Luta das mulheres por direitos iguais

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A luta das mulheres pelos direitos iguais aos homens ocorre há décadas. Desde o direito ao voto, até a igualdade na remuneração e colocação no mercado de trabalho, elas não se cansam de buscar a igualdade, e esses são temas importantes de serem discutidos em sala de aula.

Em 2018, mulher recebia 79,5% do rendimento do homem

“Em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas entre 25 e 49 anos de idade (R$ 2.050) equivalia a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579) nesse mesmo grupo etário. Considerando-se a cor ou raça, a proporção de rendimento médio da mulher branca ocupada em relação ao do homem branco ocupado (76,2%) era menor que essa razão entre mulher e homem de cor preta ou parda (80,1%).

Ainda no grupo etário dos 25 aos 49 anos, o valor médio da hora trabalhada pelas mulheres era de R$ 13,0, ou 91,5% da hora trabalhada pelos homens (R$14,2). Se não considerarmos o tempo dedicado a afazeres domésticos e cuidados de pessoas, as mulheres trabalhavam, em média, 4,8 horas semanais a menos do que os homens

Considerando-se as ocupações selecionadas, a participação das mulheres era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%). No grupo de Diretores e gerentes, as mulheres tinham participação de 41,8% e seu rendimento médio (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já entre os Profissionais das ciências e intelectuais, as mulheres tinham participação majoritária (63,0%) mas recebiam 64,8% do rendimento dos homens.

As ocupações com maior nível de instrução também mostram rendimentos desiguais. Entre os Professores do Ensino fundamental, as mulheres recebiam 90,5% do rendimento dos homens. Já entre os Professores de universidades e do ensino superior, cuja participação (49,8%) era próxima a dos homens, o rendimento das mulheres equivalia a 82,6% do recebido pelos homens. Outras ocupações de nível de instrução mais elevado, como Médicos especialistas e Advogados, mostravam participações femininas em torno de 52% e uma diferença maior entre os rendimentos de mulheres e homens, com percentuais de 71,8% e 72,6%, respectivamente.

O grupamento ocupacional com a menor desigualdade é o dos Membros das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, no qual o rendimento das mulheres equivale, em média, a 100,7% do rendimento dos homens.

Essas e outras informações estão disponíveis no Estudo Especial sobre Diferenças no Rendimento do Trabalho de Mulheres e Homens nos Grupos Ocupacionais, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. A publicação completa pode ser acessada do lado direito desta página.

Mulher ganha 79,5% do rendimento médio recebido pelo homem

Em 2018, o valor médio da hora trabalhada era de R$ 13,0 para a mulheres e de R$14,2 para os homens, indicando que o valor do rendimento da mulher representava 91,5% daquele recebido pelos homens. Quando analisada a razão do rendimento de mulheres e homens (percentual do rendimento dos homens que as mulheres ganham), a proporção diminuía, sendo de 79,5%: valores de R$ 2.579 (homem) e R$ 2.050 (mulher).

Em média, o homem trabalhava 42,7 horas por semana, enquanto a mulher trabalhava 37,9 horas, sem considerarmos as horas dedicadas a afazeres domésticos e cuidados de pessoas; ou seja: as mulheres trabalhavam cerca de 4,8 horas a menos por semana na produção voltada para o mercado em 2018. A redução dessa diferença em comparação a 2012, quando era de 6,0 horas, foi decorrente de a redução das horas trabalhadas ter sido mais acentuada entre os homens (queda de 1,6 hora) do que entre as mulheres (0,4 hora).

Nível de instrução da população ocupada aumentou entre 2012 e 2018

Em 2012, 13,1% dos homens ocupados tinham o Ensino superior, passado para 18,4% em 2018. Entre as mulheres essa estimativa foi de 16,5% (2012) para 22,8% (22,0%). Em 2018, o rendimento médio mais baixo, segundo o nível de instrução, era o da mulher do grupo sem instrução e fundamental incompleto (R$ 880), enquanto o mais elevado era recebido por homens de Nível superior completo (R$ 5.928).

De 2013 a 2018, a razão de rendimento entre mulheres e homens sem instrução e fundamental incompleto tinha o percentual mais elevado entre os níveis de instrução. De 2012 a 2014, a razão crescia com o nível de instrução; já em 2017 e 2018, essa trajetória se inverteu e as mulheres com nível superior completo apresentaram os menores percentuais (62,7% em 2017 e 64,3% em 2018).

Participação das mulheres é maior no apoio administrativo e nas ciências

Ao se fazer a distribuição da população ocupada de 25 a 49 anos de idade segundo os grupamentos ocupacionais, os principais percentuais foram observados entre os Profissionais das ciências e intelectuais (13,0%); Trabalhadores qualificados, operários e artesões (13,0%); Ocupações elementares (16,5%) e os Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (22,1%). Com participação bem menores de ocupados, estavam os Membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares (1,0%), Diretores e gerentes (4,7%) e Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca (4,7%).

