
O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) afirmou nesta quinta-feira (20), durante sabatina promovida pelo Grupo A Tarde, que a retomada de territórios dominados por organizações criminosas será uma das prioridades de sua agenda para a segurança pública, caso seja eleito governador.
Ex-prefeito de Salvador, Neto citou o caso em especial de uma comunidade vizinha à avenida Paralela, uma das vias mais movimentadas da cidade, onde os moradores foram expulsos de suas casas em razão da presença do tráfico.
“Uma coisa que é muito importante é a retomada dos territórios. Aqui em Narandiba, nós temos ali a Travessa Ubatã, que fica a um quilômetro da Paralela, não mais do que isso, que fica a menos de 500 metros de um grupamento da Polícia Militar, e que foi abandonada pelos moradores. Você chega lá, é marca de bala nas portas, e as famílias foram embora, abandonaram suas histórias. Às vezes, o único bem que possuía era a sua casa. Por quê? Porque o tráfico de drogas, o crime organizado tomou conta”, relatou, que já visitou o local meses atrás.
Neto também citou uma visita recente à comunidade de Capanema, na zona rural de Maragojipe, no Recôncavo, e disse que situações semelhantes se repetem em outras cidades baianas. Ele frisou que a estratégia de retomada deverá combinar inteligência, investigação e planejamento, evitando que a atuação do Estado se limite ao confronto policial.
“Nós vamos retomar o território com inteligência. Não pode ser só com violência, claro que, às vezes, vai ter enfrentamento, mas não pode ser com violência, não pode ser na base da força. Tem que ser na base do planejamento, da inteligência, da investigação. Nós vamos ter que gastar dinheiro do Estado para isso, para qualificar o nosso capital humano e para ter recursos e instrumentos materiais para que o território seja retomado e o cidadão volte a ser dono do seu chão e do seu lar”, projetou.
Investimento nas polícias e cerco à criminalidade
O candidato do União Brasil também apresentou durante a sabatina propostas para equipar melhor as forças de segurança, ofertar melhor remuneração e ainda oferecer linhas de financiamento habitacional para a tropa.
“Observe que não há solução para segurança sem mobilizar a polícia, você tem que trazer a polícia para o seu lado. Eu quero que a polícia seja a minha parceira. Para isso, eu aumentar o salário do policial, dar condição de trabalho ao policial, colete à prova de bala, armamento moderno, viatura blindada, outros benefícios para sua família como o financiamento da moradia para os policiais”, listou.
Na área tecnológica, Neto defendeu a ampliação do uso de drones e do videomonitoramento, além da integração de câmeras particulares de estabelecimentos comerciais e edifícios ao sistema estadual de monitoramento.
“Trabalhar com tecnologia, uso de drone, fazer a ampliação do videomonitoramento, integrar as câmaras particulares de bares, restaurantes, edifícios voltados para a rua à essa grande central de monitoramento que a gente quer implantar. Fazer o cercamento digital, qualquer automóvel que entrar em território baiano, a gente vai acompanhar aquela placa, se for placa fria, se for automóvel roubado, imediatamente a polícia vai agir porque é ali onde está o bandido, é ali onde está o criminoso se deslocando”, afirmou.
Governadoria da Segurança
ACM Neto ressaltou que uma das principais mudanças no trabalho da segurança pública vem da postura do governador, que precisa ser parte direta na solução coordenando e integrando todas as polícias, como ele pretende com a proposta de criar a Governadoria da Segurança.
“Eu estarei dialogando semanalmente com os comandantes da polícia na capital e no interior, com a Polícia Civil, com a Polícia Técnica, com a Polícia Penal, que eu repito, vão atuar de forma integrada, com suporte tecnológico. Cada um vai ter a sua meta, cada um vai ter ali claramente qual é o objetivo que vai alcançar tanto em redução de homicídios como em redução de letalidade policial. E quem vai cobrar isso é o governador pessoalmente”, afirmou.
Neto defendeu também a recuperação de unidades de segurança máxima, com isolamento dos líderes de organizações criminosas e medidas para impedir a comunicação dos detentos com o ambiente externo.
“Finalmente, os presídios. Tem uma política de recuperação dos presídios que tem que ser de segurança máxima. Cortar qualquer comunicação do presídio com o mundo externo e principalmente isolar os chefes de organizações criminosas”, afirmou. “Bandido vai ser tratado como bandido, com rigor, com punição e com presídio que realmente faça ele pagar o preço do crime que cometeu”, completou

