
Enquanto o mundo insiste em transformar produtividade em medida de valor, o mês mais silencioso do ano lembra que algumas mudanças só acontecem quando fechamos a porta, diminuímos o ritmo e aprendemos a escutar o que existe dentro de nós.
Julho é aquele mês que chega sussurrando. Não vem com a queda de confete de janeiro, não vem com o calor que te obriga a acordar cedo, não vem gritando que tudo é possível. Julho vem, fecha a porta, apaga a luz e pede um café quente.
Comecei a notar que quando chega julho, as pessoas desaceleram. Não é preguiça, é como se o inverno pedisse permissão para a gente parar um pouco. Para desatrancar aquele nó que ficou na garganta desde janeiro. A minha mãe diz que julho é o mês que ela mais dorme e, sabe, acho que ela tem razão. Tem algo na temperatura, na claridade mais curta, na forma como as noites chegam mais cedo.
O problema é que a gente foi criado achando que acelerar é sinônimo de viver. Que se você não estiver saindo todos os dias, não estiver produzindo, postando, mostrando que está “vivendo a vida”, então está sendo preguiçoso ou está se perdendo. Mas e se julho estivesse certo? E se o convite fosse outro: ficar dentro, reorganizar as coisas internas, aquelas que a gente adia porque está sempre correndo pra fora?
Tem umas coisas que só se resolvem com a porta fechada. Com você e você mesmo. Com uma xícara de chá. Com o silêncio. Tem medo que resolve com movimento, tem medo que resolve com pausa. E julho, querido julho, é especialista em pausas.
Então quando chegar esse mês que sussurra, aquele que alguns acham lento demais, aquele que desacelera o ritmo, não luta contra isso. Senta junto. Abre um livro que você nunca teve tempo de ler, escuta aquela música que te faz chorar, senta na poltrona e olha a chuva pela janela. Porque tem um segredo: as coisas mais importantes da gente só se resolvem quando fechamos a porta.
@enricopierroofc

