
O programa Agora Tem Especialistas, criado para antecipar atendimentos em consultas, exames e cirurgias para que espera há meses, ou anos, foi muito bem sucedido em 2025 e vai continuar sendo tratado com prioridade absoluta o próximo ano. “Vai acelerar”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O ministro destacou a ação integrada, envolvendo hospitais universitários estados, municípios, santas casas, hospitais privados de plano de saúde em débito com a União. E já antecipou que um novo mega-mutirão já está programado para o mês de março, como foco em saúde das mulheres.
Nesta entrevista para A Voz do Brasil, Alexandre Padilha comemorou a redução de 75% dos casos de dengue neste ano, e a parceria com empresa chinesa que ampliará a capacidade do Instituto Butantã de produzir a vacina contra a dengue inteiramente nacional. E destacou ainda a importância de as gestantes se vacinarem parta proteger da bronquiolite seus bebês que estão a caminho. E pelo SUS, e não mais pagando em torno de R$ 2.000 pelo imunizante.
Os cuidados preparados para atender pessoas abaladas pelo vício nas apostas – uma epidemia, segundo Padilha – e a preparação do sistema público de saúde para os problemas de saúde decorrentes das mudanças climáticas são também abordados nesta entrevista. Confira.
Ministro, vamos começar falando de vacinação. Este ano foi um ano que a gente teve o lançamento de duas vacinas muito importantes, que é a vacina contra bronquiolite e a vacina nacional contra a dengue. Queria que o senhor falasse um pouquinho sobre as duas.
Eu sempre falo de vacina porque uma boa saúde começa com a prevenção. E eu, como médico infectologista, sou especialista nisso. Posso atestar quantos problemas de saúde deixaram de existir no Brasil e no mundo por conta da vacina. E nós temos dois grandes resultados positivos, eu acho que esse ano.
Primeiro, a gente aumentou nossa cobertura vacinal. Quero agradecer muito os pais, as mães, os profissionais de saúde, de educação – porque a gente fez a vacinação dentro da escola também –, que nos ajudaram nessa corrente de vacinação, porque a gente enfrenta hoje um negacionismo, tem gente que espalha mentiras sobre vacina, né? Então a gente já conseguiu aumentar a cobertura vacinal de todas as vacinas pras crianças.
E a vacinação nas escolas, superimportante. Mais de 1,2 milhão de crianças foram vacinadas este ano dentro da escola. Isso porque a gente fez essa autorização, então o pai, amanhã se tem alguma dificuldade de levar na unidade de base de saúde, faz uma carta de autorização que ela pode receber a vacina dentro da escola.
A segunda dimensão são as novas vacinas que a gente colocou no SUS. Primeiro, a vacina contra bronquiolite, que é um problema gravíssimo para os bebês. É a principal causa de internação por doença respiratória até 1 ano de idade. Uma das principais causas de morte de doença respiratória.
Então, a gente colocou no SUS, já entrou esse ano, uma vacina que é a gestante que toma. É uma vacina que custa R$ 1.700, R$ 2.000, já vi até R$ 4.000 reais sendo cobrado por essa vacina na clínica privada. Agora ela tá de graça no SUS.
Então, toda gestante, a partir da 28ª semana de gestação, tem de já procurar a Unidade Básica de Saúde e tomar essa vacina. Se tiver no último dia da gravidez, pode tomar a vacina também. E garantir os bebês protegidos quando chegar o inverno.
E outra conquista é a vacina nacional contra dengue. O Ministério da Saúde já compra a única vacina internacional que tem contra a dengue, com garantia para os próximos dois anos, 18 milhões de doses já compradas. E agora a gente conquista a nova vacina do Instituto Butantan, que o Ministério da Saúde financiou o desenvolvimento junto com o BNDES. Vai ser uma vacina muito importante, 100% nacional, em parceria com empresa chinesa para aumentar a capacidade do Butantan de produzir. E todo o nosso planejamento em 2026 é já começar a vacinar a população com essa nova vacina.
Agora é importante que as pessoas não descuidem. Não fiquem pensando “não precisamos mais cuidar do mosquito”.
Neste ano a gente conseguiu reduzir em 75% os casos de dengue, comparado com o ano passado. Provamos que é possível reduzir cuidando da casa, mobilizando o bairro, a comunidade, a igreja, as escolas, e acabar com os criadouros de mosquito da dengue.
Agencia Brasil

