Educação digital avança no Brasil e reforça desafio de preparar estudantes para o mundo online 

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Priscila Mendes, jornalista e pesquisadora baiana, defende o ensino do uso crítico e responsável das tecnologias.

A presença cada vez maior da tecnologia no cotidiano e as mudanças nas formas de produzir e consumir informação estão levando a escola a repensar seu papel na formação das novas gerações. No Brasil, esse movimento ganha força com o avanço da educação digital, que deve passar a integrar de forma obrigatória o currículo da Educação Básica nos próximos anos. 

A proposta está prevista na Política Nacional de Educação Digital (PNED), que estabelece diretrizes para o desenvolvimento de competências digitais e midiáticas entre estudantes, professores e gestores escolares. O objetivo é preparar crianças e adolescentes não apenas para usar ferramentas tecnológicas, mas para compreender, interpretar e produzir informações de forma crítica e responsável no ambiente digital. 

Nesse cenário, cresce o debate sobre como preparar os estudantes para viver em um mundo cada vez mais conectado, onde celulares, redes sociais e algoritmos já fazem parte da rotina de crianças e jovens. Mais do que discutir a presença ou a proibição de celulares nas escolas, especialistas defendem que o verdadeiro desafio da educação contemporânea é ensinar os alunos a utilizarem essas ferramentas com consciência, senso crítico e responsabilidade. 

É nesse contexto que ganha destaque o conceito de educação digital, abordagem que integra tecnologia ao processo de ensino-aprendizagem de forma planejada e alinhada aos objetivos pedagógicos. A proposta envolve desde o uso de plataformas educacionais e metodologias inovadoras até o desenvolvimento do chamado letramento digital e midiático; habilidade essencial para interpretar informações, reconhecer desinformação e compreender os impactos das mídias na sociedade. 

A jornalista e pesquisadora baiana Priscila Mendes tem atuado justamente nesse campo, desenvolvendo atividades de formação e letramento digital em diferentes municípios do estado. Seu trabalho envolve formações para professores e gestores escolares, além da construção de práticas pedagógicas voltadas ao uso crítico e responsável das tecnologias no ambiente educacional. 

Segundo a pesquisadora, um dos pilares da educação digital é a chamada cidadania digital: a capacidade de navegar no ambiente online de forma ética, consciente e segura. Em vez de apenas consumir conteúdos, os estudantes passam a ser estimulados a analisar informações, produzir conhecimento e compreender o papel das tecnologias na sociedade contemporânea. 

Outro ponto central nesse processo é o apoio às escolas e educadores na adaptação a essa nova realidade. A integração das tecnologias ao ensino exige planejamento, formação continuada e diálogo com as famílias, para que o uso das ferramentas digitais esteja alinhado aos objetivos educacionais e ao desenvolvimento integral dos estudantes. “O maior desafio agora não é mais ensinar os estudantes a usar os aparatos tecnológicos, mas mediar esse uso. E, para isso, a gente precisa capacitar os professores para que criem narrativas capazes de estabelecer esse processo de mediação”, frisa Priscila. 

Além das formações de professores, a pesquisadora também desenvolve atividades ligadas à educação digital em diferentes contextos, incluindo projetos de capacitação e iniciativas voltadas ao fortalecimento do pensamento crítico no ambiente online. 

Diante das transformações aceleradas provocadas pela tecnologia, a especialista aponta que a educação digital tende a se consolidar como um dos pilares da formação escolar nas próximas décadas. “Precisamos garantir que estudantes não apenas tenham acesso às ferramentas tecnológicas, mas também desenvolvam as competências necessárias para compreender, questionar e transformar o mundo digital em que vivem”, pontua Priscila. 

Mais sobre Priscila Mendes: 

Educadora, jornalista e pesquisadora no campo das linguagens e especialista em mídias digitais, Priscila Mendes desenvolve atividades e formações voltadas à educação digital, letramento midiático e construção de práticas pedagógicas para o uso crítico das tecnologias nas escolas. Também atua na educação não formal, incluindo capacitações para fortalecer o empreendedorismo feminino.–

Orisa Gomes 
Jornalista – DRT 3900