
2002, Antônio e sua família se prepararam muito para a maior festa do futebol, a Copa do Mundo.
Antes do mundial começar, todos estavam ansiosos para acompanharem os jogos no Japão e Coreia, pois assistir à Copa ao vivo e em cores era uma emoção única, ainda mais, fanáticos por futebol como eles eram.
Finalmente, no grande dia da estreia brasileira contra a Turquia, toda família de Antônio estava assistindo ao jogo no Munsu Cup Stadium, na cidade de Ulsan (Coreia do Sul), diretamente de sua sala, numa televisão de 42 polegadas, um luxo da época, comprada especialmente para aquele mundial (já que a última TV nova que havia comprado fora de 14 polegadas em 1994, quando o Brasil conquistou o Treta).
Naquela ocasião, a seleção não só venceu aquele jogo por 2 a 1, como também venceu a Copa do Mundo, conquistando seu pentacampeonato sob o comando do técnico Felipão e craques como Ronaldo, Rivaldo, Cafu, Ronaldinho, Roberto Carlos etc.
Já para o Mundial de 2006, na Alemanha, Antônio comprou uma TV maior, de 47 polegadas, na expectativa de que poderia trazer sorte e o Brasil conquistar o hexa. Entretanto, não deu e o Brasil perdeu de 1 a 0 para a França nas quartas de final.
Em 2010, Antônio tinha certeza que a TV nova de 55 polegadas faria o Brasil vencer a Copa na África do Sul; ledo engano, e a seleção caiu novamente nas quartas de final, dessa vez diante da Holanda, por 2 a 1.
2014, Copa no Brasil, era certeza que a seleção seria campeã em casa, principalmente por causa daquela TV de 65 polegadas na sala de Antônio; vergonhosamente, a seleção foi humilhada nas semifinais pela Alemanha, perdendo o jogo pelo traumatizante placar de 7 a 1, em Belo Horizonte.
Em 2018, tinha que ser diferente; mas não foi, e a seleção perdeu para a Bélgica por 2 a 1 nas quartas de final, mesmo com a TV de 75 polegadas transmitindo o jogo direto da Rússia.
Em 2022, uma TV gigante de 85 polegadas quase não coube na sala de Antônio, mas definitivamente, aquele trambolho iria dar sorte e a seleção ganharia aquela Copa no Catar; pelo menos, era o que pensava Antônio. Mas que nada, a seleção foi eliminada nas quartas de final pela Croácia, nas cobranças de pênaltis.
— Agora vai!
Diz Antônio confiante atualmente, diante sua TV de 100 polegadas, em sua nova casa, que tem uma sala maior.
Antônio teve que vender sua antiga casa, alguns bens pessoais e até pegou empréstimo, só para ter uma sala mais ampla para caber sua TV nova. Ele tem certeza que na Copa do Mundo deste ano no México/Estados Unidos/Canadá, o Hexa do Brasil vem.
E precisa vir logo mesmo, senão o coitado do Antônio logo terá que comprar um cinema, para ter um telão entre 500 e 800 polegadas.
RODRIGO ALVES DE CARVALHO nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas promovidas por editoras e órgãos literários. Atualmente colabora com suas crônicas em conceituados jornais brasileiros e Blogs dedicados à literatura.
Em 2018, lançou seu primeiro livro intitulado “Contos Colhidos”, pela editora Clube de Autores. Trata-se de uma coletânea com contos e crônicas ficcionais, repleto de realismo fantástico e humor. Também pela editora Clube de Autores, em 2024, publicou o segundo livro: “Jacutinga em versos e lembranças” – coletânea de poemas que remetem à infância e juventude em Jacutinga, sua cidade natal, localizada no sul de Minas Gerais. Em 2025, publicou o terceiro livro “A saga de Picolândia” – série de relatos sociopolíticos acontecidos em Picolândia – uma pequena cidade do interior, cuja sua principal fonte de renda é a produção de sorvetes. Com um tom humorístico e irônico, com uma pitada de realismo fantástico, a obra reúne diversas crônicas engraçadas narradas por um morador desta cidade.
Por Rodrigo Alves de Carvalho

