Vereadora é quase agredida pela bancada do PL por aprovar honraria à cantora Ludmilla

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Na Câmara Municipal de Niterói (RJ), a vereadora Benny Briolly (PSol) conseguiu uma vitória ao defender e aprovar o título de cidadã niteroiense para a cantora Ludmilla, reconhecendo sua trajetória na música. A proposta passou por 8 votos a 6 na última terça-feira (3), mas gerou um bate-boca com a vereadora Fernanda Louback (PL).

O debate esquentou depois da aprovação. Benny comemorou o resultado como um reconhecimento do valor da representatividade de Ludmilla na arte popular.

“É inadmissível que as pessoas não consigam olhar para uma mulher que produz arte popular e que hoje é bilionária, com seu próprio dinheiro, com a sua própria arte e que produz, canta e empodera o Brasil e o mundo, e não conseguir olhar a arte dessa mulher e respeitar”, declarou a vereadora do PSol.

Ela também lembrou que a homenagem reconhece “uma figura pública preta, pobre e periférica”.

Fernanda Louback pediu a palavra para explicar seu voto contra. Segundo ela, Ludmilla teria descumprido a Lei Municipal 4.097/2025, conhecida como “Lei Anti-Oruam”, durante um show de Réveillon na Praia de Icaraí. A lei proíbe o uso de recursos públicos para contratar ou divulgar espetáculos abertos a crianças e adolescentes que façam apologia ao crime ou às drogas.

“É impressionante que parece que hoje é crime no Brasil você ser branco. Vocês me desculpem por ter nascido. Inclusive, o meu avô materno é negro, e o outro de família alemã. Uma mistura danada. Todo mundo no país é miscigenado”. A fala provocou reação imediata no plenário.

Benny se levantou e começou a gravar um vídeo enquanto a colega falava, o que levou a uma breve interrupção da sessão. Louback então atacou a aparência da vereadora Benny.

“Sabe o que é engraçado? Defende tanto o povo negro, e olha a cor do cabelo, hoje”, em referência à aparência de Benny, que é uma mulher trans.

Por Rebeca Santos/Reprodução / Instagram/divulgação/Instagram/@Ludmilla