
O último dia do Festival Juá Literária começou com uma programação voltada à valorização da cultura, das tradições e da identidade do povo juazeirense. Ao longo da manhã e da tarde, atividades culturais, debates e lançamentos de livros destacaram o pertencimento ao território e a riqueza da produção artística e literária do Vale do São Francisco.
O ser ribeirinho foi um dos temas centrais da programação. O grupo de teatro do CIEB Rui Barbosa apresentou o espetáculo “Nas Curvas do Rio”, produzido especialmente para esta edição do festival. A montagem retrata costumes e tradições das comunidades ribeirinhas que vêm se perdendo ao longo do tempo.
De acordo com a professora e coreógrafa Júlia Gondin, a proposta foi valorizar manifestações culturais que fazem parte da história de Juazeiro.
“Juazeiro é banhada pelo Rio São Francisco e nosso intuito é apresentar algumas culturas ribeirinhas da nossa cidade que estão se perdendo ao longo do tempo. Na peça, apresentamos as belezas dos penitentes, das lavadeiras, dos pescadores e outras tradições regionais”, explicou.
A literatura produzida no território também esteve em destaque na mesa “Escritores do Vale: produzir literatura para quem?”, que abordou a relação entre identidade, território e produção literária local. As escritoras Gerlane Fernandes, Paula Cristina, Suzana Almeida, Andreia Machado e Maria Isabel discutiram os desafios da literatura infantil, a importância das narrativas criativas e o papel das ilustrações na formação de novos leitores, além de refletirem sobre como a literatura fortalece o sentimento de pertencimento e preserva a memória regional.
Os movimentos literários de Juazeiro, que reúnem a poesia ribeirinha, a literatura marginal e o resgate da memória do município, também ganharam espaço no Cais da Palavra, ambiente dedicado aos autores locais. Nesta segunda edição do festival, o espaço reuniu o lançamento de cerca de 30 livros.
Entre os autores participantes esteve Seu Pimpolho Torres Dourado, que lançou uma biografia em homenagem ao pai, o escritor Walter Dourado, além da segunda edição da obra “Juazeiro da Bahia à Luz da História”.
“Quero agradecer e parabenizar por essa iniciativa de valorização dos escritores locais. Aqui tive a oportunidade de lançar a biografia que fiz em homenagem ao meu pai e também a segunda edição do livro Juazeiro da Bahia à Luz da História, escrito por Walter Dourado, que conta a história do município desde sua origem”, destacou.
Um dos momentos mais aguardados da programação foi a mesa “Entre Palavras e Canções”, com a cantora, compositora e escritora Adriana Calcanhotto, mediada pelo músico e educador Moésio Belfort. Durante a conversa, foram debatidos temas como música, poesia, literatura e a formação de novos leitores.
Participando pela primeira vez do Juá Literária, Adriana destacou a dimensão do evento e sua importância para o fortalecimento da leitura.
“É sensacional estar aqui. Este espaço me faz lembrar a Flip de Paraty, da qual participei da primeira edição e que hoje é um evento grandioso. O Festival Juá Literária, mesmo estando apenas na segunda edição, já é enorme. É muito importante realizar eventos como esse, que incentivam o hábito da leitura, algo que deve fazer parte do cotidiano das famílias. Dessa forma, teremos uma sociedade cada vez mais leitora.”
O Festival Juá Literária integra o Programa Juazeiro Avança (PROJUA) e faz parte das comemorações pelos 148 anos de Juazeiro. Nesta edição, o evento homenageia 54 artistas juazeirenses, celebrando aqueles que, com suas palavras que navegam pelo tempo, preservam memórias, fortalecem a identidade cultural do município e inspiram gerações por meio da literatura e da arte.
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Texto: Márcio Reges / ASCOM PMJ
Fotos; Anamauê

