De tucano a chapa com Lula, Alckmin é reeleito vice-presidente do Brasil

nacional

Ex-governador de São Paulo, Alckmin deixou o PSDB após mais de três décadas para formar aliança com Lula, antigo adversário político

Geraldo Alckmin (PSB) foi reeleito vice-presidente da República na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Geraldo Alckmin (PSB) foi reeleito vice-presidente da República na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026, realizada neste domingo (25/10). Os dois derrotaram os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e o vice Alfredo Gaspar (PL).

Médico de formação e político com mais de quatro décadas de vida pública, Alckmin construiu a trajetória no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), legenda que ajudou a fundar e na qual permaneceu por mais de 30 anos.

Nascido em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, em 7 de novembro de 1952, Alckmin entrou na política em 1972, quando foi eleito vereador de sua cidade natal. Depois, ocupou os cargos de prefeito, deputado estadual e federal, até se tornar uma das principais lideranças tucanas do país.

Tucano histórico

O apelido de tucano está relacionado ao símbolo do PSDB. Alckmin é considerado um dos nomes históricos da legenda por ter participado de sua fundação, em 1988, ao lado de lideranças como Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Franco Montoro.

Sua trajetória esteve diretamente ligada ao partido. Foi vice-governador de São Paulo na chapa de Mário Covas e assumiu o comando do estado em 2001, após a morte do governador. Eleito para o cargo em 2002 e reeleito em 2014, permaneceu à frente do governo paulista até 2018.

A identificação com o PSDB também passou pelas disputas presidenciais. Em 2006, Alckmin enfrentou Lula no segundo turno, mas foi derrotado pelo petista. Em 2018, voltou a concorrer ao Palácio do Planalto, desta vez sem chegar à etapa final da eleição.

Após mais de três décadas de filiação, Alckmin deixou o PSDB em dezembro de 2021, em meio ao enfraquecimento eleitoral da legenda e às articulações para a eleição presidencial seguinte.

De adversário a vice-presidente

A aproximação com Lula marcou uma das maiores reviravoltas de sua carreira. Historicamente, PT e PSDB estiveram em lados opostos nas principais disputas presidenciais brasileiras, especialmente entre 1994 e 2014.

Em 2022, Alckmin se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) para integrar a chapa de Lula. A aliança buscava ampliar o apoio ao petista entre eleitores de centro e setores que tradicionalmente mantinham distância do PT.

Eleito vice-presidente, Alckmin também assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tornando-se um dos principais interlocutores do governo com o empresariado. A experiência administrativa e o perfil moderado contribuíram para sua atuação na articulação econômica e política.

A reeleição consolida a parceria entre os dois políticos e mantém uma composição que, anos antes, parecia improvável. De fundador do PSDB e adversário de Lula nas urnas, Alckmin passou a integrar o governo petista, em uma trajetória que reflete as mudanças nas alianças e na dinâmica partidária brasileira.

Evellyn Paola/Foto: Ricardo Stuckert