Crianças de Juazeiro viajam pela história no Museu Regional do São Francisco

Cidades Juazeiro

Imagine cruzar uma porta de madeira antiga e, em poucos passos, viajar centenas de anos. Essa é a experiência vivenciada por estudantes da rede municipal de Juazeiro na 3ª edição do projeto “Viagens no Tempo”, iniciativa voltada à educação patrimonial e à valorização da história local. A programação marca a Semana Nacional do Patrimônio Histórico, que começou no dia 17 e segue até sexta-feira (21).

Serão 10 sessões guiadas no Museu Regional do São Francisco, com a expectativa de atender mais de 500 crianças das zonas urbana e rural da cidade.

A proposta do projeto é promover uma viagem pela formação histórica de Juazeiro, abordando desde os modos de vida antigos e a fauna pré-histórica da região até a importância da navegação e do Rio São Francisco para o desenvolvimento da cidade. Durante as visitas, os estudantes percorrem os três pavimentos do prédio histórico, construído na década de 1920, em um roteiro que combina contação de histórias, mediação pedagógica e observação do acervo.

Para a estudante Vitória de Sousa Lara, da Escola Municipal Professora Leopoldina Leal, em sua primeira visita ao museu, o destaque foram os fósseis localizados no subsolo do edifício. O espaço expõe remanescentes de animais da megafauna que habitavam a região, como mastodontes e preguiças-gigantes. “Achei interessantes os ossos e os dentes dos bichos grandes”, afirma a estudante, ressaltando que já havia estudado na escola as lendas locais apresentadas pelos mediadores durante o percurso, como o Nego d’Água e a Serpente da Ilha do Fogo.

De acordo com a mediadora Zuleika da Silva Bezerra, a reação dos alunos diante dos objetos históricos evidencia a curiosidade sobre o cotidiano. “Eles chegam animados e ansiosos para conhecer de tudo, principalmente o subsolo”. A mediadora destaca o que deixa os olhos dos estudantes curiosos: as fotografias antigas e os trajes da época. “Os minerais fazem seus olhos brilharem e os fósseis os deixam bem surpresos”.

A dimensão educativa da atividade extraclasse foi ressaltada pela comunidade escolar. Segundo a coordenadora pedagógica Nice Neide Campinho, da Escola Leopoldina Leal, que pela primeira vez está visitando o museu, a vivência prática complementa o conteúdo curricular trabalhado em sala de aula com alunos do 3º ao 5º ano. Para a coordenadora, o contato visual e direto com o patrimônio histórico fixa a memória e o aprendizado de forma muito mais consolidada do que apenas a teoria. 

“Quando você vê a história, porque eles não estão só ouvindo, isso vai ficar registrado na memória de cada um deles”, avalia a coordenadora, defendendo a continuidade do projeto e de outras atividades semelhantes na rede municipal. Ela ainda completa que essas visitas e debates estimulam nas crianças o sentimento de pertencimento em relação à história de Juazeiro e aos espaços culturais da cidade.

O projeto “Viagens no Tempo” é realizado pela Pipa Produções,  contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. 

Agencia Chocalho