KARL MARX

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Karl Marx consegue sempre a posição de “8 ou 80” entre os que o odeiam e os que o veneram. O que, entretanto, não quer dizer que ele não possa ser analisado à luz do bom senso e da racionalidade.

Numa ótica mediana, ele na realidade foi extremamente polêmico e autor de pensamentos considerados degradados frente à natureza humana (inclua-se Friedrich Engels no pacote, até mais que o próprio Marx). Talvez ele tenha conseguido a notoriedade em função da carência, da incapacidade de discernimento, da incompetência e das críticas próprias da população que o sucedeu. Não se pode também deixar de dizer que, dentro de suas polêmicas ou grandes desacertos, surgiram pensamentos no mínimo inovadores que registraram sua passagem e foram assimilados pelos seus posteriores.

Dentro da ótica econômica, os equívocos da utopia comunista não tinham sustentação na prática de forma alguma. Isto foi demonstrado nas tentativas de colocação em prática de suas teorias, embora, convenhamos, as revoluções ditas comunistas tenham sido, na realidade, uma busca de poder ditatorial de elites dominadoras (elites militares e filosóficas). Elas nunca buscaram a tal igualdade social, e sim o domínio por uma minoria, na qual se via, por incrível que pareça, a mesma divisão da formação do conceito de direita e esquerda na França. Ou seja: um poder central dominante e não democrático, de um lado o povo subjugado (e ai de quem fosse contra) e, do outro lado, os amigos e apoiadores do poder. Não foi assim a formação do comunismo russo com Lênin, Stalin e os bolcheviques?

Um único ponto positivo foi acordar os dominantes ou lideranças para o fato de que o povo estava se sentindo oprimido e não satisfeito com a Revolução Industrial no estágio em que se encontrava. Isso pode ter sido um marco para que se vislumbrasse a necessidade de atendimento de causas sociais e mais justas. Pode ter sido o berço para que o domínio econômico não estabelecesse condições de opressão à grande massa populacional e estabelecesse condições mais liberais e de liberdade. Mas esta questão dos desmandos do capitalismo foge da extremidade proposta por Marx e Engels, embora ainda estejamos atravessando uma outra fase da sua existência.

Um ponto que é muito citado e condenado de Karl Marx foi sobre a religião (ele não citou Deus), ao dizer: “A religião é o ópio do povo”. Marx desconsiderou a participação da religião na formação da sociedade, de ser uma das bases das questões morais e éticas, de ser um poder analgésico para as dores espirituais que assolam a humanidade e um consolo para o sofrimento humano, para focar exclusivamente na questão da redução da mente e da racionalidade pela fantasia e alienação da realidade. Ou seja, nesta afirmação poderia estar embutido que a religião traria um certo conformismo perante o que se considerava injustiça social.

Num ponto de vista atual, esta posição de Marx talvez seja a mais atacada e a que tenha, de fato, uma maior necessidade de análise racional. No entanto, as atuais posições políticas tentam colocar essa visão na disputa política entre direita e esquerda, o que, convenhamos, não tem nenhum sentido. Por exemplo, hoje os formadores de opinião tentam implantar a ideia de esquerda/ateísmo e direita/religiosidade, o que é totalmente sem sentido e serve para a pura manipulação de suas ideias.

Posição do autor deste texto: Contra o comunismo, contra qualquer extremismo, alinhado à direita, ateu, ou agnóstico, ou herege, ou de pensamento livre, conforme os donos da verdade gostam de nominar as pessoas.

Roberto Barbieri – Passos – MG/Foto: Divulgação