Carlos Muniz comemora vitória de Lula e aproximação com Jerônimo provoca insatisfação de aliados

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Presidente da Câmara Municipal de Salvador, o vereador Carlos Muniz (PSDB) comemorou a vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, neste domingo (25). Vestido com uma camisa vermelha, o tucano publicou uma fotografia nas redes sociais fazendo o tradicional “L” com a mão direita, gesto associado ao petista. 

A manifestação ocorre em meio à aproximação política de Muniz com o governo estadual, movimento já confirmado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), mas que tem provocado insatisfação entre aliados do presidente do Legislativo municipal.

Muniz já havia declarado apoio a Lula no primeiro turno da eleição presidencial, mesmo integrando a base política do prefeito Bruno Reis (União), aliado de ACM Neto (União). No segundo turno, reforçou o posicionamento, enquanto buscava criar as condições políticas e jurídicas para disputar novamente a presidência da Câmara Municipal.

A aproximação com o Palácio de Ondina, entretanto, não foi bem recebida por todos os integrantes do grupo político de Muniz. Aliados demonstraram descontentamento com o movimento e chegaram a ameaçar retirar da influência do presidente da Câmara o comando da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), órgão municipal que integra a estrutura administrativa da Prefeitura e é considerado um dos espaços políticos ligados ao tucano.

Outro episódio que provocou desconforto foi o posicionamento do deputado estadual eleito Neto Coelho (PDT), que declarou apoio à reeleição de Lula no segundo turno. No primeiro turno, o pedetista foi o único da sigla a apoiar ACM Neto na disputa pelo governo da Bahia. 

Neto Coelho foi parceiro da candidatura a deputado federal do filho homônimo de Carlos Muniz na eleição em Salvador e no interior, o que ampliou a repercussão de sua decisão entre os aliados do presidente da Câmara Municipal.

O apoio ao petista desagradou integrantes do grupo político de Muniz, entre eles o vereador Rodrigo Amaral. (PSDB) O episódio expôs divergências internas justamente no momento em que o presidente da Câmara busca ampliar seu espaço de articulação política para além da base do prefeito Bruno Reis.

Disputa pela Câmara – Paralelamente à aproximação com o governo estadual, Carlos Muniz sofreu um revés na tentativa de permanecer no comando do Legislativo municipal. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu decisão impedindo uma nova recondução do tucano à presidência da Casa.

O entendimento é de que Muniz já foi reconduzido uma vez ao cargo e não poderia exercer um terceiro mandato consecutivo. O vereador, entretanto, sustenta que sua primeira passagem pela presidência ocorreu em razão da saída de Geraldo Júnior (MDB), que deixou o comando da Câmara para disputar a vice-governadoria na chapa de Jerônimo Rodrigues, em 2022.

Enquanto Muniz enfrenta o impedimento judicial, cresce a articulação em torno da candidatura do vereador Alexandre Aleluia (Novo) à presidência da Câmara. O parlamentar já reúne o apoio de 32 vereadores, incluindo nomes que integram o grupo político de Muniz, como Maurício Trindade (PSDB) e Ricardo Almeida (DC).

Este último era apontado como possível candidato do próprio Muniz caso o tucano não conseguisse disputar a reeleição. A adesão de Ricardo Almeida ao projeto de Aleluia, que tem ainda o apoio de Bruno Reis, representa, portanto, mais uma dificuldade para o atual presidente da Casa.

A expectativa é de que, ainda nesta semana, vereadores da oposição formalizem apoio à candidatura de Alexandre Aleluia, ampliando o isolamento político de Muniz na disputa pelo comando do Legislativo.

Diante desse cenário, a eleição do filho deputado federal, a de Lula para a presidência e a aproximação com Jerônimo Rodrigues podem representar uma alternativa para Carlos Muniz preservar influência política, mesmo diante da possibilidade de deixar a presidência da Câmara. O movimento, porém, também pode cobrar um preço: o desgaste com aliados do prefeito Bruno Reis e a eventual perda de espaços na administração municipal.

Foto: Arquivo Política Livre