
A delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, aponta que ele realizava remessas financeiras e providenciava dinheiro em espécie para Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo o jornal Folha de São Paulo, parte dos recursos movimentados por Mineiro foi destinada a um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com pessoas com conhecimento da colaboração, Mineiro se apresenta no material como operador financeiro de Vorcaro. O empresário, proprietário de diversas empresas e antigo parceiro de negócios do ex-banqueiro, relatou às autoridades que passou a ser solicitado para realizar operações consideradas por ele “não ortodoxas”, incluindo remessas sem lastro e a obtenção de dinheiro vivo.
Entre as operações mencionadas na colaboração, estão transferências destinadas ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. As autoridades suspeitam que parte dos recursos possa ter sido destinada a Eduardo.
Dinheiro era transportado em malas
Segundo o relato, Vorcaro transferia bens ou recursos para empresas de Mineiro, que buscava outros operadores capazes de disponibilizar dinheiro em espécie. Essas pessoas cobravam 4% pelo serviço e entregavam as notas ao empresário, que, posteriormente, colocava o dinheiro em malas e o repassava ao ex-banqueiro.
A colaboração indica que Mineiro afirmou desconhecer o destino final dado por Vorcaro aos valores em espécie. Pessoas que conhecem o conteúdo do material disseram que o empresário também não sabe se os recursos enviados aos Estados Unidos foram utilizados para financiar Eduardo Bolsonaro ou outro aliado de Jair Bolsonaro.
A investigação da Polícia Federal já havia apontado que a Entre Investimentos e Participações, empresa de Mineiro responsável pela remessa ao Havengate, funcionava como um braço operacional de Vorcaro, auxiliando na transferência de recursos definidos pelo banqueiro.
A colaboração é considerada um possível caminho para identificar em quais situações Daniel Vorcaro teria necessitado de dinheiro vivo para supostas atividades ilícitas e quando determinados pagamentos foram realizados.
A delação de Mineiro foi firmada com a Procuradoria-Geral da República em agosto. O material foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por analisar sua validação. Até o momento, o ministro não tomou uma decisão sobre o caso.
Esta é a segunda delação firmada pela PGR no âmbito do caso Banco Master. A primeira envolveu o empresário João Carlos Mansur, ex-dono da gestora de fundos Reag. O material dessa colaboração também foi enviado a André Mendonça.
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