
Após toda a confusão gerada pelo processo de definição das candidaturas ao Senado, a governadora Raquel Lyra (PSD) saiu fortalecida. Mesmo com todo o desgaste, ela conseguiu pavimentar todo o caminho para sua reeleição, referendada pela liderança nas pesquisas, como também abriu espaço para a própria sucessão.
A questão é simples. Um mandato de senador tem oito anos, e muitos são estimulados por suas bases a disputarem o Governo do Estado na metade. Por vezes, acabam indo para a oposição para atingirem isso. Foi o caso de Fernando Bezerra Coelho, eleito senador na chapa do PSB em 2014, e quatro anos depois rompeu com Paulo Câmara para tentar concorrer contra o mesmo pelo MDB. Acabou rifado pelos caciques estaduais, que se mantiveram aliados a Paulo.
Oito anos depois, o filho de Fernando, Miguel Coelho (União Brasil), foi rifado da atual disputa, com aval da governadora. Raquel sabe que se livrou de um eventual adversário para sua sucessão em 2030.
Sem um mandato de senador, as chances de Miguel voltar a disputar o governo daqui a quatro anos são bem menores. Com ele fora da corrida pela Casa Alta, as preocupações reduziram.
E entre os postulantes ao Senado, apenas Marília Arraes (PDT) é vista como ameaça. Assim como Miguel, ela disputou o governo em 2022, e assim como Fernando Bezerra, foi rifada da disputa em 2018, desta vez pelo PT, que apoiara a reeleição de Paulo Câmara. Caso eleita senadora, Marília é cotada tanto para disputar a Prefeitura do Recife em 2028 quanto o Governo do Estado em 2030. E independente se contra o palanque de João Campos (PSB) ou o candidato de Raquel.
Os demais postulantes ao Senado não são vistos como ameaça. Humberto Costa (PT), que está na chapa de João mas não teria restrições de Raquel, tenta mais uma reeleição para a Casa Alta, onde chegou em 2010 e renovou o atual mandato em 2018. O petista nunca fez tanta força para concorrer ao Palácio do Campo das Princesas nas duas vezes em que esteve em metade de mandato, o que tenderia a se manter em caso de nova reeleição. Já Mendonça Filho (PL) e Eduardo da Fonte (PP) também não deverão incomodar tanto, caso vençam agora.
Nesse cenário, tudo leva a crer que Raquel trabalhou com mãos de ferro para garantir a sucessão. Logicamente, desde que faça sua parte e vença nas urnas, dentro de dois meses.
Por Ricardo Antunes/Foto: Divulgação

