Ibaneis desiste de concorrer ao Senado após desgaste com caso Master

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Vou cuidar da minha vida’, afirma ex-governador do DF

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) anunciou nesta quarta-feira (8) a desistência de sua candidatura ao Senado nas eleições de outubro.

“Vou cuidar da minha vida”, escreveu em mensagem enviada ao jornal Folha de São Paulo. Mais cedo, ele também afirmou à TV Globo que não pretende disputar outros cargos, como de deputado federal.

Ibaneis deixou o Palácio do Buriti, em março, a tempo do prazo de descompatibilização para concorrer ao pleito, exatamente um ano após o anúncio de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). O escândalo o colocou diante da maior crise desde que foi eleito.

A desistência de Ibaneis se dá após ele articular para se lançar pré-candidato ao Senado na chapa da atual governadora, Celina Leão (PP), junto com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). No entanto, ele se desentendeu com Celina e estava correndo o risco de ficar sem espaço na chapa do PL.

Ibaneis Rocha foi o principal fiador político da aquisição do Master pelo BRB, cujo acionista majoritário é o Governo do DF. Após a decisão do Banco Central que impediu a operação, o então governador disse que haveria risco ao sistema financeiro nacional e que o banco distrital estava tentando comprar uma “oportunidade”.

Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa disse ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que o então governador do Distrito Federal previu que a compra do Master pelo banco estatal de Brasília seria alvo de críticas e pediu argumentos para defender a operação.

À época, Ibaneis respondeu: “Nada mais natural do que eu querer informações, mesmo que superficiais, sobre uma operação de compra de parte de um banco privado”.

Seu aliado, Paulo Henrique Costa foi preso em abril durante fase da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes bilionárias, e teve uma tentativa frustrada de firmar um acordo de colaboração premiada.

Paulo Henrique é alvo de investigações desde novembro do ano passado. À época, a Justiça determinou o afastamento dele da presidência do banco e Ibaneis decidiu demiti-lo.

Ao se despedir do GDF, Ibaneis ofereceu um jantar aos candidatos do MDB em que, segundo relatos obtidos pela reportagem, afirmou que todas as transações do seu escritório estão documentadas e foram feitas dentro da legalidade.

Na época, o ex-governador repetiu que estava tranquilo com a possibilidade de Vorcaro firmar uma delação, o que também não se concretizou. Tanto a PF quanto a PGR (Procuradoria-Geral da República) rejeitaram as propostas apresentadas pela defesa do dono do Master.

caso do Master levou ao isolamento de Ibaneis e fez o ex-governador do DF perder qualquer chance de apoio do PL para concorrer ao Senado pelo Distrito Federal.

Ibaneis foi eleito em 2018 e reeleito quatro anos, com folga, depois com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para a eleição de 2026, seu plano era concorrer ao Senado numa aliança com o PL, dando a segunda vaga de senador na sua chapa a um candidato ou candidata bolsonarista.

O movimento abriu caminho para o partido de Bolsonaro lançar dois nomes próprios ao Senado: Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis. A candidatura de Michelle, no entanto, virou uma incógnita meio à crise com o enteado mais velho, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Nesta quarta, Bia Kicis veio a público defender a candidatura da ex-primeira-dama na dobradinha. “O Senado é quem precisa da Michelle, não o contrário. Esta vaga é dela”, disse a parlamentar.

Por Isadora Albernaz/Nathalia Garcia/Folhapress/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo