
Piloto confirma transporte de dinheiro para PCC e cita encontro com Ciro Nogueira e Rueda. Mauro Caputti Mattosinho afirmou que corre o risco de ser eliminado e pede compartilhamento de vídeo; veja aqui.
O piloto Mauro Caputti Mattosinho, que denunciou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), diz estar com medo e pede ajuda. Em vídeo postado nas redes sociais, ela afirma:
“Eu tô com medo, bastante, mas a indignação de tanto tempo um dia ficou maior que o medo. Não podemos esquecer nossa capacidade de nos indignar, porque indignados e juntos a gente consegue virar o jogo. Eu sou um piloto, um cara comum que eu vi e ouvi muita coisa. E eu sei que não sou o único. As mensagens que eu tenho recebido me fazem acreditar nisso.
E agora, eu preciso de vocês. Minha segurança depende da minha visibilidade. Esses políticos poderosos, a gente sabe que eles têm mídia, eles têm dinheiro, eles têm o sistema e eles já estão atuando nos bastidores. E eu só tenho vocês. Compartilha esse vídeo, marca seus amigos, marca seu deputado, marca seus influenciadores preferidos, vamos espalhar. Quanto mais olhos nessa história, melhor a chance de eles conseguirem nos calar”, encerrou.
Relembre o caso

Presidentes do União Brasil (UB), Antônio Rueda e do Progressistas, senador Ciro Nogueira.
Piloto de jatinhos usados por líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) – e que teriam o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, como “dono oculto” -, Mauro Caputti Mattosinho, de 38 anos, confirmou ter levado uma sacola, que teria dinheiro vivo, ao presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL).
Mattosinho fez a revelação de forma anônima em entrevista ao ICL Notícias no dia 31 de agosto, o que provocou a ira de Ciro Nogueira, que chegou a divulgar o número do telefone do jornalista Leandro Demori, que entrou em contato para pegar o outro lado. O senador nega que tenha recebido dinheiro “tido proximidade de qualquer espécie” com Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.
Líderes do PCC, Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como Primo estão foragidos após ação da PF que desvendou o braço da facção criminosa na Faria Lima.
De forma anônima, Mattosinho revelou que teria levado uma sacola de dinheiro a Nogueira por encomenda de Primo e Beto Louco.
“Sim, ele falou que [a sacola com dinheiro] era para o Ciro Nogueira. Eles estavam indo encontrar o Ciro, em posse dessa sacola”, diz à época.
Nesta quinta-feira (18), em nova entrevista ao ICL em que revelou que Rueda seria dono oculto das aeronaves usadas pela facção criminosa, o piloto deu mais detalhes sobre a entrega do pacote ao senador, lobista da Faria Lima e principal articulador do golpe dos ricaços no Congresso Nacional.
“Aquela sacola de papel me foi apontada por pessoas da empresa como uma sacola que deveria ser especialmente cuidada. E esse tipo de comunicação se dava para que nós entendêssemos que ali continha dinheiro”, afirmou sobre o alerta que teria sido dado pelo dono da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), Epaminondas Chenu Madeira.
Em seguida, o piloto narra o que aconteceu quando Beto Louco chegou à Brasília com a sacola. “No momento do desembarque [em Brasília], eu ouvi o Roberto Leme dizendo, na verdade, perguntando se estava tudo certo com o Ciro, se o Ciro já estava os aguardando, e a forma que ele se referiu foi o senador Ciro”.
O piloto diz que filmou a sacola “no intuito de demarcar que eu não estava maluco”. O vídeo foi feito no dia em que ele teria realizado o voo para Brasília, em 6 de agosto de 2024.
O voo foi feito no bimotor Israel G150, prefixo PR-SMG. Segundo Mattosinho, o jato pertence aos donos da Copape Produtos de Petróleo. Beto Louco e Primo ainda seriam sócios ocultos de Epaminondas Chenu Madeira na compra de outros dois jatinhos.
Leia a íntegra do texto do piloto
“Queridos amigos, e todos vocês que estão aqui por gostarem de mim,
Escrevo essa legenda inusitada, sentindo muito medo. Acima de todas as contradições, me pauto por aquela tão abstrata “coisa certa a se fazer”. Aquela coisa sem cara, sem cheiro, que de longe parece nos impelir a agir como pessoas e cidadãos melhores.
Hoje, essa tal coisa certa, se apresenta no meu colo, ao alcance dos meus dedos. Tão assustadoramente perto, que consigo por um momento sentir seu cheiro, olhar nos seus olhos, e vê-la exatamente como é. E ela é tão espinhosa, a ponto de me fazer duvidar da minha capacidade de aceitá-la como se apresentou.
Para além das metáforas, escrevo para dizer que eu preciso de vocês. Fazer a coisa certa, mesmo tremendo as pernas, é o desafio que eu decidi aceitar. Mas a coragem de um cara tão comum, não é suficiente para a tarefa que assumi. A coragem que preciso não cabe em um indivíduo, e por isso eu peço a vocês que segurem a minha mão.
Cuidem de mim. Olhem por mim!
Fotos: Divulgação

