
Consolidado nos mercados de uva e manga no país, o Vale do São Francisco começa a colocar uma nova cultura nesse mapa: a do cacau. Ainda em fase inicial, a atividade desperta o interesse de produtores e empresas, e aparece como alternativa para diversificar a produção, ampliar a renda no campo e abrir novas oportunidades de negócios na região. A partir desse cenário, o Sebrae Pernambuco realizará, nesta sexta (18) em Petrolina, a primeira edição do Cacau Day – encontro que coloca em discussão o potencial da cacauicultura na região e aproxima quem já produz, quem quer investir e quem pode participar da cadeia que começa a se desenhar.
O evento é gratuito e deve mobilizar cerca de 300 participantes entre produtores rurais, especialistas, pesquisadores, acadêmicos, empresários e representantes de instituições. Serão apresentadas informações sobre cultivo, manejo, viabilidade econômica, mercado e oportunidades de negócios, criando um ambiente para que pequenos, médios e grandes empreendedores possam avaliar as possibilidades reais de participação desse novo mercado que aparece como oportunidade. As inscrições estão disponíveis na Loja do Sebrae Pernambuco.
A aposta parte de duas características: a primeira é a relação ‘clima x irrigação controlada’, que já transformou o Vale em potência da fruticultura. Essa combinação consegue elevar o nível da produção para atender mercados internacionais extremamente exigentes em qualidade. Para se ter ideia, o Vale responde por quase 100% de toda a uva exportada do Brasil inteiro e mais de 90% quando se trata da exportação de manga. Os dados são da Embrapa.
Outro ponto é colocar o cacau em cultivo consorciado. Como o cacaueiro necessita de sombra para seu desenvolvimento, a proposta é a integração com culturas já presentes no território, especialmente o coco. Como já existe uma estrutura com agricultores familiares que fornecem coco para grandes empresas da região, a ideia é que eles possam incrementar a produção e ter mais uma alternativa.
Mais mercado
Para Gledson Mattos, especialista em Agronegócio do Sebrae/PE, a experiência acumulada pelo Vale não precisa ficar restrita às culturas que já se consolidaram. “A combinação entre incidência de sol, tecnologia e irrigação pode ser estudada também para o cacau, adaptando às características do semiárido e explorando uma cultura que apresenta demanda e possibilidades de mercado“, explica. “O Vale já mostrou que consegue produzir com alta tecnologia, produtividade e qualidade em condições que poderiam ser consideradas adversas. O que estamos fazendo agora é olhar para o cacau com essa mesma perspectiva, criando oportunidades para que diferentes perfis de produtores e empresas possam participar dessa cadeia“, completa.
Mais do que apresentar uma nova cultura ao produtor, o Cacau Day pretende discutir se o Vale pode transformar o cacau em mais uma atividade econômica relevante do território. A intenção é antecipar essa discussão, reunir conhecimento, produtores e potenciais investidores e começar a construir as bases de uma cadeia produtiva local que possa crescer de forma profissional, sustentável e integrada à vocação econômica da região.
Foto: divulgação

