
O deputado estadual reeleito Roberto Carlos (PV) afirmou que não recebeu recursos do Fundo Partidário para disputar as eleições de 2026 e denunciou o que classificou como discriminação da legenda. A situação também foi relatada pelo deputado Marquinho Viana (PV), que confirmou ao Bahia Notícias não ter recebido recursos do partido para financiar sua campanha.
Em conversa com o Bahia Notícias nesta terça-feira (3), Roberto Carlos disse que, além de não receber verba partidária, ficou de fora da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Segundo ele, a decisão de não destinar recursos à sua campanha partiu da direção nacional do PV.
“Não tive um centavo de fundo eleitoral. Perguntei ao presidente estadual, e ele me disse que foi uma decisão da nacional. O partido estava cobrando uma taxa de R$ 60 mil para as gravações. Eu não tive, ainda, um centavo do fundo partidário. Mas, graças a Deus, conseguimos a vitória nas urnas”, declarou
Apesar de não ter recebido recursos do Fundo Partidário, Roberto Carlos contou com doações de aliados e utilizou dinheiro próprio na campanha. O maior aporte foi feito pelo deputado federal reeleito Bacelar (PV), que destinou R$ 200 mil. O parlamentar investiu outros R$ 125 mil na própria candidatura. As demais contribuições ficaram abaixo de R$ 25 mil, incluindo uma doação do filho, o vereador de Salvador Randerson Leal (Podemos).
Procurado pela reportagem, o também deputado estadual pelo PV Marquinho Viana afirmou que não recebeu recursos do Fundo Partidário nem do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Segundo ele, a direção partidária alegou falta de recursos para realizar os repasses.
O deputado relatou ainda que recebeu uma mensagem do presidente estadual do partido, Ivanilson Gomes, informando que havia tentado viabilizar o envio de verba junto à direção nacional, mas não conseguiu. Assim como Roberto Carlos, Marquinho Viana também relatou uma cobrança para participar da propaganda eleitoral gratuita.
De acordo com o parlamentar, foi informado de que os candidatos a deputado estadual precisariam pagar R$ 60 mil para ter espaço nas gravações, enquanto o valor para os candidatos a deputado federal seria de R$ 120 mil. Marquinho também disse que a ausência de recursos para candidatos estaduais não foi uma situação isolada nesta eleição. Segundo ele, nas cinco disputas para deputado que enfrentou, nunca recebeu dinheiro do partido para financiar sua campanha.
Ao BN, Ivanilson Gomes atribuiu a distribuição dos recursos a uma decisão da direção nacional. Segundo ele, a cúpula priorizou candidaturas à Câmara dos Deputados, por causa do impacto da votação federal no cálculo do tempo de rádio e televisão e do fundo partidário. “Para a nacional, estadual não é prioridade, mas sim federal. Pois é a eleição de deputado federal que conta na hora de calcular tempo de rádio e TV e fundo partidário. Mas eu atuei muito para que ele pudesse receber”, afirmou Ivanilson.
O dirigente também declarou que Fabíola Mansur foi a única candidata a deputada estadual do PV a receber recursos do Fundo Partidário, por estar incluída na cota destinada às mulheres. No entanto, os dados do DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultados pela reportagem até esta terça-feira (3), não apontavam repasses dessa fonte para nenhum dos candidatos estaduais da legenda, incluindo Fabíola.
A divergência ocorre enquanto os candidatos ainda estão no prazo para apresentar a prestação de contas final. Segundo o calendário do TSE, o limite para os concorrentes que disputaram apenas o primeiro turno termina nesta terça-feira (3). A ausência de registros na consulta, portanto, precisa ser considerada dentro desse prazo.
A ausência de repasses do Fundo Partidário não significa, por si só, que os candidatos não tenham recebido recursos de outras fontes, como o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), destinado especificamente ao financiamento eleitoral. No caso dos deputados estaduais do PV, Roberto Carlos e Marquinho Viana afirmaram não ter recebido recursos partidários para suas campanhas.
Bahia Notícias/Foto: Divulgação Aleba

