Trump volta a atacar o Pix e ameaça Brasil: Flávio Bolsonaro se cala

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O governo de Donald Trump voltou a escalar a retórica contra o Brasil. O alvo da vez é o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC).

A ferramenta foi incluída no relatório anual do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O documento lista o mecanismo brasileiro como uma “barreira comercial.

A alegação de Washington é que o Pix prejudica empresas norte-americanas, o que ameaça o Brasil com possíveis retaliações econômicas.

Ao mesmo tempo, a investida encurrala o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar optou pelo silêncio diante da ofensiva de seu principal aliado internacional contra uma das ferramentas mais populares do país.

Por que Trump ataca o Pix?

A ofensiva foi detalhada pela Revista Fórum. Segundo o relatório, há uma “preocupação” de que o BC conceda tratamento preferencial ao Pix.

Para os EUA, isso criaria uma suposta desvantagem para as gigantes estrangeiras de pagamentos eletrônicos que operam em território nacional.

O movimento dá continuidade à investigação formal aberta pelo USTR em 2025. Aquele processo já mirava o setor de comércio digital brasileiro

Lançado em 2020, o Pix engoliu rapidamente o mercado de transferências no Brasil. O sucesso se deve à sua eficiência e gratuidade para pessoas físicas.

Na prática, a insatisfação de Washington expõe a frustração de corporações financeiras norte-americanas. Elas perderam uma fatia bilionária do mercado para uma infraestrutura pública de escala nacional.

Lula reage em defesa da soberania nacional

A resposta institucional do governo brasileiro mantém a firmeza. É o mesmo tom adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde os primeiros indícios dessa ofensiva.

Na ocasião da abertura da investigação de 2025, Lula foi categórico. Ele afirmou que o Pix “é do Brasil” e que o país não aceitaria interferências externas.

O Planalto sustenta que a operação do mecanismo é puramente técnica. O sistema segue rigorosos critérios regulatórios e não impõe discriminação a agentes estrangeiros.

O silêncio de Flávio Bolsonaro e a cobrança no Congresso

No campo legislativo, a postura dos EUA transformou o debate em uma arena de disputa política. A recusa de Flávio Bolsonaro em defender o sistema financeiro expôs uma contradição do bolsonarismo.

Para parlamentares progressistas, a submissão a Trump falou mais alto que a defesa dos interesses do Brasil. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) destacou esse ponto.

A cobrança foi endossada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG). Ele ironizou a falta de posicionamento dos autodeclarados patriotas diante da ameaça que mira uma facilidade diária da população.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou que o Pix é do Brasil, criticou a pressão das operadoras de cartão  contra o sistema e associou essa reação aos lucros obtidos com os juros do crédito rotativo.

No Senado, a artilharia ficou por conta de Humberto Costa (PT-PE). Em manifestações nas redes, o senador petista alertou para os riscos dessa aliança diplomática da extrema direita.

Costa reforçou ainda que a investida é uma tentativa de blindar os monopólios das bandeiras americanas de cartão de crédito. Para ele, o silêncio de Flávio Bolsonaro funciona como um endosso tático aos interesses dos EUA em detrimento do Brasil.

Diego Feijó de Abreu/Foto: Divulgação