Crônica: Essa crônica não foi feita por I.A.

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Nos últimos anos, muito se tem falado sobre a Inteligência Artificial e como as ferramentas disponíveis seriam úteis para diversos campos, seja profissional, artístico, entretenimento ou para pesquisas diversas. 

Porém, atualmente, a Inteligência Artificial tem se tornado uma realidade, principalmente na criação de conteúdo, dando uma “mãozinha” para quem acaba tendo uns “brancos” criativos, seja na criação de textos, artes e até músicas.

Nada contra usar a I.A. para incrementar uma criação artísticas, criar uma arte ilustrativa, correção ortográfica etc., e até mesmo, quando usada para conteúdos artísticos específicos, como vídeos de velhinhas caindo de telhados, discos voadores pairando sobre cidades, políticos que se odeiam fazendo churrasco e jogando truco ou gatinhos dançando numa festa segurando um copo de bebida. Nestes casos, sabemos que se trata de I.A. e damos risadas.

O problema, e quando usam a ferramenta para enganar outras pessoas, principalmente, quando o enganado sou eu.

Como gosto de música, principalmente rock dos anos sessenta, setenta e oitenta, dia desses estava procurando no Youtube, bandas hippies, psicodélicas e progressivas dos anos sessenta e setenta, e começou a aparecer dezenas de álbuns completos de bandas que eu nunca tinha ouvido falar. Passei a assistir os vídeos, e no começo achei muito interessante, se bem que, o som era bem característico de outras bandas mais conhecidas da época.

Após ouvir algumas bandas, procurar informações sobre elas, e não encontrar nada, comecei a perceber certas peculiaridades nas músicas e enfim, cheguei à conclusão que não passavam de criação feitas por Inteligência Artificial.

Fui enganado!

Dessa feita, percebi que o Youtube está repleto de bandas “falsas”, e tem músicas “falsas” tocando até no Spotify.

Como disse, nada contra as bandas e músicas criadas por I.A., mas é preciso avisar a gente, para não nos sentirmos enganados, achando se tratar da inventividade humana com inspiração e expiração, momento criativo, paixão, emoção, razão… e não um programa de computador!

Falando nisso, tenho que confessar aqui.

Cheguei sim, a submeter um de meus poemas num serviço de Inteligência Artificial gratuito da Internet, que musicalizou a letra. Ficou muito bom!

Poderia ser meu ingresso para o cenário pop/rock brasileiro, mesmo que em parceria com a I.A. (tem muita gente fazendo isso).

Mas, decidi não divulgar. Estaria sendo hipócrita depois de tudo o que escrevi nesta crônica, que aliás, NÃO foi redigida por uma Inteligência Artificial.

RODRIGO ALVES DE CARVALHO nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas promovidas por editoras e órgãos literários.  Atualmente colabora com suas crônicas em conceituados jornais brasileiros e Blogs dedicados à literatura.

Em 2018, lançou seu primeiro livro intitulado “Contos Colhidos”, pela editora Clube de Autores. Trata-se de uma coletânea com contos e crônicas ficcionais, repleto de realismo fantástico e humor. Também pela editora Clube de Autores, em 2024, publicou o segundo livro: “Jacutinga em versos e lembranças” – coletânea de poemas que remetem à infância e juventude em Jacutinga, sua cidade natal, localizada no sul de Minas Gerais. Em 2025, publicou o terceiro livro “A saga de Picolândia” – série de relatos sociopolíticos acontecidos em Picolândia – uma pequena cidade do interior, cuja sua principal fonte de renda é a produção de sorvetes. Com um tom humorístico e irônico, com uma pitada de realismo fantástico, a obra reúne diversas crônicas engraçadas narradas por um morador desta cidade.

Por Rodrigo Alves de Carvalho