
A perda de espaço do caso Dark Horse no noticiário para as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em um escândalo de lobby no governo Lula trouxe alívio para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) —mas não apagou o episódio da memória de eleitores indecisos.
É o que aponta levantamento do Instituto DX (Democracia em Xeque), que realiza encontros online semanais com grupos formados por eleitores de 30 a 50 anos, renda familiar de três a sete salários mínimos e moradores de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador.
Considerados os fiéis da balança eleitoral, eles não rejeitam nenhum dos dois candidatos, mas ainda não decidiram em quem votar. O objetivo do Instituto DX é avaliar a repercussão dos principais acontecimentos políticos da semana entre esse eleitorado.
A afirmação de Flávio de que o filme “Dark Horse”, financiado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, seria “página virada” foi mal recebida por esse eleitorado.
Os participantes disseram que a mudança do noticiário não encerra o episódio e cobraram a apresentação dos documentos prometidos pelo senador. Eles avaliam, no entanto, que o desgaste perdeu força por ter saído dos holofotes.
No caso de Lula (PT), os participantes demonstraram maior conhecimento sobre as suspeitas relacionadas a Lulinha e ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, em relação às semanas anteriores. A declaração do presidente de que o filho deve ser investigado foi considerada correta, mas houve dúvidas sobre a possibilidade de interferência nos bastidores.
Segundo o DX, o envolvimento de Marcola amplia o problema ao levar a suspeita do núcleo familiar para o entorno político e administrativo do presidente. Os eleitores passaram a questionar se Lula conhece e controla as ações de pessoas próximas.
Apesar dos episódios, as razões centrais das preferências eleitorais permanecem estáveis. Eleitores inclinados a Flávio mencionam alternância de poder e rejeição ao PT. Os que preferem Lula citam programas sociais e políticas voltadas à população de baixa renda.
A conclusão do instituto é que os escândalos não desaparecem, mas se acumulam na memória do eleitor pendular. Mesmo quando perdem espaço no noticiário, podem ser retomados durante a campanha e voltar a pesar na escolha do voto.
Por Jullia Gouveia/Folhapress/Foto: Reprodução/Arquivo

