Brasil e EUA retomam diálogo e marcam reunião sobre tarifaço

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O Brasil e os Estados Unidos vão retomar as negociações comerciais na próxima segunda-feira (31). O encontro foi acertado durante uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizada na última sexta-feira (21).

Durante a conversa, Lula defendeu o diálogo e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a aplicação das tarifas contra produtos brasileiros são infundadas. O presidente também argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países e defendeu a negociação como caminho para preservar a relação comercial.

Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para justificar as tarifas estão questões relacionadas ao desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e à importação de produtos associados ao trabalho forçado.

Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a continuidade do contato entre as equipes dos dois governos. A reunião de segunda-feira será o próximo passo nas tratativas entre Brasília e Washington.

Tarifaço

Em julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas e equipamentos elétricos, além de outros produtos manufaturados.

Posteriormente, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi aplicada sobre outros produtos nacionais. Segundo o governo norte-americano, a medida está relacionada à falta de mecanismos considerados eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

De acordo com levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as tarifas em vigor atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos.

O governo brasileiro também levou a questão à Organização Mundial do Comércio (OMC), solicitando consultas no sistema de solução de controvérsias. Brasília argumenta que as tarifas são incompatíveis com as regras da organização, e os Estados Unidos aceitaram participar das consultas.

Desde o início das medidas, o governo brasileiro tem ressaltado que os Estados Unidos possuem superávit na relação comercial com o Brasil, ou seja, vendem mais ao país do que compram. O governo afirma que continuará buscando alternativas para reduzir os impactos das tarifas sobre a economia e a renda dos brasileiros.

Fonte: Agência Brasil/Foto: Redes Sociais