desde a vitória eleitoral do empresário. Do mesmo modo, Trump, que tomará posse no dia 20 de janeiro, pediu para quem se manifestou nas ruas contra sua eleição que “não tenha medo”.
(Com agência EFE)/Foto: Divulgação

Donald Trump é o novo presidente dos EUA

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Internacional

31out2016 donald trump em campanha 1478553547580 956x500Hillary Clinton teve 59.168,466 votos (47,64%) , mas só fez 218 delegados, enquanto que  Donald Trump obteve 59.032,954 votos (47,53%), mas fez a maioria dos delegados, 276. Nos EUA é assim.

Bilionário, famoso e polêmico ainda eram adjetivos insuficientes para o empresário Donald Trump, 70, que agora também tem no currículo o título de presidente dos Estados Unidos. Dono de um império imobiliário, cassinos e campos de golfe, o magnata vai se apoderar, em 20 de janeiro de 2017, da cadeira mais importante de seu país.

Embora as pesquisas de intenção de voto indicassem o contrário, Trump venceu a candidata democrata, a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton, conquistando ao menos 276 dos 538 votos do Colégio Eleitoral em contagem parcial dos votos pela Associated Press às 5h35 (horário de Brasília) desta quarta-feira (9).

Hillary obteve 218 votos nessa contagem e, apesar de aparecer com pequena vantagem nas pesquisas de intenção de voto, perdeu Estados importantes, como a Flórida, Ohio e a Carolina do Norte.

Parte do discurso

Trump assumirá o cargo hoje ocupado por Barack Obama ao lado de seu vice, o governador do Estado de Indiana, Mike Pence. Em seu discurso de vitória, Trump se comprometeu a "renovar o sonho americano" e fez um apelo para a união do país. "Serei o presidente de todos os americanos e isso é muito importante para mim".

"Para aqueles que optaram por não me apoiar, estou estendendo a mão para a sua orientação e ajuda para que possamos trabalhar juntos para unificar nosso grande país", disse Trump, em um apelo também pela união de seus críticos, principalmente dentro do Partido Republicano.

O mercado financeiro reagiu negativamente ainda durante a apuração. Na Ásia, as bolsas registraram forte queda. O peso mexicano alcançou o nível mais baixo dos últimos 20 anos.

Com Trump presidente, chega à Casa Branca a primeira estrangeira a ser primeira-dama desde o século 19.

Nascida na antiga Iugoslávia, a ex-modelo Melania Trump, 46, manteve uma presença discreta durante a campanha do marido. O tropeço na convenção republicana de julho, quando se descobriu que havia plagiado parte de um discurso de Michelle Obama, a fez retrair-se ainda mais.

Apenas na última semana ressurgiu para um novo discurso, desta vez para apelar ao entendimento, em meio a uma das campanhas mais agressivas da história americana: "Temos de encontrar uma forma melhor de conversar, de discordar, de nos respeitarmos", disse, falando inglês com sotaque.

Melania também apareceu em programas de TV para defender o marido de uma das principais polêmicas dessas eleições -- o vídeo em que Trump se gabava de apalpar as mulheres sem seu consentimento. "O homem que conheço não é assim", afirmou Melania. 

Uol/Foto: Divulgação

Papa chora pelos mortos no Iraque

Escrito por Luiz Washington . Publicado em Internacional

Papa Francisco 3Neste domingo (23), o papa Francisco falou sobre os combates e assassinatos nos arredores de Mossul, e pediu aos fiéis para que rezem por “um futuro de segurança, de reconciliação e paz” no Iraque.

“Nessas horas dramáticas me sinto perto de todo o povo do Iraque, em especial dos da cidade de Mossul”, declarou o pontífice argentino diante de dezenas de milhares de fiéis durante a oração do Angelus. Nossas almas estão assustadas com os odiosos atos de violência cometidos há muito tempo contra os cidadãos inocentes, muçulmanos, cristão e membros de outras religiões e etnias”, acrescentou.

“Estou particularmente sentido ao ouvir as informações sobre esses assassinatos a sangue frio contra tantos filhos desta terra amada, entre os quais muitos são crianças. Esta crueldade nos faz chorar e nos deixa sem palavras”, insistiu.

O papa afirmou que reza “para que o Iraque, apesar de ter sido duramente atingido, seja forte na esperança de poder avançar para um futuro de segurança, de reconciliação e paz”. Imediatamente pediu aos fiéis reunidos na praça de São Pedro, estimados em 50.000 pessoas pela gendarmeria do Vaticano, que se recolhessem em silêncio.

Neste domingo (23), as forças iraquianas combatiam entre armadilhas, franco-atiradores e carros-bomba ativados por suicidas, tentando fechar o cerco de Mossul e de outras áreas do país, onde continuavam enfrentando os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Fonte: Folha/PE/Foto: Divulgação