II Prêmio Nacional de Jornalismo do Judiciário reafirma o papel da imprensa na garantia da democracia

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Os vencedores do II Prêmio Nacional de Jornalismo do Poder Judiciário – Direitos Humanos, Cidadania e Tecnologia foram conhecidos essa semana. Em cerimônia realizada no Salão Branco do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília (DF), a premiação foi marcada por discursos que destacaram a importância da imprensa tradicional na divulgação de informação verídica, precisa e de qualidade, bem como para assegurar o respeito aos direitos humanos e à democracia. 

Ao abrir o evento, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, fez uma reflexão sobre o relevante papel do jornalismo tradicional na atualidade. Segundo ele, a imprensa crítica, que presta atenção no exercício do poder, que difunde os malfeitos, inibe as pessoas de cometerem malfeitos, corrige eventuais equívocos que tenha cometido, ouve os dois lados e distingue adequadamente fato de opiniões é a imprensa de que o Brasil e o mundo precisam. 

Entretanto, de acordo com o ministro, as plataformas digitais, as redes sociais e os aplicativos de mensagens impactaram, de forma muito profunda, a comunicação social e a comunicação interpessoal no mundo inteiro. “Antigamente, o acesso à informação e ao espaço público dependia dos veículos tradicionais, que faziam um filtro mínimo de veracidade e qualidade ao que chegava. A ascensão da internet democratizou o conhecimento, mas sem o filtro editorial. Democratizou-se o acesso, mas abriram-se as avenidas para a desinformação, os discursos de ódio e as teorias da conspiração”, observou Barroso.  

Tecnologia como aliada do jornalismo-A ministra Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar (STM), afirmou que a união dos Tribunais Superiores, dos Conselhos de Justiça e das associações de magistrados na organização do II Prêmio representa não só uma contribuição valiosa para aproximar ainda mais o Judiciário da sociedade brasileira: “Representa, sobretudo, o comprometimento da judicatura com o democratismo estatal”. 

De acordo com a ministra, a tecnologia modificou todas as profissões, inclusive o jornalismo, mas nada substitui a criação e a individualidade. “A inteligência artificial pode e – acredito – deve ser uma aliada do jornalismo, mas ela não tem a capacidade de reproduzir aquilo que o repórter vê, ouve e sente quando está em campo na apuração dos fatos. São a democracia, a liberdade de expressão e a plena vigência do Estado Democrático de Direito que sustentam o trabalho da imprensa e permitem que cada cidadão brasileiro conheça o que acontece em todo o país”, ressaltou.  

Imprensa livre, informativa e crítica-Para o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Aloysio Corrêa da Veiga, um Poder Judiciário altivo e independente e uma imprensa livre, informativa e crítica são fundamentais para a democracia e indissociáveis entre si, pois qualificam o debate social. “A comunicação é um elo vital entre a Justiça e a sociedade. Se é papel do Judiciário garantir direitos, é o jornalismo que deve traduzir esse compromisso em linguagem acessível, concreta e capaz de sensibilizar consciências”, enfatizou Veiga. 

Ele acrescentou que, ao premiar as reportagens, o Poder Judiciário presta uma homenagem ao jornalismo comprometido com o interesse público e com a cidadania, além de valorizar as várias categorias jornalísticas presentes na premiação. 

O Prêmio-O II Prêmio Nacional de Jornalismo do Poder Judiciário é uma realização conjunta do Supremo Tribunal Federal (STF), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST), do Superior Tribunal Militar (STM), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho da Justiça Federal (CJF). A iniciativa teve por objetivo incentivar a produção de reportagens que evidenciem o papel do Judiciário na promoção da cidadania, dos direitos humanos e da justiça social. 

Os 241 trabalhos inscritos nesta edição do prêmio foram avaliados com base nos seguintes critérios: conexão com o tema principal, relevância para o Judiciário e a sociedade, qualidade editorial e jornalística, além da criatividade e originalidade na abordagem. 

Os três primeiros colocados em cada categoria dos dois eixos temáticos receberam R$ 5 mil. Os vencedores também foram contemplados com troféus e certificados, e os segundos e terceiros com certificados. 

Confira os premiados: 

Eixo temático 1 – Direitos humanos, cidadania e meio ambiente 

Jornalismo escrito – 1º lugar: Gigante pela própria imundice – Portal Metrópoles

Autoria: Isadora Teixeira Rodrigues Nogueira

Coautoria: Igo Estrela

2º lugar: Grades Invisíveis – Jornal O Tempo

Autoria principal: Aline Diniz Duarte Oliveira

Coautoria: Tatiana Lagôa

3º lugar: Povos isolados da Amazônia prosperam em meio a ameaças ambientais – O Globo

Autoria: Daniel Biasetto

Coautoria: John Reid

Foto: Divulgação