Lula reforça compromisso fiscal, mas avisa: “não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”

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Presidente garante que “o pobre não pagará a conta” e cobra análise correta da dívida pública brasileira.

O presidente Lula (PT) reforçou o compromisso da sua gestão com a responsabilidade fiscal durante uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética realizada nesta sexta-feira (6). O chefe do Executivo federal comparou a seriedade fiscal do Brasil à de outras nações e criticou a percepção de parte do sistema financeiro sobre as contas públicas. De acordo com o presidente, a dívida interna brasileira é proporcionalmente menor que a de potências globais como Estados Unidos, França, Japão e Itália. As declarações foram detalhadas pelo governo para evidenciar o rigor na condução da economia e afastar narrativas de descontrole orçamentário.

Presidente defende rigidez das contas e critica cobranças do mercado financeiro

Lula argumentou que a avaliação da dívida pública brasileira frequentemente inclui elementos que distorcem a realidade econômica do país. Segundo o presidente, a equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve apresentar esses dados com clareza à imprensa para demonstrar o real patamar das obrigações financeiras do Estado. “Quantos países têm a seriedade fiscal que nós temos? Quantos? Qual é a dívida interna dos Estados Unidos? Da França? Do Japão? Da Itália? Perto da nossa, é o dobro em relação ao PIB“, declarou.

O titular do Planalto também apontou que a atual administração assumiu o comando com um déficit primário de 2,8% e conseguiu entregar o orçamento com superávit. Na visão do presidente, as exigências do mercado financeiro muitas vezes extrapolam os limites da realidade social do país. “Não é o que o sistema financeiro quer, porque ele quer tudo. Não. É o que a gente pode fazer”, pontuou, destacando o esforço diário de sua equipe econômica na manutenção das metas fiscais.

Governo assegura que população de baixa renda não arcará com ajustes

Durante o pronunciamento, Lula garantiu categoricamente que os estratos mais vulneráveis da população não serão penalizados por medidas de ajuste fiscal. O mandatário afirmou que sua trajetória política é a principal garantia dessa diretriz. “A única coisa que eles têm que saber é que o pobre não pagará a conta. Nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício. E eu tenho comigo a minha história”, afirmou.

Para fundamentar sua defesa da responsabilidade fiscal associada à justiça social, Lula relembrou sua atuação em mandatos anteriores, destacando que foi o único presidente entre 2003 e 2010 a registrar superávit primário anualmente. O governante pontuou que o Brasil foi o único país do G20 a atingir essa marca com patamares de até 2,5%, mesmo implementando políticas de inclusão social e valorização do salário mínimo que contrariavam previsões de analistas sobre pressões inflacionárias.

Histórico pessoal e investimento em infraestrutura marcam a gestão

O presidente atribuiu sua formação econômica a ensinamentos familiares transmitidos por sua mãe, Dona Lindu. Segundo o relato, os princípios de controle de gastos aprendidos na infância foram transpostos para a administração pública federal. Lula ponderou, contudo, que a disciplina orçamentária não impede a realização de investimentos estratégicos voltados ao desenvolvimento nacional e à construção de ativos duradouros para o país.

A gestão econômica também foi defendida com base na superação de crises históricas e na consolidação das reservas internacionais brasileiras. O presidente lembrou o pagamento da dívida externa e a transição do país de devedor a credor internacional perante o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao concluir, o chefe de Estado elogiou a dedicação dos servidores e ministros envolvidos na condução do orçamento, ressaltando o esforço contínuo para equilibrar a responsabilidade fiscal com a justiça social.

247/Foto: Ricardo Stuckert