Flávio Bolsonaro é investigado no STF em inquérito sobre ‘Dark Horse’

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência nas eleições de 2026, é formalmente investigado no inquérito que apura a produção do filme “Dark Horse”, sobre seu pai, Jair Bolsonaro, hoje preso por liderar a tentativa de golpe de Estado.

A decisão que tornou o candidato alvo foi dada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), em 22 de julho deste ano, a pedido da Polícia Federal (PF).

A PF pede para “apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos […] no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master”.

A decisão de Mendonça, porém, apenas aceita o pedido, mas não dá mais detalhes sobre seu conteúdo ou as suspeitas.

O candidato foi procurado por meio de mensagem à sua assessoria de imprensa, na manhã desta sexta-feira (11), mas não respondeu até a publicação deste texto. Anteriormente, ele negou qualquer irregularidade em relação ao caso e declarou que o filme só tem recursos privados.

Uma das suspeitas dos investigadores é de que parte do dinheiro arrecadado para o filme tenha sido usada para bancar as despesas do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos.

Como revelou o site The Intercept, Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (hoje, aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção do filme.

Deste montante, foram pagos efetivamente no mínimo US$ 12,3 milhões (hoje, cerca de R$ 62,9 milhões), segundo documentos da investigação noticiados pela revista piauí.

Vorcaro está preso, investigado por uma fraude bilionária contra o sistema financeiro do Brasil, orquestrada por meio de sua instituição, o Banco Master.

O ministro André Mendonça retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo de parte dos processos do caso Master em resposta a pedido do presidente da corte, Edson Fachin. O despacho inclui a petição que é a base da investigação na corte e procedimentos derivados dela. A informação sobre a investigação de Flávio consta desse material.

Também nesta quinta, a Polícia Federal realizou operação autorizada pelo ministro Flávio Dino sobre o filme, que apura o possível desvio de R$ 750 mil da produção do filme, além de uso de verba pública.

Dentre os alvos, estão o deputado Mário Frias (PL-SP). Segundo relatório, ele enviou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para o ICB (Instituto Conhecer Brasil), ONG presidida por Karina Gama, também dona da Go Up Entertainment, produtora do filme.

Na quinta, Flávio Bolsonaro chamou a operação de “fajuta”. “Faltam 24 dias para a eleição, eles precisam inventar alguma coisa contra mim”, disse.

Já a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, diz que o empresário era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, do Banco Master. Esse dinheiro muitas vezes era entregue em malas, devido ao seu volume.

Entre as remessas feitas por Mineiro estão recursos destinados ao fundo dos Estados Unidos usado para financiar “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Esse fundo, chamado Havengate Development Fund, é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Por Luísa Martins e João Gabriel/Folhapress/Foto: Charles Vieira/Arquivo/Divulgação