A participação das mulheres se destacou nas ocupações elementares (55,3%), trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (59,0%), entre os profissionais das ciências e intelectuais (63,0%) e como trabalhadoras de apoio administrativo (64,5%).

Distribuição percentual (%) da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por grupamentos ocupacionais do trabalho principal, segundo o sexo – Brasil – 4º trimestre – 2018

Foram analisados, para cada grupo ocupacional, o rendimento médio habitual do trabalho principal, a participação percentual das mulheres na ocupação, o percentual de horas trabalhadas pelas mulheres em comparação a dos homens e a diferença do rendimento em 2018. Os maiores rendimentos médios ocorreram nos grupamentos dos Diretores e gerentes, no dos Profissionais das ciências e intelectuais e entre os Membros das forças armadas, policiais e bombeiros, tanto para os homens quanto para as mulheres.

No primeiro grupo (Diretores e gerentes), o rendimento médio das mulheres (R$ 4.435) correspondia a 71,3% do recebido pelos homens (R$ 6.216). Já no grupamento dos Profissionais das ciências e intelectuais, no qual as mulheres tinham participação majoritária (63,0%), a razão dos rendimentos baixava para 64,8%.

As mulheres também apresentavam participação acima de 60% no grupo dos Trabalhadores de apoio administrativo, contudo, o percentual do rendimento médio delas era bastante superior àquele registrado no grupo dos Profissionais das ciências e intelectuais, atingindo a razão de 86,2%.

O grupamento ocupacional com a menor desigualdade é o dos Membros das forças armadas, policiais, bombeiros e militares, no qual o rendimento das mulheres equivale, em média, a 100,7% do rendimento dos homens.

Rendimento médio habitual do trabalho principal da população de 25 a 49 anos de idade ocupada na semana de referência, por sexo, segundo os grupamentos ocupacionais, participação de mulheres na ocupação e razão (%) do rendimento de mulheres em relação ao de homens – Brasil – 4º trimestre -2018

Sem considerar os afazeres domésticos, a jornada de trabalho das mulheres é menor que a dos homens

Em média, sem considerarmos os afazeres domésticos e cuidados de pessoas, a jornada de trabalho semanal da mulher era 4,9 horas inferior à jornada dos homens. Essa diferença era menor nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (-2,0 horas), dos Técnicos e profissionais de nível médio (-1,9 hora) e a de Trabalhadores de apoio administrativo (-1,2 hora).

Quanto à cor ou raça, os grupamentos de Dirigentes e gerentes (64,1%) e Profissionais das ciências e intelectuais (60,4%) tinham as maiores proporções de pessoas brancas, enquanto os das ocupações elementares (69,1%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (60,3%) registravam as principais participações de trabalhadores da cor preta ou parda.

A diferença de rendimentos da mulher branca em relação ao homem branco era maior do que aquela existente entre a mulher preta ou parda frete ao homem de cor preta ou parda. Esse mesmo comportamento foi, principalmente, reproduzido nos grupamentos de Dirigentes e gerentes (70,5% e 81,3%), Profissionais das ciências e intelectuais (62,9% e 70,3%) e dos Trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e da pesca (66,4% e 72,1%). Por outro lado, nos grupamentos dos Trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados (66,8% e 65,7%) e dos Trabalhadores qualificados, operários e artesões da construção, das artes mecânicas e outros ofícios (68,1% e 60,8%) as razões de rendimento das mulheres pretas ou parda eram inferiores as das mulheres cor branca frente ao homem branco.

Ocupações com maior nível de instrução também mostram rendimentos desiguais

Em 2018, o rendimento médio da população ocupada de 25 a 49 anos de idade era de R$ 2.260. O percentual do rendimento médio recebido pelas mulheres era predominantemente inferior ao dos homens em todas as ocupações selecionadas, independentemente de a ocupação apresentar baixa ou elevada participação feminina ou ter rendimentos baixos ou elevados.

A participação das mulheres no contingente de ocupados era maior entre os Trabalhadores dos serviços domésticos em geral (95,0%), Professores do Ensino fundamental (84,0%), Trabalhadores de limpeza de interior de edifícios, escritórios, hotéis e outros estabelecimentos (74,9%) e dos Trabalhadores de centrais de atendimento (72,2%).

Dessas ocupações, a de Professores do Ensino fundamental tinha a maior razão de rendimento entre mulheres e homens (90,5%). Já entre os Professores de universidades e do ensino superior, o rendimento das mulheres equivalia a 82,6% do recebido pelos homens, enquanto sua participação era praticamente a metade (49,8%)”.

Fonte: Adaptado Agência Notícias IBGE.

porNei A. Pies
Professor e ativista de direitos humanos.
 

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