
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta quarta-feira (23) que pretende acabar com as plataformas de apostas online no Brasil. Durante encontro com artistas na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que considera o atual modelo prejudicial às famílias e rejeitou o argumento de que o futebol brasileiro depende financeiramente das casas de apostas.
“Isso não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets”, afirmou Lula. O presidente também disse que terá “imenso prazer” em enfrentar o setor e relacionou a medida ao combate à ludopatia e à necessidade de maior regulação das plataformas digitais.
A manifestação reforça uma posição que Lula já havia apresentado na sexta-feira (18), durante comício em Guarulhos (SP). Na ocasião, classificou as apostas online como um vício e afirmou que, se dependesse de sua vontade, as bets seriam encerradas no país.
“Dinheiro do pobre”
Um dos principais pontos do discurso de Lula foi a relação entre as casas de apostas e os clubes de futebol. Grandes equipes brasileiras recebem atualmente recursos significativos de patrocínios do setor e dirigentes têm reagido à possibilidade de restrições impostas pelo governo.
Lula argumentou que o torcedor já contribui financeiramente com os clubes ao comprar ingressos, camisas e outros produtos e questionou um modelo em que as equipes recebem também recursos provenientes das perdas dos apostadores.
“Acho uma insensatez”, disse o presidente, ao comentar a reação dos dirigentes. Segundo Lula, as bets acabam “financiando os clubes com o dinheiro do pobre”.
O presidente também afirmou que os clubes precisam encontrar outras formas de financiamento e gestão, citando as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) como uma das transformações pelas quais o setor vem passando.
Ludopatia no centro do debate
Lula tem colocado os efeitos sociais das apostas no centro de sua argumentação. Em discursos recentes, relatou casos de brasileiros que acumularam dívidas, venderam bens e enfrentaram situações extremas em decorrência da compulsão pelo jogo.
Para o presidente, a arrecadação tributária proporcionada pelas empresas não deve se sobrepor à proteção da população. “O governo não está preocupado em perder imposto. O que a gente não pode perder é a vida dos pobres jogando”, declarou durante o ato em Guarulhos.
No evento desta quarta, Lula voltou a dizer que não pretende permitir que a ludopatia tome conta da população brasileira. O presidente relacionou o problema especialmente aos jovens e ao poder dos algoritmos e das plataformas digitais sobre seus hábitos.
Governo prepara medida
A declaração ocorreu no mesmo dia em que Lula se reuniu com integrantes do governo para discutir medidas contra as apostas online. Segundo a CNN Brasil, o presidente indicou aos ministros preferência por uma medida provisória que alcance tanto as apostas esportivas quanto os cassinos online. O governo busca respaldo jurídico para a iniciativa.
O formato definitivo, entretanto, ainda depende da elaboração da medida e de sua tramitação no Congresso. Nos últimos dias, foram discutidas alternativas que variam de novas restrições à publicidade e proibição de determinados jogos de cassino online até um veto mais abrangente às apostas digitais.
A possibilidade de proibição provocou reação no futebol. Clubes e federações vêm buscando uma audiência com Lula para defender a manutenção das apostas regulamentadas e alertar para o impacto da perda dos contratos de patrocínio.
Lula, porém, voltou a sinalizar no Rio que sua prioridade será o impacto social das apostas. A posição coloca o enfrentamento à ludopatia e ao endividamento associado aos jogos online entre os temas da reta final de sua campanha pela reeleição.
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