Tarifaço dos EUA não deve atingir exportações de frutas do VSF

Cidades Petrolina

As frutas produzidas no Vale do São Francisco devem ficar de fora do novo pacote de tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos. A avaliação é do superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Petrolina, Edilázio Wanderley, que considera a exclusão das frutas da lista uma notícia positiva para a fruticultura da região.

Segundo ele, a decisão demonstra a importância da produção brasileira para o mercado norte-americano, especialmente durante o segundo semestre do ano. “Isso mostra, entre outras coisas, a necessidade que o governo dos Estados Unidos tem das frutas brasileiras, principalmente na janela desse segundo semestre. Eles não têm total produção, principalmente da uva e da manga, e dependem muito desses produtos exportados pelo Brasil”, afirmou.

De acordo com Wanderley, a estratégia adotada pelo Brasil após o primeiro pacote de tarifas anunciado pelos Estados Unidos contribuiu para ampliar mercados e reduzir a dependência de um único comprador. “A diplomacia ativa do governo brasileiro desde o primeiro tarifaço acabou reforçando alguns mercados e a fruticultura foi um deles. No segundo semestre de 2025, mercados que produtores não atendiam em alguns meses do ano, como Inglaterra e Canadá, acabaram absorvendo essa fruta”, explicou.

Atualmente, os Estados Unidos compram cerca de 50 mil toneladas de manga brasileira por ano. O país é considerado um dos principais destinos da fruta produzida no Vale do São Francisco, responsável por aproximadamente 90% das exportações nacionais de manga e 92% das exportações de uva de mesa.

O superintendente também destacou a abertura de novos mercados internacionais. Segundo ele, os primeiros contêineres de uva enviados para a União Europeia já foram embarcados sem taxação, após avanços no acordo entre Mercosul e União Europeia. Além disso, produtores brasileiros seguem ampliando negociações com países asiáticos.

Entenda a proposta dos Estados Unidos

O novo tarifaço foi sugerido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente norte-americano, Donald Trump. A proposta prevê a aplicação de tarifas de até 25% sobre parte das importações brasileiras. Segundo o governo dos EUA, a medida seria uma resposta a políticas e práticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação americana, impactariam setores como comércio digital e serviços de pagamento.

Enquanto a fruticultura não deve ser diretamente afetada, outros segmentos seguem acompanhando as negociações. É o caso do setor sucroenergético. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou que o impacto da medida ainda é incerto. A expectativa é de que o tema seja discutido em novas rodadas de negociação previstas para ocorrer ao longo do mês de julho.

(Fonte: Diário de Pernambuco)Foto: Fernanda Birolo/Embrapa Semiárido