
O empresário Edvaldo Souza Salviano, de 41 anos, mandou áudios para a esposa e um amigo de dentro do porta-malas do carro enquanto era sequestrado no domingo (5). Edvaldo e seu irmão Edmilson Souza Salviano, 49, foram sequestrados em Ouricuri e encontrados mortos em Exu, no Sertão. Um suspeito, identificado como Lázaro José da Silva Filho, conhecido como Novinho, foi preso em flagrante.
Nas gravações, Edvaldo afirma que está sendo sequestrado por Novinho. “Ele está armado. Eu vou mandar a localização. Não me liga”, pede o empresário, que era dono de um frigorífico em Ouricuri.
“Ele está muito alterado, está armado. Eu estou dentro do porta-malas do carro”, diz em outro áudio obtido pelo Diario de Pernambuco.
Imagens da tela de um celular também mostram troca de mensagens entre Edvaldo e a esposa, por volta de meio-dia. Ele envia a ela uma imagem dos documentos do carro em que estava.
“Urgente, meu amor. Vai logo”, escreve. Por volta de 13h40 ela liga ao menos quatro vezes para ele, que não atende.
Uma das testemunhas ouvidas pela polícia, amigo das duas vítimas, disse que recebeu mensagens de Edvaldo às 11h58 relatando estar sendo sequestrado e enviando sua localização. Ele acionou outro amigo e juntos passaram a tentar contato com a Polícia Militar ao mesmo tempo que seguiam a localização recebida.
“Avistaram Novinho caminhando pela pista de rolamento; logo depois, verificaram que o veículo havia caído em uma ribanceira, a aproximadamente 10 a 15 metros abaixo da pista”, diz trecho do depoimento.
Somente após a chegada da polícia, o veículo foi aberto, momento em que Edvaldo foi encontrado no porta-malas, e Edmilson, no banco traseiro. Ambos já estavam mortos.
Já a esposa de Edvaldo relatou aos policiais que acionou a polícia após receber os áudios e as imagens do carro. Ela disse que conhecia o suspeito desde a época que se casou com Edvaldo, há aproximadamente 15 anos. Ela disse desconhecer a motivação da crime.
Segundo a mulher, Lázaro sofreu uma tentativa de homicídio há sete anos, apresentando comportamento estranho desde então, “permanecendo constantemente recluso em sua residência”.
Um primo das vítimas contou que elas eram amigas de Lázaro. “O imputado [Lázaro] trabalha como marchante, matando carneiro, bodes, vacas, e vendia as carnes dos animais para a vítima Edvaldo”, relatou. Já Edmilson tinha uma propriedade com animais, a qual Lázaro costumava frequentar.
Boletins do Instituto de Criminalística (IC) apontam que o corpo de Edvaldo tinha uma perfuração por arma de fogo. Não foi encontrada marca de projétil em Edmilson. Um policial relatou ter ouvido dos peritos do IC que havia sinais de infarto nele, sendo registrado como morte a esclarecer.
Interrogado, Lázaro escolheu permanecer em silêncio. Após ele ser apresentado em audiência de custódia, onde alegou ter recebido um chute na boca de policial, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.
“O modo de execução, precedido de sequestro e marcado pela quebra da relação de amizade e confiança que unia o autuado às vítimas, revela periculosidade concreta e desprezo pela vida humana que extrapolam a gravidade abstrata do tipo penal”, escreve o juiz da audiência. Lázaro foi encaminhado ao Presídio de Salgueiro, também no Sertão.
Diario de Pernambuco Foto reprodução

