Aliados tentam convencer Lula a ir a debate no 1º turno, mas presidente resiste

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Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a defender com mais intensidade sua participação no debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, em meio ao avanço de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas eleitorais e ao cenário de indefinição na disputa presidencial.

Segundo O Globo, integrantes da cúpula da campanha e do governo avaliam que o debate poderia ser usado para confrontar diretamente o candidato do PL e tentar desconstruir a imagem de “bom moço” que, na visão desses aliados, Flávio busca transmitir ao eleitorado. Apesar da pressão interna, Lula ainda resiste à ideia de comparecer, de acordo com dois interlocutores ouvidos pelo jornal.

O principal argumento dos defensores da participação é que a visibilidade de um debate em televisão aberta permitiria ao presidente estabelecer uma comparação direta com Flávio Bolsonaro. A estratégia seria apresentar Lula como um candidato experiente e enquadrar o adversário como alguém sem preparo para ocupar a Presidência da República. Até agora, os dois principais nomes da disputa não estiveram frente a frente em um debate eleitoral.

O ministro José Guimarães, das Relações Institucionais, é um dos que defendem a presença de Lula no encontro. Ele afirmou ao jornal que o presidente deveria usar o debate para atacar politicamente Flávio.

“Se depender de mim, ele vai, tem que nocautear ele (Flávio) no debate. Claro que todos vão falar do Lula, mas nosso objetivo é destruir a imagem de um candidato que está passando a imagem de bom moço e não tem nada de bom moço. É um homem perverso que vai só destruir os direitos”, disse Guimarães.

A pressão ocorre em um momento em que pesquisas indicam uma disputa apertada. Levantamento Quaest divulgado na segunda-feira mostrou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, mesmo índice registrado na primeira pesquisa da série, em 1º de setembro. Flávio Bolsonaro aparece com 33%, quatro pontos percentuais acima do patamar anterior. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que configura empate técnico.

No cenário de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, contra 41% de Lula. A leitura de aliados do presidente é que o crescimento do candidato do PL ampliou a necessidade de um confronto mais direto na reta final da campanha.

Um dos cálculos políticos dentro da campanha é que, caso Flávio Bolsonaro decida não comparecer ao debate, Lula poderia explorar a ausência do adversário e chamá-lo de “fujão”. Os dois candidatos não participaram do debate da Band, realizado em agosto.

A resistência de Lula, porém, tem relação com os riscos do formato. O presidente teme se tornar o principal alvo dos demais participantes, especialmente por ser o único candidato do campo da esquerda na disputa. Também há preocupação com o comportamento de adversários considerados mais agressivos, como Renan Santos, do Missão.

Pela legislação eleitoral, têm direito a participar do debate Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). A emissora também pode convidar Renan Santos e Romeu Zema (Novo), com base nos resultados das pesquisas.

Lula já manifestou publicamente incômodo com o nível dos debates. Em julho, afirmou que não pretende participar de encontros que, em sua avaliação, não contribuam para informar a população.

“Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou. Eu quero saber qual o nível do debate, porque, caso esse debate não sirva para informar a população e politizá-la, por que que eu vou responder sacanagem? Por que que eu vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?”, declarou o presidente na ocasião.

Outro fator considerado pela campanha é o custo de preparação. Para participar de um debate, Lula costuma reservar um dia inteiro, que poderia ser usado em atividades de rua, comícios e viagens. Na reta final, a agenda preliminar do presidente prevê passagens por estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Amazonas e Pará.

Aliados também avaliam que qualquer deslize verbal às vésperas do primeiro turno poderia ter impacto eleitoral, diante da expectativa de uma disputa definida por margem estreita. Esse receio pesa na decisão sobre a participação no debate.

Em 2022, Lula participou de dois debates televisivos no primeiro turno: o da Band e o da TV Globo. Neste ano, o encontro da Globo poderá ser o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro desde o início da campanha.

247/Foto: Divulgação