
Escrevo sob o bombardeio intenso de 16 horas com a notícia, de todas as emissoras de televisão, rádios, portais e blogs, repetida, analisada, discutida e exposta do ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
Das observações cínicas (não encontro outra definição), de Miriam Leitão, que escreveu “Um ato ilegal contra um governante ilegítimo: não há lado bom na invasão americana na Venezuela”; a ilações de outros dizendo que o ato de Trump é um aval para Putin ficar com a metade da Ucrania e a Xi Jinping de retomar Taiwan.
O New York Times, um jornal democrata (porque lá nos Estados Unidos jornais tem lados explícitos, diferente daqui, onde jornais e órgãos de informação têm lado, mas passam o tempo todo dizendo-se isentos), foi contundente no seu editorial: “Trump’s Attack on Venezuela Is Illegal and Reckless”. Traduzindo: “Ataque de Trump à Venezuela é ilegal e imprudente”.
Descasca Trump e a política agressiva e intervencionista dos radicais de direita que se apossaram do Partido Republicano: O ataque de Donald Trump à Venezuela é considerado ilegal por não ter respaldo jurídico. Operação é vista como imprudente, pois não tem autorização do Congresso dos EUA. O editorial alerta para o risco de desestabilização da região e consequências internacionais negativas. Critica a falta de base legal e o potencial de agravar tensões políticas e humanitárias.
Agora a noite governadores, como Caiado, Zema, Ratinho Junior e Tarcisio, divulgam vídeos, notas e postagens aplaudindo Trump.
Ao fim destes meus 75 anos, entrando nos 76; por ter mais passado que futuro, me permito olhar apenas para o amanhã das Américas: Diferente das agressões que os norte-americanos realizaram contra os latino-americanos, como no Panamá, México e Cuba, esta ação imperialista desencadeia o primeiro movimento, ainda não é um passo, é o movimento inicial, para a construção da unidade sonhada por Bolívar, José de San Martín, Che Guevara, Bernardo O’Higgins e Francisco de Miranda.
Não sei se URSAL, aquela piada premonitória de um idiota, mas, certamente uma República Socialista que una os 33 países latino-americanos, que utilize a imensurável riqueza de nossas terras, de nossas águas e de nosso subsolo em prol de toda nossa gente.
Dizem que o que um ser humano sonha é certo que um dia outro vai realizar. E nisso não se conta em tempo de vida, mas pode ser contado em séculos.
Dizem também que há acontecimentos, pessoas e circunstâncias que aceleram a realização dos sonhos.
Sabemos que ações geram reações, que podem demorar, mas não há ação sem reação. Trump plantou, em terreno fértil, a semente da unidade latino-americana hoje.
Manoel Leão – Jornalista https://www.instagram.com/anoticiadovale/

