Editorial: Cultura para crianças dentro e fora da internet

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Quando o influenciador Felca diz: “a internet não é lugar para crianças”, é exagero? Não! Não é exagero! Nós compartilhamos do mesmo pensamento do influencer, cujo vídeo “Adultização” publicado em seu canal no youtube no início de agosto já alcançou quase 50 milhões de visualizações.

         E não é exagero a opinião do Felca sobre a exposição sem limites de crianças e adolescentes na internet, principalmente em redes sociais de grande alcance midiático, porque de fato essa exposição indevida de menores, que logo vem também à exploração sexual infanto-juvenil, algo que liga de imediato a pedofilia e ao aliciamento com muita facilidade, e os algozes dessas crianças são justamente “influenciadores famosos” com a quantidade enorme de seguidores em diversas plataformas digitais, conhecidas também como redes sociais, que passa da casa dos milhões, sendo as mais acessadas o youtube, instagram e tik tok.

         Após a denúncia do influenciador Felca, com o seu vídeo no youtube, sobre a exploração de crianças e adolescentes nas redes, e a grande repercussão do caso dos denunciados, a Polícia Federal entrou em ação para investigar o caso, chegando aos “influenciadores”, até serem capturados por ordem da Justiça, e até o momento, passando pelos trâmites legais continuam presos.

         O principal influencer denunciado pelo Felca pelo crime de exploração sexual infanto-juvenil e tráfico humano, é o Hytalo Santos, juntamente com o seu marido, cúmplice dos episódios que envolveram crianças no crime de exploração sexual.

         O Congresso Nacional também abraçou a causa, não sabemos exatamente se por ser sensível ao tema que viralizou na internet depois do vídeo do Felca denunciando uma série de abusos envolvendo crianças e a “adultização” precoce desses menores, ou se por oportunismo político, já visando as eleições de 2026. O que de fato se concretizou nos últimos dias foi a mobilização suprapartidária das duas casas legislativas para a apreciação, votação e aprovação de projetos que já existiam na Câmara dos Deputados, inclusive a do marco regulatório que mira as plataformas digitais em seus diversos formatos, limitando as publicações e regulando a forma como os diversos canais expõem os conteúdos dos seus usuários.

         Devido à discussão em torno da regulação das redes sociais criou-se a polêmica dividindo as bancadas governista e de oposição, e o tema proposto antes, mesmo sendo aprovado e encaminhado ao Senado, ficou menor do que deveria, salvo a relevância do caso denunciado, e ainda alguma fragilidade quanto à regulação das plataformas digitais que seguem faturando com seus algoritmos irresponsáveis.

         Enquanto isso, o STF continua sendo atacado por ser o guardião último da Constituição Federal e cumpridor de suas leis, e as nossas crianças e adolescentes cada vez mais distantes da verdadeira cultura, apropriada as suas idades, como as bibliotecas públicas, de conteúdo literário infanto-juvenil, parques infantis infelizmente vandalizados, espaços de entretenimento limitados, entre outras formas de diversão e educação, que caberia também às famílias essa responsabilidade.

         Enfim, com todas essas limitações de acesso a CULTURA, resta para as crianças um mundo virtual perigoso dentro de suas próprias casas.   

Por Paulo Carvalho/Editor do jornal A Noticia do Vale