
Estudos de viabilidade econômica do corredor logístico foram apresentados em encontro com representantes dos governos federal e estadual, parlamentares e empresários, em Salvador
A reativação da Hidrovia do São Francisco foi um dos temas debatidos nesta quinta-feira (15/10), em Salvador, durante encontro entre o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, representantes do setor produtivo e lideranças políticas. Na ocasião, a diretoria executiva da Autoridade Portuária Federal – CODEBA apresentou o projeto de reativação da hidrovia e os estudos atualizados pela Infra S.A. sobre a viabilidade econômica do corredor logístico.
A iniciativa busca ampliar as alternativas de transporte de cargas, fortalecer a integração logística entre regiões e criar condições para o desenvolvimento econômico da Bahia e do Brasil. A proposta também se insere no debate sobre a modernização da infraestrutura de transportes e a redução dos custos logísticos nacionais.
Durante o encontro, a CODEBA reforçou o compromisso com a retomada da hidrovia, considerada estratégica para ampliar a capacidade de escoamento da produção regional e diversificar a matriz de transportes brasileira.
“Reforçamos nosso apoio e compromisso com a reativação da Hidrovia do São Francisco, um projeto estratégico para o país, com potencial para impulsionar a logística, fortalecer a economia regional e gerar novas oportunidades de desenvolvimento para a Bahia e o Brasil. Seguimos trabalhando para transformar esse projeto emblemático de Estado em realidade, conectando pessoas, territórios e oportunidades por meio de uma logística mais eficiente e sustentável”, afirmou o presidente da CODEBA, Antonio Gobbo.
Logística e competitividade
Ao abordar o crescimento das exportações brasileiras, Geraldo Alckmin destacou a importância da infraestrutura portuária e hidroviária para ampliar a competitividade do país, reduzir custos e oferecer maior previsibilidade ao mercado.
“Há 50 anos, nós importávamos alimento. Em 2025, batemos recorde de exportação e, este ano, vamos bater um recorde ainda maior. Com o acordo do Mercosul com a União Europeia, a exportação brasileira cresceu 30% para a Europa, em cinco meses. Mas nós temos outros desafios pela frente, que é reduzir o Custo Brasil, e aí a logística tem tudo a ver”, afirmou o vice-presidente.
Nesse contexto, a reativação da Hidrovia do São Francisco representa uma alternativa para ampliar a integração entre os modais de transporte, favorecer o deslocamento de mercadorias e contribuir para a eficiência das cadeias produtivas.
Integração regional e fortalecimento da produção baiana
A proposta também foi destacada pelo chefe de gabinete da CODEBA, Carlos Luciano, que ressaltou os impactos sociais e econômicos da retomada da navegação comercial no Rio São Francisco.
“A reativação da hidrovia representa a possibilidade de abrir novos caminhos para o transporte de cargas, gerar oportunidades e fortalecer a integração do Vale do São Francisco com outras regiões do país. Como ribeirinho, tenho orgulho de fazer parte dessa luta. Conheço a importância do Rio São Francisco para a vida das comunidades, para a economia regional e para o desenvolvimento de tantos municípios que dependem dele”, declarou.
O presidente da Bahia Investe, Paulo Guimarães, também ressaltou a parceria com a CODEBA para viabilizar a reativação da hidrovia. Segundo ele, o corredor logístico poderá contribuir para o escoamento da produção do oeste baiano, com potencial de redução do tempo e dos custos de transporte.
Guimarães destacou ainda a importância da agricultura familiar para a economia estadual, lembrando que a Bahia reúne cerca de 600 mil famílias ligadas à atividade. Para ele, o fortalecimento da logística pode ampliar as oportunidades de comercialização de produtos agrícolas e agroindustriais, como frutas, vinhos e queijos, inclusive em mercados de exportação.
“A agricultura familiar da Bahia tem 600 mil famílias. Hoje já se profissionalizou, já tem produtos de altíssima qualidade sendo vendidos em diversas regiões, inclusive para exportação, e nós temos uma crescente produção de alimentos, desde frutas, vinhos, queijos, tudo isso envolvendo esta população de pequenos agricultores. E isso se reverte à atividade econômica que melhora o comércio, melhora o turismo, e a gente pode crescer em todos os setores a partir dessa parceria, governo-estado, governo-federal e setor produtivo”, afirmou.
A articulação entre os governos federal e estadual, a autoridade portuária e o setor produtivo é apontada como um dos caminhos para avançar nas discussões sobre a viabilidade e a estruturação do projeto.
Participação institucional
Além do presidente da CODEBA, Antonio Gobbo, participaram do encontro o chefe de gabinete, Carlos Luciano; o diretor de Administração e Finanças, Leandro Gaudenzi; o assessor especial, Marcelo Peres; e a deputada federal Lídice da Mata.
A apresentação dos estudos e o diálogo com representantes do governo federal integram os esforços institucionais para avançar na agenda de reativação da Hidrovia do São Francisco, ampliando o debate sobre seu papel na logística nacional, no escoamento da produção e no desenvolvimento sustentável dos municípios situados ao longo do rio.
Fotos: Flávia Maciel

