
O número recorde de 21 governadores eleitos no primeiro turno das eleições de 2026 aumenta o desafio de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para mobilizar eleitores na disputa presidencial. Levantamento do Estadão com eleições desde 2002 aponta que a abstenção nos estados onde a disputa pelo governo terminou na primeira rodada subiu, em média, de 19,1% para 22,4% no segundo turno. No primeiro turno deste ano, mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, enquanto a diferença entre os presidenciáveis foi de 1,87 ponto percentual. A reportagem é do Estadão.
Lula aposta na atuação de governadores aliados, especialmente no Nordeste, para ampliar sua votação e atrair eleitores ausentes. O presidente se reuniu com Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí), reeleitos no primeiro turno, para discutir estratégias de mobilização. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, a ausência pode afetar proporcionalmente mais o eleitorado de menor renda, segmento em que o petista tem maior desempenho. Aliados do presidente também defendem reforçar a comparação entre os dois candidatos para estimular a participação.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, pretende utilizar a estrutura política de governadores e lideranças que já conquistaram seus mandatos para manter a campanha ativa. Em São Paulo, a expectativa é contar com o apoio de Tarcísio de Freitas (Republicanos); em Minas Gerais, a articulação envolve o governador eleito Cleitinho (Republicanos) e o deputado Nikolas Ferreira (PL). Especialistas ressaltam, porém, que o fim das disputas estaduais pode tanto reduzir a mobilização política quanto liberar lideranças para atuar na corrida presidencial. O resultado dependerá também de fatores como o envolvimento dos eleitores, o desgaste com a política e o cansaço após campanhas polarizadas.
Foto: Rovena Rosa/Arquivo/Agência Brasil

