
No Dia Mundial do AVC (29 de outubro), neurologista alerta para sinais da doença e destaca tratamentos capazes de reduzir sequelas
O acidente vascular cerebral (AVC) provocou 89.490 mortes no Brasil em 2025, o equivalente a aproximadamente 245 óbitos por dia, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil, divulgados pela Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC). Na Bahia, cerca de 2.700 pessoas morreram em decorrência da doença até 24 de outubro do ano passado, conforme levantamento da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Os números reforçam a importância do Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, que, em 2026, traz o alerta: “Cada minuto conta”.
A mobilização internacional, promovida pela World Stroke Organization (WSO), destaca três pilares: prevenir, reconhecer e recomeçar. O objetivo é conscientizar a população de que identificar rapidamente os sintomas pode salvar vidas, enquanto o controle dos fatores de risco e a reabilitação são fundamentais para reduzir o impacto da doença.
“O AVC é uma emergência médica em que cada minuto pode representar a perda de milhões de neurônios. Quanto mais cedo conseguimos restabelecer a circulação sanguínea no cérebro, maiores são as chances de preservar funções como a fala, os movimentos e a memória”, explica o neurologista Jamary Oliveira Filho, coordenador da UTI Neurológica e do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS).
Reconhecer os sinais salva vidas
O AVC ocorre quando um vaso sanguíneo cerebral é obstruído, caracterizando o tipo isquêmico, ou se rompe, provocando um AVC hemorrágico. Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 85% dos casos são isquêmicos.
Entre os principais sinais de alerta estão fraqueza ou dormência repentina em um lado do corpo, boca torta, dificuldade para falar ou compreender, perda súbita da visão, desequilíbrio e dor de cabeça intensa e inesperada. Diante desses sintomas, a orientação é acionar imediatamente o Samu (192), mesmo que as manifestações desapareçam espontaneamente.
“Uma forma simples de reconhecer o AVC é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase. Se houver assimetria facial, perda de força ou alteração da fala, é preciso procurar socorro imediatamente. Não se deve esperar para ver se melhora”, orienta Jamary.
Tratamentos podem reduzir sequelas
No hospital, a avaliação neurológica e exames de imagem, como tomografia ou ressonância magnética, permitem identificar o tipo de AVC e definir o tratamento. Nos casos isquêmicos, pacientes elegíveis podem receber medicamentos trombolíticos, que dissolvem o coágulo, geralmente até 4,5 horas após o início dos sintomas. Em situações selecionadas, a trombectomia mecânica permite retirar o coágulo por meio de cateter, inclusive em janelas mais prolongadas, conforme critérios clínicos e de imagem.
“Hoje dispomos de tratamentos capazes de modificar significativamente o prognóstico do AVC. Mas essas terapias dependem de uma estrutura hospitalar preparada, protocolos bem definidos e atendimento rápido. O tempo perdido antes da chegada ao hospital pode comprometer oportunidades de recuperação”, ressalta o neurologista.
Prevenção começa antes dos sintomas
A hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco modificáveis para o AVC. Diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e algumas arritmias cardíacas, como a fibrilação atrial, também aumentam o risco. O controle dessas condições, associado à alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico, ajuda a prevenir tanto o primeiro episódio quanto a recorrência.
“Prevenir o AVC significa cuidar da saúde cardiovascular continuamente. Muitas pessoas convivem com pressão alta sem apresentar sintomas. Diagnosticar e tratar esses fatores de risco é uma das medidas mais importantes para evitar uma doença que pode deixar consequências permanentes”, destaca Jamary.
A campanha de 2026 também chama atenção para a vida após o AVC. Fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e apoio psicológico podem integrar a reabilitação, que deve ser individualizada e iniciada conforme as condições clínicas do paciente. A mensagem é que, além de salvar vidas, é necessário oferecer condições para que os sobreviventes recuperem autonomia e qualidade de vida.
Assessoria de Imprensa: Cinthya Brandão –

